Papo eleitoral gratuito

– Eu gosto do Gabeira, mas acho que ele tá eleito…
– Sei não, ele precisa de muito voto porque o partido dele é pequeno.
– Pô, pensei em votar no Luís Eduardo Soares…
– Taí, uma boa opção! Mas queria conhecer melhor as propostas dele.
– É, pena que é homem, branco e classe média.
– Ah! Deixa eu ver… ele é gordinho…
– Não muito… já sei: é careca!
– Pronto, já representa uma minoria, beleza.

Helê

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Dedicado a vocês

Dedicado a vocês

Quem costuma cometer trocadilhos infames por aqui sou eu, confesso. Mas quem criou o mais recente deles, para nossa honra e glória, foi a suprema Dedéia, que nos deu um encargo muito importante. Vocês sabem: esse negócio de fada madrinha é pra gente comum, feito a Cinderela; Andrea Bacellar (e Carlos Matos) necessita(m) de fridas-madrinhas, ora pois. E foi com muito gosto que fomos nós ao cartório cumprir nossa missão – que os burrocratas chamaram de testemunhas de união estável, coisa mais sem graça. Eu achei que era mesmo um evento, coloquei a máquina digital na bolsa e pensei em levar umas flores, mas na hora amarelei, achei que estava levando tudo a sério demais, vendo poesia num cartório, segunda-feira, meio-dia e meia, veja você. Depois eu descobri que não era a única. E também não foi por acaso – porque nada é – que eu encontrei ontem, sem estar procurando, esse texto aqui da Dani Menezes sobre casamento. Então fica aqui essa oferta singela ao casal, a quem eu desejo que se apaixone muitas vezes mais, e a quem peço que relevem aí a pieguice, mas é que sentimental eu sou, paciência.

Helê

A Verbeat divulgou os resultados da primeira Pesquisa Blogosfera Brasil. Vale a pena conferir.

4:44 PM
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Gracinhas

Vamos combinar que se sair bem na Marília Gabriela é uma coisa; na Hebe é outra muito mais difícil. E elas saíram-se bem naquele sofá que é tudo – espetáculo, diversão, show – menos entrevista. A Hebe é uma gracinha, mas tem DDA em estágio avançado, fala de uma coisa e depois emenda em outra, sacaneia o gordinho na platéia e depois termina sempre sorrindo e achando tudo uma graça. Ela fez perguntas pertinentes, como por exemplo se as motherns acham adequado que as grávidas mostrem a barriga, como fez pioneiramente a Leila. Ela, Hebe, não gosta, afinal barriga é coisa íntima (!). Ah, também perguntou que castigo merecem as mães que esquecem o filho no carro e vão fazer compras no shopping – ao que a Ju respondeu, livrando-se elegantemente da saia justa e da falta de noção, que o fato em si já é castigo suficiente (ufa!). Mas em meio a tudo isso – às jóias e ao decote inacreditável e desnecessário da Hebe, entre o grupo revelação e a Dionne Warwick -, as duas conseguiram falar do livro e do blog; a Ju, didática e acertadamente, explicando o que é um; da importância do livro de visitas como fórum de discussão. Fizeram até a própria Hebe falar de um perrengue materno e usá-lo como exemplo da dureza dos primeiros tempos, pra toda e qualquer mãe. Acho que a Hebe não entendeu do que se tratava, mas as meninas saíram-se muito bem, com louvor.

Helê

Sobre violência

Trilha sonora do post no Dufas Dial: ouça e leia.

Hoje há mais uma postagem coletiva, sobre a qual eu pensei muito antes de participar. Porque, vocês sabem, meu movimento preferido é o ”Chega de basta!”. E eu não me interesso em discutir violência urbana sob o ponto de vista da (minha) classe média. Nem tenho a ousadia de dizer que é errado ou inadequado, não, apenas não me interessa.

Por isso eu só consegui pensar nesse texto, que li há mais de um mês e do qual não me esqueci. Porque qualquer um que já viveu minimamente perto da periferia, de qualquer periferia, vai se identificar com ele:

Enquanto eu olho a paisagem imensa e linda da zona sul do Rio de Janeiro, a Deni, minha vizinha de Santandré, aguarda a chegada do corpo do filho, o Gu, morto essa noite numa viela do bairro. Deni tem mais três filhos: Daniel, o mais velho, está preso, Willian, o segundo, também está preso e Edinho, o caçula, sobrevive em meio às farpas do cotidiano da periferia.

Na rua onde me criei todo mundo morreu, tá preso, casou por desespero ou virou evangélico, e todas essas pessoas fazem parte da minha história. O Kleber, meu primeiro amor adolescente, morreu numa escadaria. Filho único, deixou uma mãe linda e desesperada que acaba seus dias na ingreja evangélica do bairro, onde enterrou a juventude e qualquer ousadia dos seus muitos decotes bem definidos. Na morte do Kleber, ela morreu no dia-a-dia.

Daniel, irmão do Gu, é lindo, olhos quase verdes. Dizem que é um assassino frio, mas na nossa infância era só o guri cobiçado, o rapaz das brincadeiras. Willian, tb da família do peixeiro (o marido da Deni é peixeiro) sempre foi arredio, sarcástico. Matou um policial e vai mofar no presídio. Edinho é muito mais novo do que eu, mas já passeia por aí com seus piás. A Deni é da igreja da mãe do Kleber mas, como se vê, Deus não deu muita bola pra essa união familiar.

Denise, minha melhor amiga na infância e adolescência, casou com o Wilson, meu ex-cunhado. Faz quase dois anos que não os vejo, mas torço para que eles tenham optado por algo mais sadio do que viver o futuro preparado, encaixotado. Wend, meu namorado durante 6 anos (irmão do Wilson), casou-se, mora na Praia Grande, tem 3 filhos lindos e, me parece, uma bela carreira na Igreja do Evangelho Quadrangular. Sim, rapazes e moçoilas, meu ex-amor (pq eu amei o Wend) está estudando pra ser pastor e, conhecendo bem sua capacidade argumentativa e seu raciocínio brilhante, será próspero e galgará todos os degraus hierárquicos do mundo de Jesus.

E essas histórias se multiplicam pelas esquinas, sobrados mal-acabados e bocas-de-fumo. Por isso, e por outras tantas razões, eu detesto Santandré. E quando eu digo isso, mais do que sobrevivente, me sinto fugitiva: saí de lá às pressas e deixei o mundo continuar queimando em pólvora. Hoje, dona que sou das minhas gaiatices, emprego bom, cultura encapada e conhecimentos inúteis, velo solenemente mais esse corpo da minha história que cai e se esvai aos vinte e não muitos anos.

Deus está morto…e o Gu tb.

Escrito pela Gio, no sempre bacana Verbo e Devaneio

Não tenha pressa, mas não perca tempo

(atribuído a ) José Saramago

Boa semana, pessoas.

Helê

Estrelas do nosso firmamento

e não podemos deixar de registrar o orgulho maior da nação com a estréia glamurosa do programa mothern, no gnt. foi lindo, meninas! quando acabou eu ainda queria muito mais. e nós três, nós, as bloggetes ensandecidas, que nos formamos lá, nos primórdios mais obscuros do lv, no tempo que o que impregnava as motherns eram coisas muito mais complexas do que um cocô amarelo de criança, nós aqui estamos em posição genuflexória, rendendo preces às musas maiores, estrelas do nosso firmamento. longa vida ao vosso glorioso talento. amém.
…Flá

Eu até ia comentar alguma coisa, mas ela disse tudo.

-Monix-

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