Pan – fim

Domingo, Julho 29, 2007

I beg to differ. Mas é mesmo uma inglesa trocada na maternidade essa minha sócia, né, gente? Você tem toda razão, darling, não é uma coisa menor, eu também ficaria vermelha de bergonha, se a melanina permitisse.
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Desta vez, na cerimônia de encerramento, a vaia às autoridades foi democraticamente repartida entre união, estado e prefeitura.
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Que saber o que me emocionou nessa festa? Fernanda Abreu, DJ Malboro e as popozudas cantando funk. Eu fiquei pensando em que outra cidade um evento internacional e chapa branca feito o Pan abria espaço pra uma manifestação cultural da periferia, sem tentar estilizar ou folclorizar a coisa. Assim, em pleno maraca, com transmissão para as Américas, mandar que “eu só quero é ser feliz/andar tranqüilamente na favela em que eu nasci”? Achei lindo. Eu não sou fã do gênero, mas simbolicamente é muito interessante o DJ Malboro ter o mesmo espaço que o Lenine (maravilhoso como Jorge Drexler, cês viram?).

Helê

Domingo, Julho 29, 2007

No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio

Nelson Rodrigues

Helê, dessa vez vou pedir licença pra usar uma expressão que eu adoro: I beg to differ. Não acho que o vexame das vaias da torcida possa ser reduzido a uma galhofa que passou dos limites.
Na minha opinião, o que se viu foi um público mal-educado e pouco acostumado com competições esportivas outras que não o futebol – e nesse ponto você tem razão, esperemos que eventos como esse sirvam para educar a platéia carioca. Se o Maracanã está acostumado a abrigar vaias homéricas, memoráveis, rodrigueanas, tudo certo: o futebol é um esporte coletivo, jogado para a multidão, em que a vibração da torcida faz parte do jogo. (Embora eu prefira, sempre, o apoio positivo, com aplausos, à tentativa de desestabilizar o adversário com vaias.)

O caso é que nos esportes individuais, como ginástica, tênis, hipismo, atletismo, pega muito mal vaiar um atleta. É como receber um convidado em nossa casa para o jantar e passar a noite inteira o ofendendo.

De resto, a cidade se comportou como sempre, à altura do evento internacional: como costuma acontecer, o caos anunciado virou conto da carochinha, quase não vimos engarrafamentos, não houve incidentes de grande porte. Mas as falhas da organização – e mesmo as de infra-estrutura – somadas ao comportamento lamentável da torcida, que, diga-se de passagem, teve apoio até de ícones do esporte nacional, como Oscar Schmidt, na minha opinião mancharam um pouco estes jogos que foram considerados os melhores de toda a história da competição pelo próprio presidente da Odepa.

Parece que o ufanismo histérico de Galvão Bueno e seus pastiches contaminaram a todos, e de repente virou questão de honra nacional conquistar todas as medalhas de ouro, mesmo as que não merecíamos. Tem até quem defenda a vaia, vai entender.

Embora eu não seja uma pessoa muito esportiva, ao que me conste a idéia geral da coisa, conforme ditou o Barão de Coubertin na pré-história das mega-competições-fortemente-patrocinadas, o importante era competir. E que vencesse o melhor.

-Monix-

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