Cleptopost

Fevereiro 28, 2007

 

Olha que bacana isso que a Cláudia escreveu:

axé
[Do ior.] Bras. / Substantivo masculino.
1.Rel. Entre os iorubas, o poder vital, a força, a energia de cada ser e de cada coisa.
(…)
Interjeição:
4.Expressa votos de felicidade.
5.Queira Deus; que assim seja.

Alguma coisa sempre começa depois de algum carnaval. Um projeto, uma conta, uma tese, um estudo, uma paixão, um amor, um ciclo. Por isso e somente por isso, quando o carnaval vai embora na suave cadência do samba, o ano coloca o pé no mundo; às vezes, os dois. Com o (pé) direito, ele ensaia as matizes do que pretende ser e aquela lista de intenções [parar de fumar, emagrecer, comprar consumir um desejo] só começa a valer aqui e agora com os tamborins ao longe e o batuque muito perto. Agora é chegada a hora de parir o ano gingando, com arrasta-pé, ziriguidum, jogando capoeira, as cascas pra lá, sacudindo a pasmaceira.

Simbora pegar o pandeiro que agora é que o samba começa.
Simbora que a vida promete até pra quem nunca tropeça.

 

Então, axé pra você, pra mim, pra quem mais vier.

Parafraseando a Fal, axé nós tudim!

*
(…)
Acha o irmão babaca.
Se interessa por fotos de mulheres peladas.
Pede pra ficar em casa sozinho.
Me acha velha aos trinta e um.
Está apaixonado novamente por uma gorota.

 

É isso. Estou com um adolescente de sete anos em casa.

Post da Manu no recém-descoberto por mim “Mãe é nóia“.

*
Eu achei tão maravilhosa quando vi na casa da Beth que não resisti:

Helê

À segunda vista

Fevereiro 27, 2007


Não sei se acontece com vocês: às vezes ouço uma canção já conhecida inserida num filme, série ou seriado e, a partir de então, começo a gostar muito. Nem precisa ser uma regravação ou releitura, pode ser mesmo o original velho de guerra que, ao ser usado como tempero de uma boa história ou cena, ganha novo sabor. Três exemplos:


You’ve got it, Bonnie Raitt. Essa faz parte de uma certo inconsciente coletivo musical – aquelas músicas que todo mundo já ouviu uma vez na vida, embora não saiba ao certo a letra ou o nome de quem canta. Pra mim era isso, até assistir ‘Somente elas’ (Boys on the side), um road-movie-mulherzinha bem bacana.

Call me, Cris Montez. Sempre achei chatiiinha à beça. Ganhava alguma graça na voz do Frank Sinatra, mas aí não vale que ele enobrece até Boi da cara preta. Até que assisti uns capítulos (nem foi a minissérie toda) de ‘Anos Rebeldes’, em que a Cláudia Abreu interpretava uma Heloísa inesquecível que morria ao som da canção. Passei a adorar – e sempre que revejo a cena os olhos mareiam…

Twist and shout. É claro que Beatles são Beatles eticeteraetal. Mas eu sou de uma geração que nasceu quando os caras já tinham subido no telhado, literalmente. Então a gente foi conhecendo assim aos pedaços, um bocado aqui e outro ali, não ficou esperando o disco novo sair, sabe como? E pra gente essa música é a cena do Matthew Broderick em ‘Curtindo a vida adoidado’. Lembra?

E você, lembra de alguma canção que um dia passou na sua frente diferente e te arrebatou?

Helê

Fevereiro 27, 2007


Assunto: Respirem aliviados: não é o Rio (ou SP)!

Foi feito por um sociólogo o mapa da violência do país e foi constatado que os municípios longe das zonas metropolitanas são os mais violentos. A maior parte dos municípios mais violentos está no Mato Grosso, em áreas em que o poder público não existe. (Tem que ser assinante UOL para ouvir).Ouçam.
Bjs
Let

Recebi por e-mail, dela. Relevem o sotaque e escutem, as conclusões são muito interessantes.

-Monix-

E o Oscar vai para…

Fevereiro 27, 2007

Eu já falei que adoro Oscar, né? Mas quero registrar que a cerimônia desse ano foi uma das melhores de que tenho lembrança. A Ellen Degeneres estava ótima. Descontraiu o clima indo conversar com as celebridades da platéia, se fazendo de fã, bagunçando aquela coisa toda arrumadinha da cerimônia, que, afinal, é de gala. A premiação também me agradou. Eu tinha meus preferidos, como vocês devem lembrar. Não acertei quase nada, só cravei as barbadas: Alan Arkin e Helen Mirren. E A Verdade Inconveniente, claro. Mas esse praticamente concorreu sozinho. Aliás, uma das coisas que mais gostei na festa do Oscar foi a participação de Mr. Gore, que foi, indiscutivelmente, a estrela da noite. Aplaudidíssimo, super político e ao mesmo tempo totalmente à vontade. Acho que quem assistiu presenciou o nascimento de um novo ídolo mundial. Isso é que é dar a volta por cima.
Sobre os figurinos e fofocas de bastidores, a Denise e a Fal falaram melhor que ninguém, e em tempo real, então nem me atrevo, porque notícia velha só serve para embrulhar peixe na feira, como aprendemos na faculdade de Jornalismo (se bem que hoje em dia esses peixes são mais metafóricos que reais, mas enfim). Quem perdeu e se arrependeu, pode dar uma olhada no site oficial do Oscar: na página inicial tem um clipe com os melhores momentos, são só cinco minutinhos e o melhor da festa, incluindo duas performances do Pilobolus, o grupo de dança contemporânea que deu um toque bem moderninho à cerimônia.

-Monix-

Fevereiro 26, 2007

Fevereiro 26, 2007

O Ricardo Boechat matou a pau hoje no programa de rádio (na Band News, de manhã), dizendo mais ou menos o seguinte: as pessoas deviam canalizar essa energia toda do debate sobre maioridade penal (energia mais ou menos, porque a discussão é toda via internet) para exigir a melhoria das condições das escolas públicas. Podia até ser que as coisas começassem a mudar.

-Monix-

Fevereiro 23, 2007

Fevereiro 23, 2007

E se o menino se chamasse Wesleysson, morasse no Complexo do Alemão, o carro fosse um Corcel velho sem licenciamento no Detran, a mãe fosse empregada doméstica e o pai desconhecido? Alguém ia reclamar? Alguém ia sequer notar?

Li em dois blogues de moços que respeito críticas indiretas e muito gentis a nossa omissão em relação ao assunto do momento, a morte do menino no assalto brutal.

É verdade, eu não estava mesmo querendo falar sobre isso.

Em primeiro lugar, porque, como mãe, é tão absurdo imaginar o que aconteceu que realmente prefiro nem tocar no assunto para não lembrar. Esse é o motivo egoísta, alienado, chamem como quiserem.

O outro motivo é menos emocional e mais intelectual, se é que posso chamar assim. É que eu acho tão cafona, tão ingênuo, tão inútil essa indignação a cada evento violento. É tão classe média, no mau sentido, fazer passeatas vestindo branco ou preto, bater palma pro avião com a faixa que passa na praia, colar cartazes pedindo alguma coisa que ninguém sabe bem o quê.

O problema da violência no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, é tão complexo, envolve tantas variáveis, que uma passeata a mais não vai fazer a menor diferença. E eu sinceramente (com todo o respeito a quem se comoveu genuinamente) acho meio perigosa essa sensação de que “pelo menos estamos fazendo alguma coisa”. Eu acho que não estamos fazendo nada. Ou pior: estamos mais uma vez nos indignando com algo que nos atingiu no que temos de mais pequeno-burgueses, reclamando (com razão, é verdade) porque nossa vida de privilégios num país de Terceiro Mundo foi afetada, nossa bolha mais uma vez se rompeu, antes de se formar novamente.

No dia que for convocada uma passeata que reúna na praia de Ipanema não só os moradores do asfalto, mas também o pessoal do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho, podem contar comigo. No dia em que depois da passeata for promovida uma reunião entre as associações de moradores da Zona Sul e os representantes das favelas, eu posso me despir da minha descrença. No dia em que os moradores dos morros forem considerados cidadãos, eu visto branco, preto ou a cor que quiserem.

Enquanto houver cidadãos de primeira classe, com direito a tudo, inclusive à indignação, e não-cidadãos de segunda categoria, que ficam de fora tanto das festas quanto dos protestos, me desculpem, mas eu não vejo sentido nem em começar a falar sobre o assunto. Por isso acabo me calando. Porque fico aqui achando que deve haver muita gente do “outro lado” da nossa sociedade indignada com a barbárie. E com muito mais razão que nós, aliás. Mas eles não podem fazer passeata, senão nós vamos pensar que é arrastão.

-Monix-

Helê, acabei atrapalhando um pouco o seu clima de carnaval, mas o Dufas é isso aí. Aliás, o Rio de Janeiro é isso aí.

Confetes & Serpentinas

Fevereiro 22, 2007

Sou uma espécie de foliã aleatória: alguns anos eu curto muito carnaval, em outros quero distância. Curioso é que, nas duas circunstâncias, a mesma emoção me fascina: a alegria infundada que move os foliões. A mesma que eu senti pulando à passagem do Cordão do Bola Preta, carregando minha filha no colo, um calor miserável e mais gente em volta do que eu precisava. Essa mesma alegria, que à distância me parece inexplicável, foi genuína e intensa no sábado pela manhã, no Centro do Rio de Janeiro.

*
Alegria infundada sim, porque tudo continua rigorosamente como antes da folia, problemas inclusive; as dores particulares e as coletivas. Há, claro, a delícia de encontrar amigos, viver fantasias, beber todas e beijar muito, mas falo de outra espécie de alegria, que vem do Reino do Insondável, surge repentina e esfuziante, some mansa e misteriosa.

*
Cena mais repetida: alguém berrando no celular: ”Cê tá aonde??!!

*
O carnaval mais animado dos Carvalho Costa nos últimos anos: Bola Preta, Banda do Largo da Segunda-feira; Volta, Alice; Bagunça o Meu Coreto e Bloco da Ansiedade. Com direito à praia no domingo o dia inteiro. E a tradicional Feijoada da Cristina na segunda. E terminar a terça-feira jantando no Lamas – tudo com filhote a tiracolo. Tá bom pra você? Nós adoramos.

*
Aliás, Juju foi um capítulo à parte neste carnaval. Com sua fantasia três-em-um – princesa, bailarina e fada – foi guerreira, esteve conosco em todos os programas e no último dia saiu conosco ao meio-dia e voltou à meia-noite. Claro que teve uma manha aqui outra aqui, mas, no geral, foi exemplar. Descobrimos que ela é recarregável feito pilha. Às vezes falha, mas aí toma um sorvete, joga um confete e pronto, tá inteira de novo, sambando no meio do bloco.

*
Talvez por tudo isso eu não tenha dado muito atenção ao desfile. Vi a Mangueira, uma coisa ou outra e nada mais. Rua 10 X tevê 0.

*
Chistes carnavalescos:
– Numa camisa: Vou beber até cair. Depois continuo bebendo deitado.
– Outra camisa: Fuderj
– No Cordão do Boitatá alguém pregava: ”Amar ao outro sobre todas as coisas. Sobre a mesa, sobre o chão, sobre o carro, sobre o sofá…
– Nomes de bloco: ”Grêmio Recreativo Comunitário Se me der, eu como”; ”Largo do Machado mas não largo do copo”.

*
No domingo fui à praia do Grumari. Lotada. Mas a praia em si permanece quase igual à da minha infância: selvagem, sem edificações, mar de um lado, mata atlântica de outro, um pa-ra-í-so.

*
Aliás, cariocas, lembram daquele papo: Bom no carnaval é ficar no Rio, porque todo mundo viaja e a cidade fica vazia? Cabô, gente.

*
Aconteceu repetidas vezes: bloco, tumulto, gentes muitas, alguém pára pra brincar com a Ju. Depois se despede, desculpando a brincadeira e desejando, de coração, ”Bom carnaval”. Ou brinca com alguém do grupo e despede-se de todos, desejando bom carnaval. Eu não vi uma única briga ou confusão e só encontrei gente a fim de brincar. Só pra registrar.

*
Não, eu não saí de japonesa. No primeiro de estola, lá no Bola Preta, a biba olha pra mim solta: Noooosa, arrrrasô no boá vermelho!!!. Era tudo que eu precisava, reconhecimento público. Então encarnei de vez minha fantasia de Chacrete do INSS – aposentada, mas com glamour. No último dia, pra variar, fiz uma escova progressista. Procurem na Caras ou no Dufas.

*
Pra tudo se acabar na quarta-feira, no Maraca, assistindo a vitória do Mengão com os amigos rubro-negros. Maravilha.

Helê
23/02, 00:16 Atualização: Agora com fotas. Comenta, vai!

%d bloggers like this: