O jantar chinês

Ontem tive uma experiência gastronômica que foi quase cinematográfica.

O restaurante, Mr. Lam, foi inaugurado pelo Eike Batista, o homem mais rico do Brasil. Nas horas vagas entre um empreendimento bilionário e outro, ele resolveu trazer seu ‘chef’ de estimação de NY até o Rio:

“Certa vez, em Nova York, Mr. Lam ficou intrigado com a repetida quantidade de ‘Chicken Satay’ que ia para mesa de um cliente e quis conhecê-lo. Foi o seu primeiro contato com o empresário Eike Batista: ‘Ele faz a melhor comida do mundo’, resume Eike que, há tempos, sonhava em trazer Mr.Lam para o Rio. As conversas começaram há alguns anos, mas só foram adiante depois de uma visita do chef à cidade: ‘Só daria certo se ele gostasse daqui’, conta Eike.”

O Mr. Lam foi construído na beira da Lagoa e é lindo de ver já pelo lado de fora: um quadrado quase mágico, todo iluminado, com vermelhos e amarelos se mostrando para quem passa. O ambiente é super luxuoso mas com elegância, sem exageros. Lá dentro tem dois guerreiros de terracota, peças de colecionador.

O bom desses restaurantes chiques é que os garçons são invisíveis. Aí, de repente, quando você começa a pensar em precisar deles, zupt! eis que se materializa um do seu lado, com a garrafa de água já enchendo seu copo meio vazio.

Pedimos o menu degustação+Crispy Duck. Era assim: primeiro quatro entradas, depois um prato à escolha e finalmente o pato crocante, para encerrar. Tudo para  ser comido à moda oriental, ou seja, muitas vezes com as mãos e sempre lentamente, calmamente, saboreando cada pedacinho tanto quanto cada momento da refeição.

As entradas:

“Sqwab
Uma das mais tradicionais criações de Mr. Lam, que há 40 anos surpreende seus clientes com esse prato. Você mesmo faz seus enroladinhos com cubos de frango finamente cortados e temperados, alface e molho escuro de Mr. Lam”


O garçom traz à mesa folhas de alface americana, um molho tipo teryaki, um franguinho cortado em pedaços mínimos, quase moído, com um tempero delicioso. Aí vem junto o…

“Gambie
Verdinhas, crocantes, sequinhas e acompanhadas de castanhas de caju doces e apimentadas”

Essa é uma couve fininha, frita no óleo, bem crocante (não é como a couve mineira refogada não, é tipo um chips de couve, só que em formato de batata palha). E as castanhas de caju são um caso à parte: tem gosto doce e picante ao mesmo tempo. Aí o garçom ensina a fazer o rolinho: uma folha de alface no prato. Um bocadinho de frango, um pouquinho de couve. E o molho por cima. Enrola e come, com as mãos. É de chorar de bom.

Mas não pensem que acabou, ainda tem mais duas entradas.

“Satay de Frango
Tradicionais “espetinhos” orientais de frango acompanhados do secretíssimo molho de Mr. Lam”

Esse é o tal que o Eike Batista pedia sem parar e chamou a atenção do Mr. Lam. Não é à toa. Se eu fosse bilionária também ia querer contratar o cozinheiro pra fazer isso pra mim todos os dias. O molho secretíssimo consiste em creme de leite misturado com pasta de amendoim (lembrei da Danicá!). Isso por cima do frango levemente apimentado é dos deuses. Não dá nem pra descrever de tão bom.

E pra arrematar as entradas, dois rolinhos primavera, coitadinhos, deliciosos mas ligeiramente ofuscados por essa orgia gastronômica – que, aliás, estava apenas começando.

Prato principal:

“Mr. Batista’s Prawns
Camarões com molho agridoce transparente de nove especiarias, levemente picante”

O molho agridoce na verdade é um empanado meio picante, delicioso. E a cobertura do empanado é transparente mesmo, quer dizer, além de gostoso o camarão é lindo. O acompanhamento é arroz colorido (que também vem com camarões, ainda que um pouco menores) e uma vagem francesa – aquela redondinha – super crocante.

Finalmente:

“Crispy Duck
Meio pato crocante servido com cebolinhas verdes e pepinos finamente fatiados, panquequinhas e molho. Faça você mesmo seus cones, para se deliciar com as mãos mesmo.”

Isso é uma comida divertida. É assim: vêm os garçons mostrando o pato preparado inteiro (quer dizer, o meio pato inteiro… vocês entenderam, né?). Aí eles avisam que vão desfiar o pato e já trazem de volta. Então eles mostram como fazer. Vem uma travessa de bambu coberta que se abre e revela uma pilha de pequenas panquecas cozidas no vapor. O garçom puxa uma panqueca finíssima com os hashis e põe no prato. No meio, um fiapo de molho escuro. Depois, as tirinhas de alho-poró e pepino que vêm numa travessinha à parte. Por fim, o pato desfiado. Enrola e come. Daí em diante, é por nossa conta. A verdade é que não dava mais para comer nada, mas ainda ficamos horas e horas enrolando panquequinhas e comendo mais pato.

Se algum dia eu voltar lá, nem precisa ser esse menu degustação completo, podemos pedir o simples. Ou não. Podemos ir num grupo de quatro e pedir o pato laqueado. 😉

Sobremesa: (ou vocês pensaram que íamos dispensar?)

“Mahjong de abacaxi
Abacaxi caramelizado a fogo e Tai Chi de caldas”

Eu nem vou tentar explicar isso. Vejam que coisa linda:

No final do jantar apareceu um dos cozinheiros, com chapéu de mestre-cuca e tudo, fazendo um tipo de malabarismo com uma massa nas mãos. Parecia mágica, com direito a uma mocinha assistente. De repente, começamos a olhar com mais atenção e notamos que a massa nas mãos do homem ia se fracionando em tiras, cada vez mais finas, sem que ele usasse nenhum tipo de faca ou molde! A cada virada, mais tirinhas! Até formar um incrível macarrão chinês.

Parecia um espetáculo de ilusionsimo, mas era culinária. Não é à toa que a abertura das Olimpíadas foi aquela coisa de louco, os caras treinam há milênios e em todas as áreas do conhecimento humano. 😉

Da próxima vez que vier ao Rio a Madame não pode perder.

-Monix-

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O quê

Eu não sou uma pessoa-bichos, nem mesmo uma pessoa-plantas. Tudo bem, uma flor bonita tem o seu valor, um gatinho fofo também é bonito de se ver. Mas o que eu gosto mesmo é de gente.

-Monix-

E você?

O que você tentaria fazer se soubesse que não iria falhar? (numa tradução livríssima 😉 )

Helê

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