Elogie a mãe

26 Julho, 2006

Culpa, como se sabe, ataca toda gente, mas assume contornos dramáticos nas mães. Mãe e culpa são um binômio quase inseparável, sentimento sine qua non, que chega antes mesmo do bebê: vai sendo armazenada feito peça de enxoval. Ninguém consegue sentir tanta, pelas coisas mais bestas ou mais graves, quanto uma mãe.

Talvez a culpa materna seja proporcional à gigantesca expectativa jogada sobre elas. Deve estar associado também à inesgotável e intrépida capacidade crítica de sogras, vizinho, tias e do jornaleiro – isto é, qualquer um – sobre a atuação da mãe. Todo mundo se sente capaz, apto e encorajado a avaliar o desempenho de uma mãe – ainda que o veredicto venha revestido de comentários inocentes, conselhos zelosos ou dicas despretensiosas.

De um lado, essa indiscriminada disposição julgadora. No canto oposto do ringue (no qual a mãe apanha sempre) está a portentosa avareza de elogios e estímulos dirigidos às pessoas mãe. Vocês já notaram como é raro alguém elogiar sinceramente o ofício? É comum você escutar palpites sobre como Fulana deveria impor limites ao Beltraninho, mas quantas vezes você já escutou alguém dizer: ”Você de mãe, heim? Show de bola!” Ou ”Você arrasa de mãe, sabia?”. O pai pega o filho na escola e pode ouvir de vizinhos (e vizinhas, argh!) o quanto ele é prestativo, o quanto ajuda – enquanto que a mãe se descabela pra dar conta de mile coisas e isso é tido como normal. Vocês sabem: pai que cuida é favô, mãe que rala é default.

Por isso, pessoas, acabo de instituir a Campanha Elogie a mãe, de duração perene e dirigida a qualquer progenitora, seja a sua ou de outrem. Não tem nada a ver com consumismo de dia das mães – embora presente nunca seja uma má idéia – mas com generosidade e atenção para um trabalho árduo que, por ser cotidiano e milenar, passa quase desapercebido, mas não dispensa reconhecimento. Se você admira uma mãe, conte a ela. Se você vir uma delas num gesto ou atitude bacana, elogie, comente. É muito bom quando alguém nos diz que acertamos – porque a gente mesmo nunca sabe.

Este post é dedicado à Maria, que inspirou os pensamentos sobre culpa – embora ela não tenha nenhuma, apenas amor e coragem, como sói acontecer com as boas mães.

Helê

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Uma resposta

  1. Mãe é tudo de bom nessa vida! Quando a perdemos, ficamos sem chão! Como me faz falta, minha doce e amada mãezinha, dona de um amor incondicional!!

    Oi, Margareth, obrigada pelo comentário; volte sempre.
    Abração,
    Helê

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