Fevereiro 21, 2008

A partir da série de reportagens publicadas pelo Luís Nassif em seu blogue, o Serbon propôs uma blogagem coletiva com o tema:

Quando decidi parar de ler a Veja

Na verdade, não se pode parar o que não teve início. Posso dizer que nunca comecei a ler a Veja, embora isso não seja uma verdade completa, já que na casa dos meus pais havia uma assinatura da revista até mais ou menos o final dos dos anos 1980, ou talvez o início da década de 1990. Nessa época, eu acompanhava as notícias da semana por meio da então mais respeitada revista do Brasil. Desde que entrei para a faculdade, tomei uma certa implicância com a Veja, por um motivo simples: a linha editorial da revista, analítica e opinativa (na época as reportagens nem eram assinadas, deixando claro que a posição da revista era uniforme), simplesmente divergia em tudo e por tudo dos meus pontos de vista sobre qualquer tema. Não fazia sentido pagar para ler matérias que apenas me deixariam irritada. No entanto, na época não questionava a qualidade editorial da revista, apenas discordava das opiniões que se manifestavam na publicação.
Pelo fato de não acompanhar a revista com periodicidade, lendo apenas eventualmente em salas de espera ou emprestada de amigos, não me dei conta da queda da qualidade jornalística que ocorreu aos poucos, ao longo dos anos 00. Fazendo uma concessão aqui, outra ali, de repente ficou claro para mim que a Veja de hoje tem uma agenda própria, e que se os fatos não se adequam a essa agenda, pior para os fatos. Fechei a tampa do caixão na edição sobre o referendo do desarmamento, em que a matéria de capa distorce fatos, faz comparações absurdas (como por exemplo, entre a Suíça e o Brasil, no que diz respeito à maneira de governar os respectivos países), e defende abertamente um determinado voto (a favor das armas), numa tentativa – em minha opinião, desavergonhada – de influenciar uma votação democrática.
Ali, o último fiapo de respeito que poderia ter pela revista, apesar das divergências de opinião, se esvaiu. Não estamos mais falando de uma revista conceituada, de reconhecida qualidade jornalística, que por acaso tem uma posição política diferente da minha. Infelizmente, passei a encarar a maior revista semanal do Brasil com o mesmo desperezo que tenho pela mais infame imprensa marrom. Triste fim.

-Monix-

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