Sábado, Dezembro 22, 2007

Já é Natal? Quase, né? Ainda tenho umas últimas comprinhas a fazer (sempre falta uma coisa ou outra de última hora), o espírito natalino ainda não baixou em mim, segunda-feira tenho que cumprir tabela no trabalho (até a uma da tarde), mas agora é a contagem regressiva.
Tive Natais deliciosos na infância. É uma memória que sempre vou carregar comigo. De um lado, uma família cheia de primos da mesma idade. Ensaiávamos autos de Natal para apresentar para os pais, tios e avós, comíamos uma ceia meio sem gosto (minha avó paterna não era uma pessoa culinária), íamos à Missa do Galo à meia-noite (tempos mais seguros, aqueles), ganhávamos poucos presentes, porque o importante era estar juntos e celebrar o sentido religioso da data, numa família rigorosamente católica.
No dia 25, Papai Noel passava lá em casa, deixando sempre muitos presentes, alguns deles feitos pela minha mãe, o que na época não me incomodava. É lindo perceber como é feita a crença das crianças: elas (que nós já fomos, um dia) acreditam no que querem, com o coração e não com o raciocínio.
Depois, a maratona continuava, na casa da minha avó materna, onde rezávamos o Pai Nosso em um círculo, com a família toda de mãos dadas, e o mais novo dos primos depositava o menino Jesus na majedoura do presépio, já preparado e esperando apenas o grande homenageado do dia. Lá, a comida era farta e deliciosa. Os presentes, também muitos. E a tarde se encerrava com minha tia-avó, que mora num apartamento imenso em Copacabana, onde recebíamos a bênção de minha bisavó e encontrávamos primos distantes, parentes de diversos graus, todos reunidos em torno da matriarca da família.
Só me dei conta de que era de fato adulta quando Natal passou a ser sinônimo de estresse, correria, listas intermináveis de presentes impossíveis de comprar a tempo, indefectíveis amigos-ocultos, incompatibilidade de agendas natalinas – pais separados, avós, sogros… Deixei de ir à casa da tia-avó, a bisavó já morrera e o evento não caberia no meu cronograma de 48 horas de festejos obrigatórios.
Foi quando meu filho nasceu que o Natal voltou a ter encantos que estavam quase esquecidos. A cada ano que passa ele se encanta mais com os preparativos, os enfeites da casa, o calendário do advento (uma das tradições familiares que consegui recuperar), a cartinha para o Papai Noel… Daqui a alguns anos, que passarão mais rápido do que devem, ele não acreditará mais no bom velhinho e o Natal novamente será uma época de estresses vários, mercantilismo, obrigações sociais inescapáveis.
Mas enquanto eu tiver o privilégio de ver a festa através do olhar de uma criança – minha criança interior renascida nos olhos do meu filho – pretendo aproveitar cada momento.

Feliz Natal para vocês também.

-Monix-

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