Remoto controle

E a história da masturbação na novela? Nossa, que babado. Eu vi. Por incrível que pareça, logo eu, assumidamente alienada, que não vejo nem os telejornais obrigatórios, assisti a essa pérola, que certamente vai entrar para a história dos piores momentos da TV brasileira. Como diz o Kibe Loko, muito mais informação do que eu precisava.
Caetano Veloso é que tinha razão: “é bom saber o que dizer e o que não dizer na frente das crianças”.
O limite entre o bom senso e o moralismo puro e simples é mesmo difícil de estabelecer. Mas é importante pensarmos nisso, não só em função das crianças, mas em função de nós mesmos. Até que ponto queremos chegar, em nome de um suposto liberalismo comportamental? Queremos mesmo saber da intimidade alheia com esse nível de detalhes? Eu não. Pelo menos não em rede nacional. Talvez num chopinho com as amigas. As minhas amigas, claro, não as celebridades.
Talvez o primeiro passo seja questionar quem é que decide o que eu quero ou preciso saber. Meu filho de 4 anos não assiste a programação da TV, nem em casa nem fora, não quando eu posso evitar (com exceção dos desenhos da Futura e do SBT matinal, além de DVDs do acervo próprio, olha que menino chique). Já expliquei a ele que somos nós que mandamos na televisão, e não o contrário. Não sei se ele entendeu. Espero que um dia entenda. Quem controla o controle remoto? Ou é ele que nos controla? That’s the question.

-Monix-

PS – Esse post surgiu a partir de um comentário que deixei aqui.

Cuba

Outra coisa: vocês estão se lembrando das fotos da viagem a Cuba, no meu fotolog? Depois não reclamem.
-Monix-

Trilha & locação

Na vida real raramente a trilha sonora surge de acordo com a situação. O mais comum é o baile funk do morro vizinho bombar na sua cabeça na madrugada de domingo pra segunda e o rádio tocar ‘Meu bem querer’ quando você tá saindo pra sambar.
É tão difícil acontecer de tocar a música certa para a ocasião que eu lembro de duas vezes em que isso aconteceu na minha vida:

*Primeiro foi na minha lua-de-mel atrasada (três anos depois de casada!), durante um passeio de jipe em Canoa Quebrada. Como sói acontecer com turistas, que não podem se dar ao luxo de ligar para coisas irrelevantes como o tempo, saímos para o passeio mesmo com o céu nublado. E a chuva caiu exatamente quando estávamos num ponto sem nenhum abrigo por perto. Paciência, seguimos viagem recebendo grossos pingos de chuva na cabeça. No rádio do jipe começou a tocar Rain drops keep falling on my head.

*A segunda foi semanas atrás, quando estivemos hospedados numa casa de praia na região dos Lagos, aqui no Rio. Pela primeira vez na vida eu estive numa casa de praia, de fato: você abre o portão da casa e coloca o pé na areia da praia. Se você imaginou uma casa dessas de revista, era isso mesmo. E a festa junina para a qual fomos convidados também tinha de tudo, inclusive um trio de forró tocando ao vivo, que a certa altura mandou: Quem é rico mora na praia… Ainda que o dono da casa não more lá, a música tocada exatamente no momento em que apreciávamos a fartura e o bom gosto da festa fez todo sentido.

*Uma situação semelhante – nesse caso de sintonia entre música e locação – aconteceu quando estive pela primeira vez no Trapiche. A casa fica num sobrado na Gamboa, bairro muito antigo do Rio, próximo à Praça Mauá, às docas, e ao porto. Rolava um samba da melhor qualidade, e a casa lotada ficou ainda mais animada quando o grupo atacou de Mestre Sala dos Mares. Foi muito emocionante ver todos cantando de braços levantados, reverentes: Salve o navegante negro que tem por monumento as pedras pisadas do cais!. Exatamente ali, na região onde viveu e lutou João Cândido.

Helê

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