Rio de Janeiro, agora é oficial: onde o céu azul é mais azul.

-Monix-

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Mundial da Amamentação – Blogagem coletiva

Quando a Denise Arcoverde convidou pra entrar nessa roda, a primeira e única contribuição que me veio à mente foi essa foto aqui:

Não é uma foto “clássica” de amamentação: com uma luz suave, a mãe sorrindo linda e loura num robe de seda, sem pai. Mas é uma das fotos que eu mais gosto (e olha que o que não me falta são fotografias, principalmente da minha filha). Porque retrata um momento íntimo, difícil e por isso mesmo único e marcante, desses que ajudam a consolidar uma relação.

Nessa foto minha filha Júlia devia ter 2 ou 3 dias, e amamentar doía, principalmente na primeira pegada. E o Luciano fazia o que podia, que era deixar eu esmagar a mão dele enquanto a bebéia começava a mamar.

Incentivar a amamentação não significa mentir, gente: às vezes dói. Pra umas mais, pra outras menos, outras ainda nunca. Mas pode doer, principalmente no começo, porque aquela é uma região do corpo muito sensível e protegida que de repente passa a ser sugada de hora em hora.

Nada que não se possa suportar e superar, até porque é muito pouco tempo, o corpo se adapta muito rapidamente – muito mais que a cabeça, que leva tempo pra se adaptar à condição de mãe (a minha tenta se adaptar todo dia, veja você). Omitir isso é contribuir, acho eu, pro MM (Mito da Maternidade), fortalecendo padrões globais de maternidade e beleza em que tudo é lindo, limpo, rosa e indolor. Nananinanão. Mas é fascinante, sempre – cada um do seu jeito.

Helê

***

Eu também tive dificuldade no início da amamentação. Para mim, ficou claro desde o início que era um aprendizado mútuo: eu não sabia amamentar e meu filho não sabia mamar. Tivemos que nos ensinar mutuamente. Foi minha primeira grande lição da maternidade, que no fundo tem tudo a ver com o instinto de preservação da espécie: se a mãe não aprendesse a decodificar os sinais do filho,e se o filho não aprendesse a transmitir seus sinais para a mãe, a espécie teria se extingüido milhões de anos atrás. Amamentar não é natural, nem instintivo. Mas pode ser bastante intuitivo, se mãe e filho estiverem na mesma sintonia.
Depois de superar os primeiros dias, em que o pequeno bichinho que saiu da minha barriga não conseguia administrar sua ansiedade e meu colostro não tinha ainda se tornado o leite abundante que ele desejava, a rotina começou a se implementar. Meu filho teve refluxo, e por isso mamava pouco a intervalos irregulares e curtos. Some-se a isso um bico invertido e o resultado será uma mãe exausta.
Mas (sempre tem um mas), como já dissemos no post sobre oMito da Maternidade Instantânea, a intensidade de certas emoções que vêm junto com a maternidade é impossível de explicar, por isso a gente acaba se prendendo aos “aspectos operacionais”, que, como tudo mundo sabe, são foda. Esqueçam tudo o que a gente falou, todas as verdadeiras verdades sobre as dores de amamentar. Por mais que eu viva, por mais experiências que se passem comigo, não consigo imaginar nenhuma emoção mais intensa que o prazer de dar meu próprio leite ao meu filho.

-Monix-

Minha felicidade em amamentar era tão grande que, quando se aproximou o fim da licença maternidade, não conseguia nem imaginar o que seria abrir mão precocemente daquela experiência. Graças ao meu ex-marido, que na época era meu parceiro de contas e planos, tive o privilégio de poder abrir mão da segurança de um emprego fixo em prol dos seis meses exclusivos no leite materno. Nosso filho se beneficiou, e três meses depois eu estava recolocada no mercado. Final feliz.

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