Máximas mothernas

Segunda-feira, Julho 23, 2007


Ouvindo a amiga explicar pro filho que não, ela não pode falar com ele agora porque está ao telefone:
– Filho é tudo igual, só muda o nome (às vezes) e o endereço.

Para a mãe de dois que, na primeira vez em meses que fez um programa solo, ficou o tempo todo achando que estava esquecendo alguma coisa:
– A pessoa pode sair sem o filho, o filho não sai da pessoa.

Duas Fridas

Ainda sobre o toptop

Segunda-feira, Julho 23, 2007

Várias pessoas discordaram, em maior ou menor grau, da minha opinião sobre o episódio do toptop. Eu gostei muito, sinceramente, porque a discordância enriquece o debate.
Eu queria apenas deixar claro que eu acho sim que o governo tem que responder pelo acidente, ou pela parte que lhe cabe nele – e esta parte não é pequena. Se há uma área em que o governo tem dados vastos atestados de incompetência é na da aviação civil, e quanto a isso os exemplos abundam.
Por isso mesmo é que a supervalorização do tal ‘gesto obsceno’ (eu me sinto uma senhorinha enrubescida escrevendo isso) parece-me desnecessária, além de suspeita. Senão vejamos: a imagem, por si só, não mostra nada. Nem se sabe o que os caras estão vendo na tv. Ninguém questionou como o cinegrafista conseguiu aquela imagem, nem porque o Marco Aurélio admitiu tão prontamente o que estava fazendo (quanta sinceridade, não? Honesto, ingênuo, comprometido?).
Na matéria da globo, conte o tempo da imagem do toptop e o tempo que o âncora usa preparando o telespectador para o que ele vai ver (sim, em tv cada segundo é contado e faz toda a diferença). Depois compare com o tempo que o senador (gaúcho) Pedro Simon leva sublinhando para o telespectador o que ele viu, descrevendo inclusive imagens inexistentes – ele fala em ‘comemoração’ e ‘braços erguidos’, o que não aparece.
Em resumo, a matéria foi evidentemente construída para defender uma tese: que o governo está se lixando para o acidente, para os parentes das vítimas, a nação, enfim. Não descarto essa possibilidade, mas não é aquela matéria que vai me provar isso, gente. Ainda que eu concorde com a conclusão, não posso assentir com a análise, entende? Porque eu não acho que os fins justificam os meios, não fico do lado bom de uma briga podre. A manipulação foi tão grosseira que eu me senti lendo a veja.
Se estivermos à procura de gestos que condenem o governo, há outros muito mais eloqüentes, como por exemplo, a Aeronáutica condecorando autoridades do setor aéreo na sexta-feira, quando ainda se procurava por corpos, três dias depois do acidente. Ali sim, eu vi um tapa na cara de cada um dos brasileiros atingidos, de uma maneira ou de outra, pelo acidente.

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