Back from the future

Segunda-feira, Março 31, 2008

O Homem Pássaro de antigamente ganhou um escritório de advocacia e atende no Adult Swim do Cartoon Network, com o nome de Harvey Birdman Atorney at Law. Ele recebe, como clientes, personagens como Fred Flintstone (para resolver problemas com a Máfia), Dr. Quest (brigando com Race Bannon pela guarda de Johnny e Hadji), o Esquilo sem Grilo (acusado de atentado ao pudor), e também os Jetsons, que vêm do futuro remoto de 2002 para processar seus “antepassados” por destruírem o planeta. O episódio é engraçadíssimo, porque mostra os atrapalhados Jetsons e suas supostas modernidades futuristas se confrontarem com o microondas, o telefone celular e mais um monte de tecnologias que em tão pouco tempo se tornaram essenciais para nós. Em duas décadas tanta coisa mudou que a gente quase nem percebe que a ficção científica de fato virou realidade, embora de um jeito bem diferente do que imaginávamos. Nossos carros não voam, não temos robôs-domésticas (opa, essa parte talvez possa ser representada pelos operadores de telemarketing, será?), mas se você pensar bem, vai dizer que esse tal de Iphone não é praticamente um milagre? Ou alguém me convence que entende como é que aquilo funciona?

***

Só sei que a única tecnologia de ficção científica que eu realmente queria que inventassem ainda está longe de virar realidade: o teletransportador de moléculas (se bem que os cientistas já obtiveram resultados em escala nano).
Daí que quando vi o trailer de Jumper, fiquei bem curiosa pra assistir uma tentativa ficcional de mostrar essa habilidade que tanto me atrai. Só que o filme é tão bobo, o roteiro tão tosco, que nem os efeitos especiais, as locações maravilhosas e a incrível capacidade do protagonista de se transportar para qualquer lugar do mundo com um pulo conseguiram me emocionar.

Continuo aguardando o futuro chegar, nem que seja no cinema.

-Monix-

Dream is over

Sexta-feira, Março 28, 2008

Estava eu conversando com a Angela, na micro-varanda, sobre aquela história de ficar amiga dos vizinhos, como seria legal, e ela retrucando que amizades na vizinhança são na verdade uma porta aberta para problemas (no fim das contas concluímos que nossos conceitos de amizade com vizinhos são bastante diferentes e que definitivamente não estávamos falando da mesma coisa), quando de repente, não mais que de repente, ouve-se um PSIU! vindo da varanda de baixo.
Acho que acabei com qualquer chance de.

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Quanto ao debate sobre o carro das mulheres, não sei que metrô é esse que minha sócia costuma pegar, mas nos últimos dias, excepcionalmente, tenho deixado meu carro na garagem e descobri que a teoria na prática é outra. Ou então os trens que eu peguei receberam uma nova safra de mulheres transgênicas, com barba, pomo-de-adão, usando terno, etc e tal. :P

-Monix-

Quarta-feira, Março 26, 2008

O inferno astral está apenas começando e eu já consegui perder a prova teórica da renovação da carteira de motorista, o que significa pagar de novo a taxa e voltar ao Detran pelo menos 3 vezes.
Minha revolução solar para este ano previa mudanças radicais, quem sabe até ir morar no exterior? O máximo que consegui foi trocar de carro (suando a camisa e aceitando doações) pelo modelo mais básico do mercado. A perspectiva atual é que minha renda diminua e as despesas aumentem. Talvez meu emprego não sobreviva até o fim de 2008.
Mesmo assim, faço planos de viagem. They can’t that that away from me.

-Monix-

Começos arrebatadores

Quarta-feira, Março 19, 2008

No comecinho do ano La Outra perguntou aqui por frases inesquecíveis em finais de filme. Já eu, dia desses, durante uma aula de spinning (!!) pensei que existem músicas que têm começos arrebatadores. Aquelas cujas primeiras notas ou versos bastam para nos tirar do prumo, das condições normais de temperatura e pressão, e que a gente tem que se segurar pra não sair dançando. A que me levou a este pensamento é “Dancin’ days”. São poucos e poucas da minha geração que resistem ao convite:

Abra suas asas
Solte suas feras
Caia na gandaia
Entre nesta festa

Num gênero (e geração) bem diferente, mas igualmente sedutora, de dar vontade de correr pro salão, mesmo que não haja um é “Fly me to the moon”:

Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars

Sim, há refrões que grudam na cabeça, frases marcantes, estrofes bem construídas. Mas eu falo aqui das primeiras linhas – melódicas ou escritas – que são suficientes pra nos tirar da indiferença.

Qual é a canção que aos primeiros acordes/versos te arrebata?

Helê, finalmente de férias!
PS: Boa páscoa pra quem é de páscoa; vou ali num certo vilarejo e volto já.

Da série Favoritos das Fridas: Malucos que a gente adora

Março 18, 2008


Christopher Walken, Helê


Woody Harrelson, Monix


Jack Nicholson, As duas Fridas

8:58 AM

Remissivo

Março 16, 2008

Há mais ou menos um ano atrás eu escrevi um post com o título “Quando envelhecer é um privilégio”, um texto que eu gosto particularmente. Fala dos bônus de envelhecer, que, ao contrário do que todo mundo nos quer fazer crer, existem. E um deles, eu dizia, é ver crescer meu sobrinho Danilo, estabelecendo com ele uma relação de carinho e troca (que eu observo também com outros sobrinhos, pra minha felicidade). Hoje, com muito atraso, chega a ilustração daquele post e da evolução dessa relação, que me enche de orgulho – eu, que tive um tio inesquecível, de quem, como eu também já contei aqui, eu guardo as melhores lembranças e as maiores saudades.


2000-2007

Helê

Quinta-feira, Março 13, 2008

Só quem tem 15 anos pode se dar ao luxo de desprezar maquiagem, ignorar as tendências da moda, ser meio desligada na hora de usar os cremes certos e desencanada com o cabelo. Mas quem tem 15 anos se preocupa demais com essas coisas, acha que a pele está péssima, que o cabelo nunca vai tomar jeito. Quem tem 15 anos se sente gordíssima, estando ou não acima do peso – quase sempre não.
Aí o tempo vai passando e a pessoa precisa começar a investir um pouco mais em cremes, senão a pele vira lixa. E tratar do cabelo se transforma em missão e não tarefa: hidratação, tonalização, escova progressiva, alisamento, chapinha. Sem falar na manicure semanal, pedicure (afinal, as sandálias cada vez mostram mais os pés), depilação em diversas partes do corpo, o que leva à necessidade de esfoliação, ou seja, mais cremes. A dieta à base de pão de queijo e milk-shake tem que ser abandonada drasticamente, sob pena de se transformar na tão temida Grande Baleia Branca. Pois é, caras amigas (e caros amigos): o tal viço da juventude é um fato; a marcha do tempo é inexorável.
Mas no dia que eu aplicar o primeiro Botox, podem me internar no asilo (ou no hospicio).

-Monix-

Março 10, 2008

Com um pouco de atraso, mas ainda a tempo, deixo para as leitoras (e os leitores) desse blogue uma das homenagens mais bonitas já feitas a nós, mulheres.

Woman is the Nigger of the World
John Lennon

Woman is the nigger of the world
Yes she is…think about it
Woman is the nigger of the world
Think about it…do something about it

We make her paint her face and dance
If she won’t be slave, we say that she don’t love us
If she’s real, we say she’s trying to be a man
While putting her down we pretend that she is above us

Woman is the nigger of the world…yes she is
If you don’t belive me take a look to the one you’re with
Woman is the slaves of the slaves
Ah yeah…better screem about it

We make her bear and raise our children
And then we leave her flat for being a fat old mother then
We tell her home is the only place she would be
Then we complain that she’s too unworldly to be our friend

Woman is the nigger of the world…yes she is
If you don’t belive me take a look to the one you’re with
Woman is the slaves of the slaves
Yeah (think about it)

We insult her everyday on TV
And wonder why she has no guts or confidence
When she’s young we kill her will to be free
While telling her not to be so smart we put her down for being so dumb

Woman is the nigger of the world…yes she is
If you don’t belive me take a look to the one you’re with
Woman is the slaves of the slaves
Yes she is…if you belive me, you better screem about it.

We make her paint her face and dance
We make her paint her face and dance
We make her paint her face and dance

Ouça a versão ao vivo no Chatô das Fridas

-Monix-

Contra o “carro das mulheres”

Quinta-feira, Março 06, 2008

Para Bia

Desde 2006 há aqui no Rio uma lei estadual que dedica vagões do metrô e dos trens para as mulheres, no horário de pico (sem trocadilho). Embora possa soar positiva num primeiro momento, a medida é, no mínimo, conservadora, porque não combate a prática de homens que molestam mulheres em transportes públicos. Apenas separa e segrega, e não se fala mais nisso.

Interessante esta maneira de “proteção” das mulheres: mesmo representando 49% do total de passageiros, segundo a própria empresa, as mulheres devem ser confinadas em dois vagões para que sejam resguardadas dos tarados – que permanecem com 80% dos carros à disposição. Guardam as mulheres como se fossem elas as ameaças, e não as ameaçadas; as vítimas são punidas pelo mau comportamento dos agressores.

O mais grave, na minha opinião, é que a lei e a forma de sua execução não rompem com o que lhe deu origem, que é o comportamento abusivo, intimidador e agressivo de certos homens. A voz asséptica do Metrô informa que “o carro das mulheres é uma questão de cidadania”, do mesmo modo e tom que lembra da importância de dar lugar aos idosos, mas não se trata da mesma coisa! Cede-se lugar aos mais velhos por gentileza, mas reservam-se vagões exclusivos para mulheres porque elas sofrem abusos, porque alguns homens sentem-se no direito de assediar uma mulher independente da aceitação dela ou não. E porque às mulheres não é dado apoio ou incentivo para denunciar esses atos. Ao contrário: muitas de nós, eu entre essas, somos educadas para evitar confusão, simplesmente “sair de perto”, “não criar caso”.

O Alex Castro desmontou muito bem esta inversão na qual quem denuncia a falta confunde-se com o faltoso. Então eu estou bem no meu canto, o cara vem, passa a mão em mim, eu chamo a polícia e sou eu quem crio caso? Por isso me irrita sempre e muito esse slogan “carro das mulheres: uma questão de cidadania”. Cidadania tem que passar por educação e observância de direitos. Temos que educar nossos filhos e filhas para o absurdo que é invadir o espaço de outra pessoa, e incentivá-los denunciar quando os limites forem ultrapassados. Mas quero também que o Metrô faça cartazes, dê panfletos e diga nos alto-falantes a seguinte orientação: “Se você, mulher, se sentir incomodada ou ameaçada pelo comportamento de outro passageiro, procure a segurança do Metrô, estamos aqui para servi-la”.

Pois eu não entro no carro das mulheres. Porque o meu direito de ir e vir tem que ser respeitado em qualquer lugar que eu ocupe. Porque me recuso a ser confinada. Porque o que é preciso é ter respaldo e apoio para poder apontar o dedo na cara do filho da puta que alguma maneira abusar de mim, porque nada dá a ele esse direito. E esse tipo de abuso só vai parar quando não houver mais silêncio, mas grita e justiça. E cada mulher que denuncia um abuso, de qualquer grau ou espécie, está minando essa cultura sórdida que acha que “isso é normal” e que “é melhor não criar caso, que pega mal”. Cada mulher que fala está recusando o lugar de vítima passiva para ocupar o de sujeito de sua própria história. E cada uma que tem essa coragem fortalece a todas nós.

Helê
PS: E a idéia, infelizmente, já se espalhou: o Le Monde noticou um ônibus na cidade do México também exclusivo para mulheres.

Antipatia não é quase desamor

Março 06, 2008

Não é que eu costume consumir açúcar refinado (item que poderia ser dispensado da minha lista de compras, não fosse a existência da babá-que-dorme), mas sinto uma certa nostalgia de ter uma vizinha a quem recorrer quando falta um ingrediente vital para aquela receita. Ou, no mínimo, alguém para dizer bom dia, perguntar como vão as crianças, comentar sobre o vazamento na garagem ou a demissão do porteiro rabugento.
Uma das minhas frustrações da vida adulta (ou seria da vida de dona de casa?) é não conseguir estabelecer contato com meus vizinhos. Eu não sou uma pessoa lá muito sociável, isso não sou mesmo. Tenho uma enorme dificuldade de cumprimentar, tentar estabelecer contato. Daí que a cada vez que me mudo é a mesma coisa: os desconhecidos com quem compartilho as áreas comuns do prédio ao mesmo tempo me intimidam, me assustam e me atraem. Eu queria muito ser aquele tipo de pessoa que fica amiga de vizinhos de andar (e o mesmo se aplica aos pais de coleguinhas de escola do filho), mas, definitivamente, eu não sou.
Às vezes a antipatia é um dom involuntário.

-Monix-

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