Panamericano Lado B

Segunda-feira, Julho 16, 2007

Enquanto quase todo mundo aqui no Rio está garantindo seus ingressos para o vôlei, a ginástica artística, o patinete sobre grama, enfim esportes mais cotados em geral, esta que vos escreve foi assistir ontem a uma partida de beisebol.

Neste ponto, se você é uma pessoa normal, deve estar fazendo a indefectível pergunta: beisebol? Por que beisebol? Abafa.

Contrariando as expectativas, me diverti muito, e, acredite quem quiser, até consegui entender o jogo! Cheguei à conclusão de que beisebol não é um esporte para se assistir pela televisão – não dá pra entender nada. O primeiro jogo, Brasil X Nicarágua, foi menos animado, porque, afinal, é como se eu fosse assistir uma partida de futebol entre, sei lá, Guatemala e Nova Zelândia. A segunda partida do dia foi mais emocionante (acreditem! Há fortes emoções num jogo de beisebol): Cuba X México. A ilha de Fidel é o país do beisebol. Toda cidade tem seu estádio, as crianças jogam nas ruas, a seleção é forte, enfim, mais ou menos como nós nos relacionamos com o futebol. Vi quatro home runs (agora já sei o que é isso) e até uma briga.

O ponto fraco, infelizmente, foi a estrutura. Quem lê esse blog sabe que eu me ufano da minha cidade, mas já desde o início dos preparativos para esse Pan 2007 estava meio descrente da possibilidade de o Rio de Janeiro conseguir dar conta, num momento difícil como o que passamos, da organização de um evento internacional deste porte. Continua achando que a vocação natural da cidade é essa, e, de fato, apesar dos poucos contratempos, ainda acho que ao final o saldo vai ser positivo e tudo vai acabar dando certo, mesmo aos trancos e barrancos. Mas, imaginem, se até no tal de Engenhão tem gente reclamando de problemas, calculem o nível de tosquice do estádio de beisebol, que ainda por cima é provisório, montado com uma estrutura de metal na Cidade do Rock. Não tinha água para vender, os jogos noturnos tiveram que ser cancelados porque os postes de iluminação ficaram baixos demais e atrapalham os jogadores (alguém resolveu economizar no concreto, será?) e a cobertura da tribuna de imprensa voou com o vento (os pagantes ficavam a céu aberto mesmo, afinal, quem quer ir assistir beisebol tem mais é que sofrer com o sol e a chuva, não é mesmo?).

Por fim, o mais divertido foi a torcida. No jogo do Brasil, basicamente amigos e parentes dos jogadores, dando aquela força. Um dos torcedores corrigia o locutor, que, com sotaque carregadíssimo do interiorrr de São Paulo, anunciava a entrada do atreta Fulano de Tal, o tempo todo, das nove da manhã às três e meia da tarde. Ninguém merece.
No segundo jogo, dividimos a arquibancada com militantes pró-Fidel, que agitavam bandeiras, gritavam fora de hora (“quando eles fizerem um daqueles gols a gente canta Brasil, Cuba, um só coração“, instruiu a coordenadora da manifestação) e agitavam cartazes pedindo a libertação dos “cinco heróis” presos em Miami.

No final das contas, foi um domingo divertido e super diferente. E como saldo, agora eu entendo todas aquelas piadinhas obscuras de beisebol que eles fazem nos filmes e séries americanas. Já é alguma coisa. 😛

-Monix-

Comentário off-topic: Dá nojo ver a capitalização que o nosso alcaide está fazendo em cima da badalação dos jogos. Tá certo, o projeto foi dele, que se elegeu duas vezes com essa “plataforma”, mas a verdade é que na hora de pagar a conta, quem compareceu de verdade foi o governo federal. O Lula tinha mais é que estar botando na praça dúzias de campanhas para, pelo menos, dividir os louros dessa história. Nessa tola discussão sobre Pan do Rio X Pan do Brasil, sei não, mas fica difícil defender a cidade. Até porque, se é tudo política, pelo menos escolho o político que menos me desagrada.

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