Mãe é coisa séria

Janeiro 24, 2007

Outro dia me chamaram a atenção para um novo clichê que se cria em Hollywood (aliás, a fábrica internacional de clichês mais eficiente que se tem notícia em todos os tempos). Trata-se da mãe divorciada que se casa novamente. Em um número bastante significativo de filmes e seriados de TV, a mãe divorciada que se casa novamente está agora se relacionando com um homem muito bacana, que “cuida bem” dela e do filho, é trabalhador, geralmente bem sucedido, mas convenhamos, é um chato de galochas. Todo carinhoso e responsável, mas inofensivo. Como já dizia o filósofo Oswaldo Montenegro, todo chato é bonzinho.

Por outro lado, o pai da criança costuma ser um cara meio desorganizado, desregrado, mas ao mesmo tempo divertido, muito bem intencionado e super afetuoso tanto com o filho quanto com a ex-mulher.

O pior é que é verdade: no momento em que me dei conta da existência desse estereótipo, ele me pareceu altamente familiar. Comecei a imaginar os motivos de se estruturar a nova família americana, o novo american way of life, de maneira tão peculiar. Porque, se a gente pensar bem, o nosso pré-conceito, até pouco tempo atrás, era o oposto: quando um casal se separa, a expectativa da sociedade é que o homem estará casado, ou pelo menos namorando, em menos de 15 segundos, se não antes, e a mulher, coitada, ainda mais com um filho a tiracolo, irá amargar anos de solidão e solteirice, porque, afinal, “homem hoje em dia não está fácil, minha filha”, como diz uma tia solteirona imaginária (ou real) de (quase) todo mundo.

Aí depois de uns dias pensando e conversando com algumas amigas, finalmente entendi.
É que ao mesmo tempo em que o cinema não pode deixar de refletir a nova realidade de famílias multiparentais, o moralismo hollywoodiano tinha que encontrar uma solução para manter as mães sob controle. Apresentar as mães divorciadas refazendo suas vidas com homens totalmente desprovidos de graça, charme, apelo erótico, sei lá, sex appeal, é a maneira mais segura de garantir que não existe vida sexual após o sagrado matromônio. As mães podem até ter direito a um novo marido, mas beijo na boca y otras cositas más? Nem pensar.

***

Alguns filmes que ajudaram a criar e reforçar o clichê, em suas diferentes formas e apresentações (listados em ordem aleatória): Uma Babá Quase PerfeitaO MentirosoDe Volta Para CasaDo Que As Mulheres GostamTudo ou NadaObrigado Por FumarGuerra dos MundosEu Você e Todos NósFrankie e JohnnyMeu Papai É NoelTempo de Recomeçar, a série de TV Two and a Half Men e até uma propaganda de carros brasileira não muito recente. Alguém lembra de mais? São infindáveis exemplos.

Ajudaram a organizar minhas idéias a Silvia e a Mani.
Lembraram os nomes dos filmes a Vera, a Maria João, a Silvia, a Fal, a Flávia, o Nuno, a Luísa, a Mani, a Tati e a Dedéia.

-Monix-

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