Gracinhas

Vamos combinar que se sair bem na Marília Gabriela é uma coisa; na Hebe é outra muito mais difícil. E elas saíram-se bem naquele sofá que é tudo – espetáculo, diversão, show – menos entrevista. A Hebe é uma gracinha, mas tem DDA em estágio avançado, fala de uma coisa e depois emenda em outra, sacaneia o gordinho na platéia e depois termina sempre sorrindo e achando tudo uma graça. Ela fez perguntas pertinentes, como por exemplo se as motherns acham adequado que as grávidas mostrem a barriga, como fez pioneiramente a Leila. Ela, Hebe, não gosta, afinal barriga é coisa íntima (!). Ah, também perguntou que castigo merecem as mães que esquecem o filho no carro e vão fazer compras no shopping – ao que a Ju respondeu, livrando-se elegantemente da saia justa e da falta de noção, que o fato em si já é castigo suficiente (ufa!). Mas em meio a tudo isso – às jóias e ao decote inacreditável e desnecessário da Hebe, entre o grupo revelação e a Dionne Warwick -, as duas conseguiram falar do livro e do blog; a Ju, didática e acertadamente, explicando o que é um; da importância do livro de visitas como fórum de discussão. Fizeram até a própria Hebe falar de um perrengue materno e usá-lo como exemplo da dureza dos primeiros tempos, pra toda e qualquer mãe. Acho que a Hebe não entendeu do que se tratava, mas as meninas saíram-se muito bem, com louvor.

Helê

Sobre violência

Trilha sonora do post no Dufas Dial: ouça e leia.

Hoje há mais uma postagem coletiva, sobre a qual eu pensei muito antes de participar. Porque, vocês sabem, meu movimento preferido é o ”Chega de basta!”. E eu não me interesso em discutir violência urbana sob o ponto de vista da (minha) classe média. Nem tenho a ousadia de dizer que é errado ou inadequado, não, apenas não me interessa.

Por isso eu só consegui pensar nesse texto, que li há mais de um mês e do qual não me esqueci. Porque qualquer um que já viveu minimamente perto da periferia, de qualquer periferia, vai se identificar com ele:

Enquanto eu olho a paisagem imensa e linda da zona sul do Rio de Janeiro, a Deni, minha vizinha de Santandré, aguarda a chegada do corpo do filho, o Gu, morto essa noite numa viela do bairro. Deni tem mais três filhos: Daniel, o mais velho, está preso, Willian, o segundo, também está preso e Edinho, o caçula, sobrevive em meio às farpas do cotidiano da periferia.

Na rua onde me criei todo mundo morreu, tá preso, casou por desespero ou virou evangélico, e todas essas pessoas fazem parte da minha história. O Kleber, meu primeiro amor adolescente, morreu numa escadaria. Filho único, deixou uma mãe linda e desesperada que acaba seus dias na ingreja evangélica do bairro, onde enterrou a juventude e qualquer ousadia dos seus muitos decotes bem definidos. Na morte do Kleber, ela morreu no dia-a-dia.

Daniel, irmão do Gu, é lindo, olhos quase verdes. Dizem que é um assassino frio, mas na nossa infância era só o guri cobiçado, o rapaz das brincadeiras. Willian, tb da família do peixeiro (o marido da Deni é peixeiro) sempre foi arredio, sarcástico. Matou um policial e vai mofar no presídio. Edinho é muito mais novo do que eu, mas já passeia por aí com seus piás. A Deni é da igreja da mãe do Kleber mas, como se vê, Deus não deu muita bola pra essa união familiar.

Denise, minha melhor amiga na infância e adolescência, casou com o Wilson, meu ex-cunhado. Faz quase dois anos que não os vejo, mas torço para que eles tenham optado por algo mais sadio do que viver o futuro preparado, encaixotado. Wend, meu namorado durante 6 anos (irmão do Wilson), casou-se, mora na Praia Grande, tem 3 filhos lindos e, me parece, uma bela carreira na Igreja do Evangelho Quadrangular. Sim, rapazes e moçoilas, meu ex-amor (pq eu amei o Wend) está estudando pra ser pastor e, conhecendo bem sua capacidade argumentativa e seu raciocínio brilhante, será próspero e galgará todos os degraus hierárquicos do mundo de Jesus.

E essas histórias se multiplicam pelas esquinas, sobrados mal-acabados e bocas-de-fumo. Por isso, e por outras tantas razões, eu detesto Santandré. E quando eu digo isso, mais do que sobrevivente, me sinto fugitiva: saí de lá às pressas e deixei o mundo continuar queimando em pólvora. Hoje, dona que sou das minhas gaiatices, emprego bom, cultura encapada e conhecimentos inúteis, velo solenemente mais esse corpo da minha história que cai e se esvai aos vinte e não muitos anos.

Deus está morto…e o Gu tb.

Escrito pela Gio, no sempre bacana Verbo e Devaneio

Não tenha pressa, mas não perca tempo

(atribuído a ) José Saramago

Boa semana, pessoas.

Helê

Estrelas do nosso firmamento

e não podemos deixar de registrar o orgulho maior da nação com a estréia glamurosa do programa mothern, no gnt. foi lindo, meninas! quando acabou eu ainda queria muito mais. e nós três, nós, as bloggetes ensandecidas, que nos formamos lá, nos primórdios mais obscuros do lv, no tempo que o que impregnava as motherns eram coisas muito mais complexas do que um cocô amarelo de criança, nós aqui estamos em posição genuflexória, rendendo preces às musas maiores, estrelas do nosso firmamento. longa vida ao vosso glorioso talento. amém.
…Flá

Eu até ia comentar alguma coisa, mas ela disse tudo.

-Monix-

Levanta e sacode a poeira

Ali onde eu chorei, qualquer um chorava. Dar a volta por cima que eu dei, quero ver quem dava.

Hoje é sexta-feira. Dia de sacudir a poeira. Antes, vale a pena dar uma passadinha no Dufas Dial pra esquentar os tamborins.

Fridas

No intuito de desmoralizar a candidatura do Lula, ridicularizando os programas “assistencialistas” do governo, como o Bolsa-família, a revista ilustra a capa com a imagem de uma mulher jovem, negra, nordestina e pobre. Segundo a matéria é esse o perfil do eleitor que vai decidir a eleição. Ora, num país onde mais da metade da população vive na pobreza e onde os níveis de desigualdade entre ricos e pobres ultrapassa os índices de muitos países africanos, a eleição deve ser decidida sim por pessoas como a moça da capa. (…) O fato que sejam estas pessoas que decidam a eleição é um motivo de grande orgulho para qualquer presidente que eleito for.

Só hoje descobri a Anânima. Antes tarde que mais tarde.

-Monix-

Eu tô aqui. Mas não queria estar, porque tô com uma TPM tão braba que nem eu tô me aguentando.
Talvez daqui a pouco eu não esteja. Tô a dois minutos de pegar a minha bolsa e ir embora.

Helêmica

Filhote da ditadura

Lembro da campanha do Sujismundo; do medo que eu tinha do meu tio hippie e cabeludo; da PE patrulhando as ruas; do Figueiredo dizendo ao Alexandre Garcia que prefere o cheiro dos cavalos; da Semana do Presidente nos intervalos do Sílvio Santos; do certificado de censura assinado pela Solange Hernadez; do disco do Chico que incluía Tanto Mar sem letra; da Lei Falcão e as “ameaças à segurança nacional”; das paradas do 7 de Setembro; das bandeirinhas verdeamarelas e da vergonha de ser patriota; do esquadrão da morte e do Mão Branca; da inflação batendo os 100% ao ano pela primeira vez na história do Brasil; do Golbery e do Delfim Netto; do maiô-cortininha que as grávidas usavam antea da Leila Diniz; do Pinochet e do Stroessner; de um tempo em que ninguém podia ir a Cuba, em que o Globo era do mal e o JB era do bem; dos meus tios comunistas cantando “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, chamando os filhos para irem embora da casa do meu avô, que era da direita católica; das primeiras eleições para governador (“Nem Miro nem Sandra, e pra ser Franco, nem Moreira. PT Saudações, voto em Brizola”, era isso que diziam); da volta do Gabeira, de tanga de crochê em Ipanema; da campanha pelas Diretas e da emenda Dante de Oliveira, rejeitada no dia do meu aniversário; do julgamento do Doca Street; das pichações nonsense LERFAMÚ e Celacanto Provoca Maremoto; das pessoas que diziam “golpe” e das pessoas que diziam “revolução”; da proibição dos grêmios escolares, que eu só soube que existiam quando avisaram que estavam liberados; do Renato Russo e os filhos da revolução; da minha amiga que tinha “pai desaparecido”; da Casseta e do Planeta, que eram turmas diferentes (as duas tinham graça).

Lembro de tudo isso. Esse post foi escrito de memória, sem consulta ao Google, a livros, a jornais, após assistir Zuzu Angelno cinema, que, by the way, adorei. Confesso que vivi.

-Monix-

Mangueira 2007

Pode não dar em campeonato porque entre o enredo e o desfile propriamente, muita água rola embaixo da ponte. E como diz o sábio Gérson, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Mas vejam se não é belo e promissor o enredo da Manga pro ano que vem:

Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor.
Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor.

Eu a-m-e-i.

Helê

Filhas Corujas

Dá licença da gente babar um pouquinho – não as nossas crias mas as nossas mentoras?

Ontem na Gabi elas foram charmosas, inteligentes e sedutoras (as usual), falando sobre o Mothern, as motherns e as aventuras da mathernidade. Uma delícia.

Reprises da entrevista no GNT:
Ter 15/08 22:30h
Qua 16/08 04:00h
Qua 16/08 15:00h
Qui 17/08 10:00h
Sáb 19/08 10:30h

Duas Fridas
Atualizando: fotos tiradas pelo Du, fathern e maridón da Naty.

11:15 PM

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