Geopolítica da cidade

Tá na capa da revista do Globo deste domingo: o cineasta Breno Silveira está lançando um filme sobre “uma história de amor entre uma garota rica de Ipanema e um menino da favela do Cantagalo” (cito a reportagem de capa). A revista foi atrás de casais da vida real que vivem situações semelhantes à mostrada no filme. Na capa, um dos pares posa para uma foto tirada pelo diretor do filme, e a legenda explica: “o cineasta fotografa casais que inspiram sua nova história, como Anderson, do Morro do Cantagalo, e Natasha, de Copacabana”.

Bom, até a última vez que eu conferi, o Morro do Cantagalo ficava em Copacabana, mas, sei lá, vai ver que mudaram de lugar e eu não fui avisada.

São pequenas coisas, como essa, que reforçam os estereótipos. Claro que não acredito que os editores da revista estejam mal intencionados. Jornalistas são apenas humanos, e reproduzem clichês, preconceitos, enfim, o espírito do tempo, como, de resto, todos nós (sendo eu mesma uma jornalista, sei bem o quanto isso é verdadeiro). Mas o fato de compreender que é natural que se diga desta forma não me impede de identificar o problema, e nem de falar sobre ele. Falar já é um começo, embora não seja um fim em si mesmo.

-Monix-

 

Anúncios

Julices para quem precisa

Ela é uma usina de situações dignas de registro, mas participar delas ocupa boa parte do meu tempo. Mas antes tarde que (vocês conhecem o resto…): tem julices fresquinhas no ar.

Para quem não sabe:

Julice
s.f.: ato, comportamento ou dito próprio da Júlia que expressa sua percepção da natureza, da condição humana, ou do que lhe der na telha. Em geral, busca entender ou explicar o mundo. Ou apenas observá-lo. Ou somente divertir-se.

Helê

%d bloggers like this: