Garimpo provisório

Junho 21, 2007

Há um tempo atrás o glorioso Idelber propôs um meme lá no Biscoito sobre as pedras de toque da música popular brasileira – segundo ele, imagens que condensam um universo poético, resumem a obra de um autor, dizem mais que o aparente à primeira vista. Isso já tem uns dois meses, e desde então eu venho pensando nisso com alguma aflição, porque quando me faço esse tipo de pergunta reajo feito a centopéia, que estanca quando perguntam como ela pode andar com tanta perna: eu não sei. Gosto tanto de tantas músicas que sempre acho que estou esquecendo alguém muito importante. Além do mais, não sei se os trechos que pensei se enquadram exatamente na definição do Idelber. Pra sair da paralisia, seguem aqui algumas pedrinhas bacanas, preciosas pepitas que eu catei. Quanto mais demoro a postar mais o montinho cresce, estão aí estão, à espera das de vocês.

Por ser exato
o amor não cabe em si
Por ser encantado
o amor revela-se
por ser amor
invade e fim

Pétala, Djavan,
versos apenas perfeitos

Se nós nas travessuras das noites eternas
já confundimos tanto as nossas pernas
diz com que pernas eu devo seguir?

Eu te amo, Chico e Tom,
o cúmulo da beleza e elegância reunidas

Queria ser pandeiro
pra sentir o dia inteiro
a tua mão na minha pele a batucar

Coisas Nossas, Noel Rosa dengosamente sexy.

Tudo que se vê não é
igual ao que a gente viu há um segundo
tudo muda, o tempo todo
no mundo

Como uma onda, Lulu Santos e Nelson Motta, uma de várias canções-zen da dupla

E como eu não sei rezar
só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar
.
Romaria, Renato Teixeira, verso que eu já usei pra orar, com fervor.

Todo dia é dia e tudo em nome do amor
essa é a vida que eu quis
procurando vaga uma hora aqui, outra ali
no vaivém dos seus quadris

Pro dia nascer feliz, Frejat e Cazuza em grande estilo

A minha alegria atravessou o mar e ancorou na passarela(…)
Será que eu serei o dono dessa festa?
O rei no meio de uma gente tão modesta

É hoje, Didi e Maestrinho, samba enredo da União da Ilha que nos atravessa quando a gente ouve.

Já que sou brasileiro
E que o som do pandeiro
É certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do suingue
É o país da contradição
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada
Na língua da percussão

Jack soul brasileiro, Lenine, brasilidade crítica e contagiante

Não posso compreender aquele azul
não era do céu
nem era do mar
foi um rio que passou em minha vida
e o meu coração se deixou levar
.
Foi um rio que passou em minha vida, Paulinho da Viola, outra força da natureza que invade a todos, portelenses ou não.

Por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz
e atrás dessa mulher mil homens,
sempre tão gentis
por isso para o seu bem
ou tira ela da cabeça
ou mereça a moça que você tem!

Deixa a menina, Chico Buarque, aquele que entende para ter uma mulher que samba assim é preciso, antes de tudo, merecer.

Meu tempo às vezes se perde
em coisas que não desejo
mas não repare esse lado
pois meu amor é o mesmo

Retiro, mestre Paulinho da Viola, o mais zen dos sambistas

E os seus versos ou estrofes preferidos da MPB? Aquele que, por mais que você ouça, sempre se encanta com a beleza, genialidade ou precisão?

Helê

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: