A nossa Parada

Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Olha, eu a-do-gay ver o governador na nossa Parada Gay, cara. Deu um orgulho! Sim, eu sei que ele foi por questões políticas, mas quem foi por outros motivos? Além do mais, me fez lembrar quem foram os útlimos governadores desse estado, cruz credo!

*
Ainda não é um brastemp, mas foi bem bonita a Parada. Um milhão e duzentos é um sucesso, ainda mais contando que não foi um dia de sol escaldante. Eu sempre me perguntei porque é que a gente não conseguia fazer um evento de alguma expressão – não podia ser por falta de bi, que aqui também abunda, graçasdeus!

*
Falando em parada: aqui no Rio não rola “Cow parade”, isso é coisa de novaiorquino e paulistano. Aqui é a Parada da Vaca, valeu? (Ruim ter que explicar a piadinha mas… é que parada é um gíria muito comum para os cariocas, tudo pode ser uma parada, entende? Mais ou menos como ‘trem’ para mineiro) . Ao lado, a Vaca Gentileza, a nuestra, por supuesto!

*
Agora, se aqui no Rio a coisa demorou a pegar, imagina o que é reunir 5 mil pessoas na Parada Gay do… Acre? Sensacional, as Bees de lá estão de parabéns!

*

Eu só não fui porque era aniversário do meu cunhado favorito, vocês conhecem. Porque eu também acho que é fundamental que nós, simpatizantes, compareçamos. Até porque, como a gente sabe bom aqui no Rio, simpatia é quase amor ;-) …

Helê

Algumas anotações sobre Tropa de Elite

Domingo, Outubro 14, 2007

Daí que o Capitão Nascimento é um homem durão, porém com dilemas de consciência. Por essa eu não esperava.
Sei que o assunto já está mais do que batido. Tanto a imprensa quanto os blogues destrincharam o filme, sua repercussão e suas intenções. Mas como eu preferi esperar para assistir Tropa de Elite como deve ser, ou seja, no escurinho do cinema, com projeção digital e som THX, e, me perdoe a Vera, com uma pipoca quentinha para acompanhar, só agora pude entrar no debate.

***

Tecnicamente irrepreensível, o filme tem com principal defeito o mesmo problema que encontrei no livro no qual é baseado: o narrador tenta, o tempo todo, se justificar diante do que acredita ser o leitor/espectador meio-intelectual-meio-de-esquerda. O filme ganharia muito, em termos de ritmo, se a locução em off fosse simplesmente retirada. Contaria-se uma boa história, é só. Acredito que é possível – e até desejável – eleger um ponto de vista para a narrativa. Mas narrar de um determinado ponto de vista é uma coisa; fazer o narrador dar opiniões o tempo todo já é “sociologizar” uma história que poderia, simplesmente, ser bem contada.

***

A versão original do roteiro não tinha o personagem do Capitão Nascimento. Um mínimo de familiaridade com os mecanismos da ficção, especialmente a ficção audiovisual, mais especialmente ainda no Brasil das telenovelas e do humor fundado pelos programas de rádio, possibilita reconhecer o poder de um bom bordão. O Capitão Nascimento é, de fato, um personagem carismático, que ganhou vida por obra de um ator extremamente talentoso. Além de tudo, é riquíssimo em ótimos bordões. Nesse sentido acho que não dá para negar que a estrutura do filme em si tem, sim, uma relação íntima com a reação que ele provoca nas platéias e até mesmo em quem não o assistiu.

***

Como toda obra de ficção que se preza, Tropa de Elite constrói seus personagens a partir de estereótipos. Isso não é nada demais, é apenas um recurso que torna filmes e livros muito mais interessantes – imaginem que chatice mostrar personagens super realistas, que vivessem vidas como as nossas, absurdamente comuns. É bom ter isso em mente quando pensamos nos estudantes da PUC, nas ONGs e até mesmo nos policiais que vemos na tela. Eles podem ser convincentes retratos da realidade, mas nos convencem justamente porque se encaixam com perfeição no estereótipo que fazemos dessas “categorias” de pessoas. Na vida real, há muito mais cores dentro de cada um do que apenas o preto e o branco mostrados nos filmes.

***

Qual é a diferença, me pergunto, entre o Capitão Nascimento e os heróis do cinema americano, como por exemplo meu querido John McClane?
Muitas, é claro, a começar pelo fato de o primeiro ser obviamente um anti-herói. Mas me parece que a questão fundamental aqui é que o Capitão, como personagem, retrata aquilo que o próprio Rodrigo Pimentel, um dos autores do livro, definiu como uma “guerra particular”. Só que essa guerra acontece no quintal das nossas casas, e eu, sinceramente, não consigo achar muita graça quando estou no meio do fogo cruzado. Acho que tem algo de essencialmente errado numa sociedade que cultua uma caveira, ainda que em tom de deboche – ou talvez, pior ainda se em tom de deboche. Mas aí já sou eu, com minha ingenuidade utópica turvando a visão objetiva dos fatos.

***

Me chama a atenção a forma como, de uns tempos para cá, as discussões públicas no Brasil têm se acirrado, com os ânimos exaltados de ambos os lados. De toda forma, acho ótimo que os assuntos polêmicos sejam apresentados, debatidos, negociados socialmente. Varrer a sujeira para debaixo do tapete nunca foi solução para nada, e talvez o Brasil precisasse mesmo de um pouco de conflito ideológico, nem que seja por simples necessidade de movimento dialético. Que esse debate riquíssimo tenha sido provocado por um filme nacional, na minha opinião, é a cereja do sundae. :-)

-Monix-

Uma coisa que me incomoda ainda mais que a reação do público à estratégia truculenta do Capitão Nascimento é ouvir que o filme “não é tão violento assim”. Estamos mais anestesiados do que eu pensava.

9:42 PM

Sábado, Outubro 13, 2007

Férias para descansar
Férias para relaxar
Férias para pensar na vida
Férias para não pensar em nada
Férias para resolver aquelas coisinhas que se acumulam por causa de nossa crônica falta de tempo
Férias para passear
Férias para viajar
Férias para namorar
Férias para acordar num sábado antes das sete da manhã para escrever um post que não me sai da cabeça… e voltar a dormir.

-Monix-

Conforto

Terça-feira, Outubro 09, 2007

Vocês conhecem a expressão ‘confort food’, não? Aquela comidinha que a gente come e dá assim uma aquecida no coração, aquele feijão temperado de um jeito que só a vó sabia fazer, ou o mingau da mãe, o bolo do pai. A fantástica Fal deu a tradução precisa do termo: “comida de colo”. Perfeito, não?
**
Quem viu ‘Ratatoille’ sabe do que estou falando, porque é exatamente uma ‘comida de colo’ que faz Monsieur Ego… Bom, melhor não contar. Mas é uma cena memorável.
**
Eu de vez em quando preciso de um “confort movie” pra dormir. Aquele filme que vc já viu zentas vezes, decorou as falas e sabe exatamente tudo que vai acontecer. De preferência dublado, pra você não ter nem o trabalho de ler. Talvez tenha a ver com o ritual infantil de ouvir sempre a mesma história, em busca de segurança e conforto (e talvez de outras coisas mais, mas eu tenho matado as minhas aulas no curso de contos de fada, né, Mani?). Eu sei é que às vezes dá um alento imenso dormir vendo um filminho desses, é quase como dormir abraçada com o travesseiro…

Helê

Conversas Supremas

Outubro 05, 2007

– Oi! Você me ligou ontem à noite, tarde, depois que eu saí da tua casa?
– Liguei sim. Bom, liguei porque eu tava bêbaba. E você sabe, bêbado fica ligando, né?
– Pô, e eu não atendi porque você sabe, bêbado não escuta o celular.

Helê

Ainda a imprensa que inventa

Outubro 05, 2007

Nem eu acreditei quando vi na banca, ainda bem que achei a imagem, ou vocês duvidariam:

Embaixo da manchete está escrito “Isso esteve muito perto de acontecer…”

Não é inacreditável, gente? Tá bem, é uma revista de amenidades, para amenizar a classificação. Mas o fato de ser fútil dá direito a produzir uma manchete falsa? Ninguém regula isso não?

Helê

4:09 PM
Comments (9)

Outubro 03, 2007


Li no Globo Online: “Crianças ateiam fogo em casa depois de visita da ‘Supernanny’ da TV inglesa

Em resumo, a história é a seguinte: uma inglesa, mãe de cinco filhos entre 3 e 11 anos, participou do programa Supernanny dois anos atrás. Notem bem: dois anos, não dois meses, nem duas semanas, nem dois dias. Então, pra começar a conversa, o que é que a pobre da Supernanny tem a ver com a história? Ela entrou na “notícia” tal qual Pilatos no Credo. Mas isso nem foi o que mais me incomodou nessa verdadeira não-notícia. Publicado na editoria de TV, o texto deve se valer dessa prerrogativa para usar um tom mais “descontraído”. Mas nem isso justifica o uso de expressões como “ajudar a domar suas cinco crianças”, “ruidosa prole”, “suas pestinhas atearam fogo”… e por aí vai. A matéria é uma sucessão de pré-julgamentos e insinuações: a mãe, que não conseguia controlar os próprios filhos, está separada do marido desde o último verão (sendo que estamos em setembro e o episódio ocorreu no hemisfério norte). Ao contrário do que o início da narrativa nos faz supor, havia apenas uma criança em casa, justamente o filho menor, de 3 anos – os outros estavam na escola. A mãe estava ao telefone e a criança teria acidentalmente ateado fogo em uma cortina. O fogo se alastrou e destruiu a casa. Os depoimentos do policial e do vizinho são um primor de preconceito: “acreditamos que a família pediu ajuda à Supernanny para ajudar os pais a controlarem as crianças. Eles claramente não estavam se entendendo quando o fogo aparentemente foi causado por um dos menores, queimando as cortinas”, diz o policial. Vejam bem, a mãe estava com apenas uma criança em casa. A Supernanny foi chamada em 2005. O que tem a ver uma coisa com a outra? O vizinho ainda sentenciou: “não se deixa uma criança de 3 anos sozinha, não importa o quão importante seja a ligação”. Ah, tá, então uma criança de 3 anos (não 3 meses, repito: 3 anos) não pode ser deixada sozinha nem por um minuto? A mãe não pode nem atender um telefone?
Gente, acidentes acontecem. Casas pegam fogo. Se não houvesse uma celebridade remotamente ligada ao caso (e isso forçando muuuito a barra, já que das cinco crianças “domadas” pela especialista, apenas uma estava em casa), isso só seria notícia na Folha Regional de Essex.
Pode ser que essa mãe seja incapaz de criar os filhos. Pode ser que as cinco crianças sejam pestes insuportáveis. Pode ser que o pai não tenha agüentado o tranco e tenha saído de casa por causa disso. Ou não. Mas me assusta constatar que uma pessoa não pode ter cinco filhos sem ser tachada de louca. Uma mãe não pode pedir ajuda a uma profissional qualificada sem assinar o recibo de sua própria incompetência. Uma mulher que se separa do marido ainda é tratada, em pleno século XXI, na Inglaterra, como uma mulher que foi largada à própria sorte. Essas coisas é que me dão medo.

-Monix-

Da série “Máximas saídas do meu Ipod”

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

“Todo homem que relaxa tem mais abertura pra sentir prazer”
Império dos Sentidos, do Premeditando o Breque

Helê

Fotos, postais, presentes…

Outubro 02, 2007

Atendendo a pedidos – tá, a UM pedido, da Beth Salgueiro (que não pede, demanda) – coloquei umas fotenhas do niver lá no Chatô. Vejam e comentem, que a exibição só é feita em troca disso, comentários, fuxicos, babados e eticeterás.

**
Eu coleciono cartões postais, vocês sabem. Não qualquer um de qualquer lugar, que toda coleção precisa de regras, né? Eu coleciono cartões dados por amigos, de lugares em que eles estiveram (ou em que vivem). Claro que eu aceito de bom grado os trazidos na mala e escritos aqui – afinal, o que vale é o fato do cidadão ter se lembrado de mim no meio de uma viagem, passando pela Fontana di Trevi ou vendo um carro da década de 50 em Cuba. Ou visitando uma cidade na Espanha. Mas, quando envia o cartão in loco, aí é a glória, que receber correspondência escrita à mão nos dias de hoje é simplesmente um luxo.
Quando o postal vindo do Porto chega no dia do seu aniversário então, mofio, aí é feito cartão de crédito, numtempreço.
Só mess Claudioluiz, o arquiteto das estrelas, pra ser capaz de tamanha elegância, não?
**
E quando eu achava que o aniversário tinha acabado, fazer o quê?, me preparava pra voltar a vida normal – porque aniversário é um entre travessões na vida da pessoa, pelo menos na minha – recebi uma caixa pelo correiro, linda, toda estampada em rótulos de bebida, e dentro uma legítima cachaça mineira, no nome e tudo? Chama Boazinha a pinga que a Meg mandou e chegou aqui na sexta-feira, assim para o enterro dos ossos. A-d-o-r-e-i, querida! Gracias!
**
Mas o presente que me fez berrar mais até agora foi nada mais nada menos que a primeira temporada completa do House! Coisa de Don Luciano, maridón seguro que não tem ciúmes da minha relação com o doutor.

Valeu

Outubro 01, 2007


%d bloggers like this: