A falha do Zuenir

Acho que fez bem em ir à televisão, embora devesse ter raspado a cabeça. Aquele cabelo bombril parecendo tingido me fez entender o que ele disse uma vez, causando polêmica – que tinha “cabelo ruim”. Zuenir Ventura, “A falha do Ronaldo”, O Globo, 07/05/08, pag. 7

Ok, eu nunca considerei o Zuenir nenhum ativista pela igualdade racial, nem acho que ele tenha que sê-lo mas, pelamordedeus! Esperava que ele tivesse inteligência suficiente para não fazer um comentário absolutamente preconceituoso como esse. Sim, porque eu não espero que as pessoas não sejam preconceituosas, mas exijo que elas não exponham ou propaguem seus preconceitos, especialmente num jornal. Que decepção!

Descobri essa pérola do jornalista no blogue Palavra Sinistra e fui conferir o artigo* pra ver se não havia nenhum mal-entendido – e infelizmente não há. A frase é exatamente essa, dita assim, como se fosse a coisa mais natural do mundo e pertinente à discussão. O Rolo disse tudo lá no Palavra, eu só tenho a acrescentar que esse caso do Ronaldo foi uma oportunidade exemplar para observar um leque de preconceitos: sexuais, sociais e, last but not least, raciais também.

Uma canção pro Zuenir: Respeitem meu cabelos, brancos, do Chico César.

Helê

*O Globo mantém o texto disponível gratuitamente por sete dias, no Arquivo Premium.

De dentro dos muros

Zona do Crime é uma alegoria, ainda que bastante verossímil, sobre o que perdemos quando abrimos mão, voluntariamente, das conquistas obtidas a partir de sucessivos pactos sociais elaborados ao longo dos séculos: as instituições, a lei e a ordem estabelecida (termos que vêm saindo de moda em velocidade assustadora), o Estado de Direito. Construir muros altos para impedir o mundo exterior de entrar pode se transformar numa armadilha. Em nome de nos mantermos seguros contra o que vem de fora, talvez estejamos nos transformando em carcereiros de nós mesmos. E pode chegar o dia em que o portão do condomínio fique fechado tanto para quem quer entrar quanto para quem quer sair – um efeito colateral indesejado, mas não de todo imprevisível.

***

Não sei se essa divagação faz sentido para quem não assistiu o filme.  Na dúvida, assista.

-Monix-

A propósito do mesmo tema, o filme faz uma bela dobradinha com o Amor Líquido do Zigmunt Bauman (livro que ganhei de presente da sempre constante Ana Paula).
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