Dia Internacional da Mulher

Março 08, 2007



Quando meu filho nasceu, o pai dele tirou férias para ficar perto do bebê recém-nascido, ajudar a cuidar, conhecer essa pessoa nova tão importante para ele. Foi ótimo para todos nós. A mesma coisa fizeram quase todos os meus amigos, quando foram pais. Muitos deles diziam: devia existir uma licença-paternidade, não é justo com os homens. E eu me lembro de sempre responder: infelizmente, acho que isso não funcionaria bem. Não no Brasil.
É que, claro, a gente olha para a nossa realidade, classe média urbana, todo mundo muito bem preparado, equilibrado emocionalmente, estável financeiramente, coisas que por aqui são praticamente uma realidade de contos de fadas.
Pelos critérios oficiais do nosso país (dados do IBGE), a babá do meu filho é classe média. Além disso, não podemos esquecer que vivemos num país latino-americano, e, ainda, dominado pela cultura machista. Eu fico com a impressão de que a existência da licença-paternidade ia fazer as mulheres pedirem pelamoredediós que os pais das crianças voltassem ao trabalho o mais rápido possível. Imagino o sujeito pensando: beleza, um mês recebendo sem trabalhar. Exigindo comida a tempo e a hora e roupa lavada. Dobrando ou triplicando a quantidade de tarefas domésticas. Passando o dia no bar com os amigos. Chegando em casa bêbado. Batendo na mulher e nos filhos, quem sabe?
O Dia Internacional da Mulher existe é para a gente pensar nessas coisas. Tentar encontrar soluções para as desigualdades de gênero, que, ifelizmente, ainda são muitas. O Dia da Mulher é “comemorado” hoje para lembrar 129 trabalhadoras de uma indústria têxtil que, em 8 de março de 1857, foram queimadas vivas pela polícia durante um protesto por melhores condições de trabalho. A ONU encampou a data, com o objetivo de reforçar a luta de mulheres do mundo todo pela igualdade de direitos e a eliminação da violência doméstica, entre outras lutas importantes. Se a gente reduz esse dia a uma simples homenagem, a um parabéns mecânico recebido dos colegas de trabalho, a rosas entregues de brinde na saída das lojas e restaurantes, a mais e mais propaganda explorando uma data que nem é comercial (pelo menos não ainda), a gente a esvazia completamente de sentido. E o pior: os homens, com toda a razão, começam a se perguntar, e a nós também, o porquê de não haver um “Dia Internacional do Homem”. Se é apenas uma festa, eles realmente deveriam ter sido convidados.
Vamos nos lembrar do que é que se trata o dia de hoje. Vamos chamar os homens bacanas que a gente conhece para comemorar com a gente as muitas conquistas, que, temos que reconhecer, foram alcançadas nas últimas décadas. vamos compartilhar com eles nossa angústia pelo tanto que ainda falta ser feito por todos nós, como sociedade, e não só pelas mulheres ativistas ou pelas ONGs e governos. Porque, parafraseando o poeta dos belos olhos, ao lado de uma grande mulher há sempre “mil homens homens, sempre tão gentis…”
😉

-Monix-

Update: o outro lado da moeda está aqui.

8 Março, 2007

Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo!

Helê, flamengista graças a Deus!

12:26 AM

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