Palavras, palavras

Sábado, Fevereiro 10, 2007

Inevitável: todas as vezes que leio num adesivo Deus é fiel, geralmente no traseira de um carro, completo mentalmente: E a Gaviões também!
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Sempre confundi ‘loja de conveniência’ com ‘casa de tolerância’; na hora de falar uma coisa saía a outra, mas não entendia por quê. Até que uma amigo descobriu a associação inconsciente: ambas funcionam 24 horas.
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Logo eu, que gosto tanto de música e amo as palavras, em geral detesto músicas com esse título, como uma do Chico, irritante, ou uma da Cássia em que ela repete ad infinitum. Sobra uma da Bethânia, que é mais uma vinheta. Que coisa, heim?
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Há um rol de palavras que eu ouvia quando criança e achava que eram inventadas pela minha mãe. Até hoje quando ouço soa muito estranho, como se desvendassem um código restrito. Dá inclusive um certo ciúme, mas também aconchego, porque é como se me pertencessem – ou pelo menos à minha família. Coisas como: ziquizira, sumidade, revertério, perrengue ou pegapracapá (que pra mim só faz sentido assim, tudo junto).
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Ah, o poder das palavras. Se tem algo com o que eu não me identifico – e cada vez mais deliberadamente me afasto – é do catolicismo e da igreja católica. Tudo pra mim soa a repressão e enfado; as missas parecem intermináveis. Mas quase sempre me emociona ouvir esse trecho, que pra mim são as palavras da humildade e da fé diante do poder incompreensível do Sagrado: ‘Senhor eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo‘. Acho lindo. E rezo, de coração

Helê

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