Meus Melhores de 2007

Janeiro 01, 2008


Janeiro
Mais Estranho que a Ficção – O filme tem uma das cenas mais românticas, no sentido moderno, dos últimos tempos: o auditor fiscal oferece um buquê de farinhas (flours/flowers) para a dona do bistrô… e conquista o coração da moça. Emocionante, como, de resto, o filme inteiro é.

Fevereiro
Pro Dia Nascer Feliz – Em um ano pródigo em bons documentários brasileiros, este foi o primeiro que assisti. Cena inesquecível: a adolescente do colégio granfino comenta o choque cultural em relação aos estudantes do ensino público: “é como se fossem dois mundos diferentes”. Ao que a amiga, com uma lucidez impressionante para seus 16 anos, replica: “Na verdade, é o mesmo mundo, e esse é o problema”. (Comentário sussurrado no meu ouvido: “essa menina é perigosa”. E é mesmo…)

Março
Palavra Cantada – O grupo formado por Sandra Peres e Paulo Tatit é tão bom, mas tão bom, que já assisti um show deles sem levar a criança. Dessa vez meu filho foi comigo, e também deu o devido valor ao espetáculo.
O Cheiro do Ralo – Selton Mello é nosso Jack Nicholson: aquele que interpreta sempre o personagem excêntrico, mas consegue criar cada um deles com sua excentridade específica. Dessa vez, ele brilha num filme que brilharia por si só.

Abril
Fábulas – Imagine uma cidade encantada dentro de uma cidade moderna, governada por Branca de Neve, vigiada pelo Lobo, onde o Príncipe não passa de um cafajeste e o sapo, embora tenha assumido forma humana, não consegue resistir a engolir uma mosca ocasionalmente. Esta é a trama dessa série de quadrinhos, premiadíssima não por acaso.
Roma – Titus Pullo rules.

Maio
Biografitti – A rainha do rock brasileiro pode ter encaretado na fase bossa’n roll, mas não se pode negar: Rita Lee tem história. Ou melhor, Rita Lee é história.
Mothern – 2ª temporada – O programa de TV captou com muita sensibilidade o verdadeiro espírito mothern – que, como bem definiu uma amiga, já foi algo muito além de papinhas e fraldas. Que venham outras temporadas.

Junho
Lençóis (BA) – Embora não tenha participado das festanças do São João, porque viajar com criança também é sinônimo de dormir cedo (entre outras coisas), realizei um sonho antigo só pelo fato de estar lá: consegui captar um pouco do que representam as festas juninas para o nordeste do Brasil. A gente aqui no Sul-Maravilha nem faz idéia.

Julho
Ratatouille – Ratos na cozinha? A mistura é explosiva – confesso que senti um nojinho em algumas cenas – mas Remy e Linguini são amigos de verdade, daqueles que fazem um filme valer a pena. Além disso, a animação é linda, nada comparável ao que tenho visto ultimamente: muito investimento em 3D e nenhuma capacidade de manter a expressividade dos personagens.

Agosto
Living Colour – 15 anos depois, assisti novamente à vitalidade contagiante de Vernon Reid, Corey Glover, Will Calhoun – e novamente foi difícil ficar parada, embora o peso da idade tenha tornado um pouco mais difícil agüentar um show que começou à uma da manhã e durou mais de duas horas. Hard rock é pra quem pode.

Setembro
À Prova de Morte – Graças ao Festival do Rio, antecipei esse filme, que provavelmente estará em várias listas de melhores de 2008.Como já disse antes, o combinado com Robert Rodriguez era produzir dois filmes trash – mas o Tarantino não conseguiu, e fez um filmaço.

Outubro
Santiago – Mais um documentário memorável da safra de 2007. João Moreira Salles desnuda os conceitos de verdade, veracidade, verossimilhança, memória. Tudo isso com uma humildade de se tirar o chapéu. A experiência se completou pelo fato de eu ter assistido ao filme no Instituto Moreira Salles, onde foram filmadas algumas cenas exibidas na telona. Uma verdadeira viagem cinematográfica.

Restaurante Alpenhaus – O barco sai da estação do Tigre, a cerca de 30 km de Buenos Aires. Só o delta do rio já vale a viagem: a paisagem é única. O restaurante alemão, escondido numa pequena ilha, tem um charme incomparável. Ainda por cima, a comida é uma delícia – mas nem precisava.

Novembro
Jogo de Cena – Agora é a vez de Eduardo Coutinho, o mestre de dez entre dez documentaristas brasileiros, questionar o limite da verdade no cinema de não-ficção. Uma pequena obra-prima, que não se deve deixar de ver.

Dezembro
The Police – Três caras no palco, tocando para um Maracanã lotado, sem o auxílio de backing vocals gostosonas e de voz potente, sem uma mega-banda acompanhando, só o bom e velho roquenrou. Não é para qualquer um – nem Mick Jagger se atreveu a tanto. É bem verdade que os arranjos favoreceram uma interpretação mais pra “tiozão” que pra rock star. Mas vamos combinar que o Sting continua batendo um bolão.

E também o meu bestiófi de posts:
O clichê da mãe divorciada
E se o menino se chamasse Wesleysson?
Heróis
As 10 Melhores Músicas de Amor – uma explicação. Ou várias.
Por que os homens brigam?
Algumas anotações sobre Tropa de Elite
Supercarioca
Bônus: o melhor do Rio, pelos olhos da Helê e pelos meus.

-Monix-

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