5 coisas para fazer no Rio – Parte 1

Segunda-feira, Abril 30, 2007

Fomos convidas pelo Ian Black para indicar cinco coisas para fazer no Rio, já há algum tempo, mas a semana passada foi agitada aqui, vocês viram. E como eu me empolguei e escrevi demais, e La Outra anda ocupadíssima, seguem as minhas dicas primeiro.

Monix evitou o clichê Rio-natureza; eu fugi do padrão Rio-zona-sul-manoel-carlos. Mas o que nos guiou mesmo, as duas, foram os programas que a gente realmente gosta e faz (ou fará em breve). O que dá um charme todo especial a cada um deles, porque você pode, numa caminhada ou balada, de bônus, esbarrar com uma Frida por aí. Quer dizer, por aqui 😉

Frida Helê: Rio, de rabo a cabo

Vá à Praia de Grumari: inacreditável, mas é uma praia quase selvagem no Rio de Janeiro. A disposição espacial é a seguinte: montanha com mata atlântica original, pista única de mão dupla, areia com alguma vegetação e mar. Assim mesmo, sem prédio, casa, restaurante, quiosque, ciclovia, nada. Vá durante a semana e você terá a certeza de ter encontrado o paraíso, ou quase. Hoje em dia já há ambulantes, mas quiosques são dois ou três na praia inteira. Convém providenciar o isopor e o farofão básico. Como fica no finalzinho do Rio, só o caminho já é um passeio, porque indo da zona sul você cruza toda a orla; da Tijuca e zona norte, pega pelo menos a Barra, o Recreio e a Prainha; indo pela zona oeste passa por largas extensões de verde.

– Saindo do Grumari, vá almoçar na Tia Penha, em Pedra de Guaratiba. Assim: você sai da praia e sobe uma pequena serra. No topo dela tem um restaurante que eu não sei o nome, mas não tem importância, a comida era fraca: o que importa é a vista. Pede uma caipirinha pra abrir o apetite e apreciar o fim do Rio de Janeiro, a Restinga da Marambaia – aquela tripinha fina do mapa. Depois ande um pouquinho, pro lado oposto, e veja, do alto, toda a orla de Grumari à Barra, até onde a vista alcançar. Aí sim, você desce e vai à Tia Penha. Cuidado, há várias tias por lá, de parentesco duvidoso. Não aceite imitações. O restaurante é rústico, pra usar uma palavra bacana pra tosco, tipo chão de terra batida e sem ar condicionado. Mas a comida… É boa e farta, como deve ser. E a cerveja é de garrafa. E você conclui, afinal, que a vida vale a pena. Se quiser, volte pela Estrada do Pontal, uma serra que liga Campo Grande à Vargem Grande (tudo é grande nesta parte da cidade!), e visite o Museu do Pontal. Esse eu ainda não fui, mas parece que tem um acervo de arte popular excelente.

– Assistir a um clássico no Maracanã, ou pelo menos a um jogo de um grande time. Se você, claro, gosta de futebol, porque o cidadão que vai só pra cumprir tabela e dizer que foi, obviamente não vai achar a menor graça e ainda via sair falando mal, a anta. Mas se é a sua praia, vá, porque é como qualquer grande estádio, um espetáculo. Sendo que o Maraca tem história. Sabe quando você está num lugar que você sente que é histórico? Não é porque te disseram ou porque está nos livros. Você respira a história olhando praquelas pilastras, admirando o campo, acompanhando o placar, observando as arquibancadas. Ainda não fiz, mas farei em breve a visita guiada, que leva ao Museu do Futebol e chega até a beira do gramado – onde pretendo me benzer, é claro.

– Estando ali, peque a avenida Maracanã em direção ao Alto da Boa Vista para ir ao Parque Nacional da Tijuca. O Parque compreende a Floresta da Tijuca, o Corcovado, a estrada das Paineiras, o Parque Lage, Pedra da Gávea e Pedra Bonita (!), além dos morros da Covanca e dos Pretos Forros (descobri pesquisando pra esse post). Bom, claro está que só o Parque tem umas dez opções de programa, aquilo é um complexo de lazer, verdadeiro playground de parte dos cariocas, pelo menos. Pode-se fazer desde trilhas radicais até comer aquela feijoada sossega-leão (que você come e dorme). Ou seja, desde o melhor estilo natureba light até a comilança hardcore, com todas a variações possíveis. Um programa bacana para quem está com crianças é parar no Bar da Pracinha, que tem uma dita cuja com brinquedos, então dá pra tomar um chopp olhando as crianças na tranqüilidade. O mesmo restaurante presta-se a um programinha romântico: fondue à noite, com direito a poncho emprestado pelo restaurante porque o Alto sempre está pelo menos 5 graus abaixo da temperatura da cidade.

– No Centro do Rio o Centro Cultural Banco do Brasil é um luxo. Não importa o que estiver sendo exposto, exibido ou encenado. Quase sempre é bom, mas se não for apenas visite o prédio, olhe para cima, admire a arquitetura, respire história – sim, aqui também ela é perceptível. Como aperitivo, ou sobremesa você pode dar uma voltinha logo ali atrás, na Casa França-Brasil e no Centro Cultural dos Correios. Dependendo da hora, você pode sair dali e, de táxi ou a pé, ir procurar um samba na Gamboa. Bairro dos mais antigos do Rio de Janeiro, vizinho do cais do porto e da Praça Mauá, onde o Rio de fato começou, a Gamboa vem sendo redescoberta agora, abrigando novas casas de show, a maioria dedicada ao gênero que também se criou ali, o samba. Muitos que já estão cansados do obaoba da Lapa procuram um local mais sóbrio e adequada à elegância do samba. Eu, como se sabe, sou habituê praticamente sócia do Trapiche Gamboa, uma casa maravilhosa, com um pé direito altíssimo, azulejos lindos na parede e um serviço show de bola – depois da terceira visita, se vacilar já te chamam pelo nome. Lá assisti a promissora Fabiana Cozza, o poderoso Marcos Sacramento, o Galloti ‘chorando’ e Silvério Pontes dando canja. Pra quem sabe do que falo, momentos preciosos.

Eu paro por aqui, embora ainda haja muitas opções. Quando dei-me conta que tinha iniciado pelo fim e chegado ao começo da cidade, achei que estava redondo e suficientemente apetitoso. Espero esbarrar contigo por aqui.

Helê

Abril 28, 2007


LXXIII

Quem trabalha mais na terra,
o homem ou o sol ceresino?

Entee o abeto e a papoula
a quem a terra quer mais?

Entre as orquídeas e o trigo
para qual é a preferência?

Para uma flor para que tanto luxo
e um ouro sujo para o trigo?

Entra o outono legalmente
ou é uma estação clandestina?

Pablo Neruda, O Livro das Perguntas

Tabelinha

Abril 27, 2007

Tabelinha
Oi gentes, eu vou ali um instante e volto já.
Enquanto isso, confiram minha tabelinha com a Beth. Modéstia à parte, show de bola.
Bom feriado! Fui.

Helê

Abril 25, 2007

Homenagem dos amigos do trabalho

É hoje o Dia

Abril 25, 2007

Sim, hoje é o Dia – nacional, mundial – da Monix. Isso porque eu defendo a tese que aniversário é o Dia da Pessoa. Da mesmíssima maneira que tem dia das Mães, do Aviador ou do Índio.
Assim sendo, devemos, antes de tudo, ocuparmo-nos da homenageada oferecendo: presentes, elogios, agrados, comentários, afagos, abraços e carinhos sem ter fim, como já ensinou João Gilberto.
Ficam temporariamente suspensas (por pelo menos 24 horas, por uma semana se possível) todas as chateações e aborrecimentos comezinhos, do tipo contas a pagar, dívidas, cólica, falta de vaga pra estacionar, contagem de calorias, consulta no dentista e conserto de vazamento.
Revoguem-se todas as disposições em contrário.
Instaure-se a (sua) felicidade, Monix – e locupletemo-nos todos!

Saúde e Sorte, Sister!

We’re two of a kind
I’ll keep my eyes on you!

Helê

Outras notas – ou notas da Outra

Terça-feira, Abril 24, 2007

Já é outono no Rio. Isto é, temperatura mais agradável, às vezes até aprazível. E o céu com cores lindas, cheias de semitons, aquela luz que só o outono no Rio tem. Preparem-se para os azuis de maio.
*

No clima teatral do Dufas, segue a minha dica, quase um apelo: se puder assistir a peça Soppa de Letra faça esse favor a si mesmo: não perca. É brilhante. Divertida, bem encenada, comovente, um primor. A temporada é só até o dia 6 de maio, no Teatro da Caixa Econômica, no Centro.
*

Ontem foi Dia Nacional do Choro, aniversário de mestre Pixinguinha. Pra comemorar o Dufas Dial toca essas sensacionais recriações dos Beatles… em choro. Eu adorei – e você?
*

Ô Sócia, reparou que agora a gente só recebe 5 comentários? Tamos na média, mas assim só vamos passar raspando, como se dizia antigamente…
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Semana Mundial Desligue TV, de 23 a 27 de abril. Pra cada dia uma sugestão. Ontem foi dia de louvar São Jorge; a dica de hoje foi a primeira, a Soppa lítero-musical servida pelo Pedro Paulo Rangel. Amanhã tem mais. (ilustra encontrada no site http://www.ellerni.org/drupal/?q=node/view/434

Helê

Notas de uma terça com cara de segunda

Abril 24, 2007

Marinas: a W. me lembrou do tanto que eu gosto da Lima. Pura poesia.

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A Bia Badaud nos explica por que damos tanto valor à beleza. Só precisamos saber o que é que chamamos de belo. E entender que até isso pode variar, de lugar pra lugar, de pessoa pra pessoa, de ano para ano. Deleitemo-nos, pois.

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E por fim, como diria Oscar Wilde, a vida imita a arte: cientistas descobrem um mineral semelhante à kriptonita.

-Monix-

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