Quinta-feira, Novembro 29, 2007

Aí o Milton Ribeiro disse que “por um mecanismo que não conseguiria explicar, mas do qual tenho convicção epitelial, digo-te que a maioria de nós é mais preconceituosa nesta idade do que depois. Eu também andava de lá para cá com meus adesivos, tentando colar rótulos em coisas e pessoas. Depois, a gente desiste pois cada rótulo está associado a um contexto e o quem é revolucionário aqui é bombeiro ali e vice-versa.”

Pois é. Eu sempre ouvi muito esse papo de que na adolescência a gente sabe tudo, e conforme envelhece vai descobrindo que não sabe nada… e agora, cada vez mais, me dou conta do quanto é verdadeira essa afirmação, do quanto a gente vai sabendo menos à medida que amadurece. A soma de todas as coisas que vimos, das experiências que vivenciamos, das pessoas com quem convivemos, das diferentes culturas que conhecemos vai se amalgamando numa dúvida permanente. A capacidade de amadurecimento está diretamente ligada à capacidade de se pôr em xeque a cada momento. Quem não tem dúvida sobre suas convicções simplesmente não cresce, fica preso ao conceito, e como diz La Otra, prefere estar certo do que ser feliz.
É como aquela história da árvore, que se enverga para não quebrar.
Meu esforço atualmente é todo para me manter inteira, mesmo que flexionada.

-Monix-

Quarta-feira, Novembro 28, 2007

Duas observações sobre o caso que vem chocando o país, ambas da Carla Rodrigues, que costuma ir direto ao ponto:

O que senti quando li pela primeira vez a notícia sobre a prisão da adolescente no Pará numa cela masculina: é só a ponta mais visível de um imenso problema que combina violência, discriminação, desprezo pelas mulheres, culpabilização da mulher pelos delitos dos quais foi vítima, e está inscrito num grande discurso hegemônico no qual o masculino equivale a tudo que tem valor e o feminino corresponde a tudo que é inferior.

O Globo de hoje traz com especial destaque o fato de que, em toda a linha de comando, as atrocidades cometidas contra a menina presa no Pará foram cometidas por mulheres. O tom de espanto ou indignação parte de uma premissa, que está oculta no texto: mulheres deveriam ser, “por natureza”, mais generosas, solidárias e humanas.

-Monix-

Um instante de intolerância

Terça-feira, Novembro 27, 2007


As mulheres deveriam, aos 15 anos, receber um comunicado do… sei lá, Ministério da Cultura, informando:
Doravante é inadequada a utilização de franja em geral, franjinha em particular, sob pena de parecer ridícula – ainda que a moda venha a afirmar o contrário.
Porque eu vou te contar, ô coisa re-dí-cu-la mulé véia de franjinha, cara!
Pronto, falei. Desculpaí se há adeptas entre vós.

Helê

Terça-feira, Novembro 27, 2007

Detalhe: ano que vem somos nosotras na Libertadores – é nóis na fita, Só, e os pleiboi no dvd!

Helê

Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu.

-Monix-

Porque hoje é sábado

Novembro 17, 2007

…e porque eu sou uma zebra, só agora me dei conta que esqueci de Sir Connery na seleção de ontem. Isso porque quando eu achei essa foto fiquei tão impressonada que guardei em lugar especial, à parte dos outros; daí na hora de fazer a composição não entrou. Com justiça, merece mesmo destaque – vocês não acham?

Helê


Porque hoje é sexta-feira

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

Fica decretado que é dia de homem bonito no blogue. Então, segue uma canção e algumas fotenhas ilustrativas pra alegrar o feriadão das pessoas. A canção pertence ao disco do Asdrúbal trouxe o trombone chamado a Farra da Terra – um lp sensacional, e se não me engano, único registro musical do grupo. Quem canta é a Regina Casé. A seleção de imagens foi feita por nosostras e as nossas amigas, of claro.

A melhor comida
(Hamilton Vaz Pereira – Péricles Cavalcanti)
Pra minhas amigas e pra mim
só interessa o que há de melhor
homens de ossos fortes e pés ligeiros
homens bem dispostos
pro que pintar de mais difícil
e de mais fácil

Pra mim e pras minhas colegas
só dá tesão o que existe de melhor
E se não nos dão o melhor
nós nos o tomamos
A melhor comida,
O céu mais puro
Os pensamentos mais verozes
E os homens mais gostosos

PS: Atentem para a censura à palavra ‘tesão’ na gravação, feita num tempo página infeliz da nossa história, como diria o Chico.


Da esquerda pra direita, de cima pra baixo:
Javier Barden, Warren Beaty, Brad Pitt, Marlon Brando
George Clooney, Johnny Deep, Alain Delon, Denzel Washington
Clint Eastwood, Hugh Grant, Hugh Jackman, Jude Law
Marcelo Maartoianni, Paul Newman, Pierce Brosnan, Terence Howard

Helê

Das coisas que a gente (não) faz para emagrecer

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Opção 1: a pessoa faz o pacote semestral na academia, freqüenta três meses (arredondando) e ainda se pergunta: ué, mas eu tinha que ir?
Opção 2: a outra pessoa paga 30 reais para receber por e-mail cardápios diários com uma dieta balanceada caloricamente. A única providência tomada é criar uma pasta no programa de e-mail, para arquivar as mensagens.

Baseado em fatos reais.

Las Dos Hipócritas

Terça-feira, Novembro 13, 2007

Eu tenho pesadelos recorrentes com dentes. Perco todos os dentes, ou um dente é esfarelado na minha boca, ou quebro vários dentes, ou eles ficam moles e não caem. Variações sobre o mesmo tema. (Psicanalistas de botequim, apresentem suas interpretações.)
Aí que hoje fui à endodontista começar o tratamento de canal e ela me diz que provavelmente não tem inflamação no nervo e que o que deve estar provocando a dor chata que me incomoda há meses é uma rachadura em cruz no molar 16. Isso mesmo que você entendeu: rachadura em cruz, no sentido longitudinal e no transversal. Bonito, não?
Diante disso, ela optou por não abrir o canal, para não correr o risco de quebrar o dente “em mil pedacinhos” – palavras dela. E me encaminhou de volta para a minha dentista, com um diagnóstico por escrito que termina assim: “o prognóstico para o elemento [o dente em questão] é desfavorável.”

No momento, o gosto ruim na minha boca não é apenas resultado da anestesia.

-Monix-

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

O Matamoros pediu licença para divergir do Alex, que, como se sabe, diz que não entra em polêmicas. O assunto é o uso da língua e da norma culta. O Alex tem uma visão bastante heterodoxa a respeito, defendendo que o hábito da leitura é tão desimportante quanto o hábito de jogar tênis, apenas o lobby dos que têm aquele hábito é mais forte que o desses últimos. O Matamoros fez uma bela exposição de motivos defendendo uma posição contrária à opinião do Alex, com a qual eu concordo absolutamente. Só tenho a acrescentar, desenvolvendo um pouco mais o raciocínio dele, o seguinte: acredito que a linguagem dá forma à visão de mundo do indivíduo. Sem domínio completo da estrutura de uma língua, não é possível elaborar uma apreensão completa da realidade. A gente pensa em alguma língua, e o pensamento objetivo necessita de palavras e frases para estruturar seus conceitos. (Nesse sentido, quem domina mais de um idioma tem ainda mais ferramentas para estabelcer essa relação com o mundo, na minha humilde opinião.)
Por isso, acho que ler e escrever são mais do que atividades com um lobby forte – na verdade, é o contrário: o lobby de quem gosta de ler é mais forte porque esses são os mais capazes de construir argumentos, e acabam vencendo a discussão. :P

***

O q naum impede q a gente brinque qdo acha que dá pra brincar, mas é só pq a gente pode.

-Monix-

Update
Comentário da Vera, tão importante que veio para a vitrine em vez de ficar escondido lá nas parteleiras do estoque: ai, monix, complicado demais da conta! bom, pra nós que dominamos a NoCu, é um luxo transgredi-la. pra nós que temos mil oportunidades, tb é um luxo podermos escolher entre atividades que a dispensem. ótimo, vou ser artista plástica, pianista, tenista. mas pra quem está se agarrando às mínimas chances pra deixar de ser peão, porteiro ou doméstica, ou até mesmo de chegar a essas categorias, o negócio é diferente. nao dá pra desprezar o que lhes amplie a percepçao.

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