Legião OST

Abril 10, 2007

Legião OST

Fui dormir na segunda-feira pensando no post da Monix aí embaixo, e na importância da Legião Urbana na minha vida. Não está entre os primeiros que vêm à cabeça quando me perguntam sobre preferências, nem sei bem porque. Pois eu acompanhei a trajetória da Legião – e do mesmo modo, a Legião me acompanhou, colaborando decisivamente para trilha sonora da minha vida.

Se não vejamos: lembro-me de ouvir o primeiro disco da Legião com os amigos do colégio, em 85, se não me engano. O disco – sim, ainda eram LPs – , passava de mão em mão, e possuía pra mim uma qualidade quase inexplicável: agradava tanto à turma ronqueroll, que amava o Floyd e o Zeppelin, quanto às meninas fãs de Chico e Caetano (que eram mais a minha praia). A essa altura o meu irmão, claro, já sabia do que se tratava, porque tinha ouvido na Maldita (a rádio Fluminense FM) alguma demo ou copisa que o valha. E enquanto a gente se deslumbrava com Geração Coca-Cola, hino daquela garotada burguesalienada do colégio, ele já estava pirando com A dança. Eu dançava Será nos bailes do fim de semana sabendo que aquilo não era a revolução, mas, what a hell, era o mais longe que eu podia ir aos 14 anos.

Quando minha melhor amiga na época foi morar em Recife, a gente cantou para ela Teorema. Foi num show do Legião, no Maracanãzinho, que eu exorcizei todos os demônios do ano de pré-vestibular, berrando Química a plenos pulmões. A única vez que vi Renato ao vivo, com suas danças esquisitas e seu carisma inconteste. Lembro de ouvir uma entrevista com o Lulu Santos lamentando não ter escrito Índios. Diante da tristeza de uma colega de turma, confessei: ” me disseram que você estava chorando/e foi então que eu percebi como eu te quero tanto”. E no meu aniversário de 17 anos ela me presenteou com o Dois. DecoreiEduardo e Mônica – e isso me foi útil muitos anos depois, quando ninava minha filha cantando aquela longa letra a pedido dela, que adorava. Falei pra Tânia o quanto é bom ter com quem conversar,alguém que depois não use o que eu disse contra mim . Ainda lembro da versão que os meninos da faculdade (Christian included) fizeram pra Quase sem querer, algo como Tenho andado desnutrido…

Do terceiro disco eu guardo a lembrança nítida do dia em que comprei: cheguei em casa e fui ouvir a tal Faroeste Caboclo, uma música imensa, sobre a qual todo mundo comentava. Terminada a canção, eu chorava copiosamente; levantei e tirei o disco – eu não precisava ouvir mais nada, já tinha valido a pena a compra. Cantei com a multidão Que país é esse em incontáveis comícios do Lula, nem sei exatamente quais. E nas passeatas ”Fora Collor”, of claro. Namorei pelo telefone e terminei a ligação dizendo que sexo verbal não faz meu estilo. Chorei a morte do João com a dolorosa certeza de que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

No dia que me mudei com o Luciano, a primeira canção tocada nesta casa foi O mundo anda tão complicado, entre uma televisão, expectativas, amor e muitas caixas de livro. Casei poucos meses depois ao som de Monte Castelo, quando finalmente compreendi que ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.

***
Ao acordar, minha filha, após uma bem-sucedida fuga noturna, dormia na minha cama, que nem criança com a boca aberta. Então lembrei do post da Monix, e pensando sobre peças biográficas, concluí que não tenho nenhuma resistência ao gênero. Até porque, a única vez que assisti uma peça assim foi a maravilhosa montagem do Gaspar Filho sobre o Gonzaguinha, ‘Começaria tudo outra vez’. Que, eu assisti, vejam vocês, no dia em que o Renato Russo morreu.

Helê
OST, original soundtrack

Advertisement

Devolve meus LPs

Devolve meus LPs

Abril 10, 2007

Essa é uma canção absolutamente datada do Zé Rodrix – e talvez resida aí seu charme. O cidadão em questão, pra quem tem o desplante de ter menos de trintanos, fez grande sucesso nas décadas de 70 e 80, primeiro formando um trio com o Sá e Guarabyra, depois solo, com participações aqui e ali, inclusive no memorável Joelho de Porco.
Mas essa aqui eu achei no honrável e-mule, um roquezinho divertido do cara pede de volta os discos que emprestou – Elton John, Beatles, Milton. Tudo totalmente anos 70 – o roque, a letra, os discos… Delícia.

Helê, a que tem 70s carimbado na testa

Abril 10, 2007

Pesquisa-relâmpago: você está tendo dificuldades com nosso sistema de comentários? Tenta clicar e não abre a janelinha? Consegue abrir a janelinha mas seu comentário não é processado? O que acontece? Temos recebido algumas reclamações e queremos saber qual é a extensão do problema. Se for o seu caso, por favor escreva para nós: duasfridas arroba gmail ponto com. Se lembrar, escreva no Assunto da mensagem: “não consigo comentar” (só pra facilitar a garimpagem no meio dos spams habituais).

A casa agradece a preferência.

Las Dos Fridas

%d bloggers like this: