Diário de uma bipolar: Selo Dufas de Qualidade

Domingo, Fevereiro 04, 2007

Quando comecei a ler ‘Eu não sou uma só’ logo entendi porque mi Sócia leu o livro em questã de horas: é gostoso de ler, envolvente e até divertido, por mais estranho que isso possa parecer de um livro sobre esse tema. É que a Marina escreve muito bem, como a gente já sabe, e o texto do livro mantém aquela respiração, única, pessoal e intransferível (como bem definiu o Idelber).

Uma das coisas que achei mais bacana foi uma certa desmistificação da loucura como sinônimo de genialidade, coisa que sempre me incomodou. Ao levantar a hipótese de que alguns bipolares se não o fossem seriam ainda mais criativos, Marina W. balança um mito antigo e caro pra muita gente que romanticamente, bestamente, acha que o talento pode justificar ou compensar uma doença mental.

Marina conseguiu a proeza de escrever um livro leve (e sério) sobre um assunto grave, pesado. Um livro que fala de um transtorno – vejam bem o nome -, que discorre muito sobre depressão e deprimidos e, no entanto, não te coloca pra baixo em nenhum momento. Muito pelo contrário: enquanto concluia a leitura eu pensava no Vinícius cantando:

É melhor ser alegre que ser triste
alegria é a melhor coisa que existe
ela é como uma luz no coração
mas pra fazer samba com beleza
é preciso um bocado de tristeza
senão não se faz um samba não

(Samba da Benção)

E como sói acontecer na Rádio Cabeça, uma música puxou outra e eu criei a playlist Pra Marina W., como homenagem e agradecimento pelo relato, pela coragem e generosidade – sem as quais ninguém revela tanto de si.

Helê

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