Releituras

Acho que tudo começou com a canção ‘For once in my life’, que fez parte da trilha sonora de novela ‘O astro’ – no século passado, período paleozóico da minha existência. Era uma versão lenta e tristonha do Freddie Cole, mas que eu gostava. Às vezes eu ouvia no rádio certa canção do Stevie Wonder alegre, daquelas boas de cantarolar junto, mesmo em embromation – que é o inglês com sotaque brasileiro. Só algum tempo depois, de posse de noções preliminares do inglês, é que percebi que se tratava da mesma música.

Depois foi ‘Your song’, que eu acho que conheci primeiro com Billy Paul naquela gravação dançante que vai num crescendo até você afastar o sofá e dançar com as crianças e o cachorro no meio da sala. A pessoa aqui, amante de música porém lesada e com um listening sofrível, levou mais algum tempo pra sacar que essa era a mesma canção terna, comovente e comovida que o Elton John cantava, na qual dizia numa sinceridade desconcertante não saber se os olhos de seu amor eram verdes ou azuis, mas que aquela era a sua canção.

Hoje, com a facilidade do mp3, da banda larga e do E-mule (salve, salve!) eu adquiri o hábito de procurar e colecionar versões de músicas que gosto. Talvez tenha contribuído para isso eu ter ouvido, também na infância, uma observação de meu pai (de quem herdei o amor pela música): que as grandes canções são regravadas muitas vezes, durante muito tempo, porque não envelhecem. E é fascinante perceber como a mesma letra pode ser interpretada de maneiras tão diferente, mexendo com outros sentimentos, despertando diferentes emoções.

Então começa aqui a série Releituras (na falta de nome melhor, sugestões serão bem-vindas), com as canções citadas. ‘For once in my life’, escrita por Ron Miller e Orlando Murden, aparece também na versão da ‘Voz‘, o velho e bom Frank Sinatra, que empresta à música sofisticação e glamour. ‘Your song’, segundo informa o Songfacts, foi escrita por Bernie Taupin em 1967, quando ele tinha míseros 17 anos (!), durante o café da manhã; Elton John levou cerca de 20 minutos para musicá-la. Lendas como essas dão um sabor especial a esses saborosos quitutes musicais.

Helê

PS: Por outro lado, eu acho uma perda de tempo (pra dizer o mínimo) quem regrava uma música da mesma maneira que o original, como fez, por exemplo, a insuportável Mariah Carey há pouco anos, cantando ‘Against all odds’, exatamente como Phil Collins, mesmo arranjo, apenas com mais uma meia dúzia de seus gritinhos irritantes. Humpf!

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