Bebidas, bebedeiras e bebuns

Caminhava eu de Laranjeiras à Glória (como são poéticos certos bairros cariocas, não?). Mas eu dizia que caminhava para o trabalho hoje, após o almoço, tentando fazer a digestão – do almoço e da sessão de terapia. Foi então que no ipod Seu Wilson da Neves – ô sorte! – cantarolou no meu ouvido:

“Pra quem sempre bebe muito/vá devagar com esse andor

Sobretudo quando o assunto/geralmente envolve amor

É melhor que tu não brinques/porque o amor é enganador

Vale mais viver nos trinques/beber os seus drinques, ser mais moderador”.

Então lembrei de um projeto de lista musical que eu tenho já há algum tempo, sobre bebidas, bebedeiras e bebuns. Já tenho muitas coisas separadas, clássicos como “Eu bebo sim”, cantada pela explosiva combinação Elza Soares + Monobloco; e a “Turma do Funil”, do Chico, até coisas mais recentes como a “Saideira” do Skank.

Tema universal, pode ser encontrado em quase todos os gêneros musicais. É verdade que a cultura do samba compreende, acolhe e incentiva o beber, ação transformada em valorizado atributo (“Na minha casa todo mundo é bamba/todo mundo bebe, todo mundo samba”. Mas não há exclusividade: vamos da deliciosa “One bourbon, one scotch, one beer”, com John Lee Hooker, ao recentemente popular “Beber, cair e levantar”, que ultrapassou as fronteiras do forró não por outro motivo senão pela temática etílica. O rock brasilis não deixou de dar sua contribuição quando Cazuza confirmou: “Mais uma dose? É claro que eu tô a fim!”.

Mas o mais bacana em fazer estas listas é a colaboração de vocês. Descubro pérolas, reencontro músicas antigas, resgato obviedades esquecidas, surpreendo-me com canções inesperadas. Então eu fico por aqui, aguardando as sugestões de vocês de músicas em que a bebida e seu universo sejam o tema central.

Saúde!

Helê

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20 Respostas

  1. Ai, ui, só agora li a mensagem me chamando pra palpitar! Bora, meio atrasada, mas vamos lá, esta não pode faltar – Ébrio, do Vicente Celestino:

    “Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer
    Aquela ingrata que eu amava e que me abandonou
    Apedrejado pelas ruas vivo a sofrer
    Não tenho lar e nem parentes, tudo terminou
    Só nas tabernas é que encontro meu abrigo
    cada colega de infortúnio é um grande amigo
    Que embora tenham como eu seus sofrimentos
    Me aconselham e aliviam o meu tormento
    Já fui feliz e recebido com nobreza até
    Nadava em ouro e tinha alcova de cetim
    E a cada passo um grande amigo que depunha fé
    E nos parentes… confiava, sim!
    E hoje ao ver-me na miséria tudo vejo então
    O falso lar que amava e que a chorar deixei
    Cada parente, cada amigo, era um ladrão
    Me abandonaram e roubaram o que amei
    Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar
    Quando eu morrer, à minha campa nenhuma inscrição
    Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar
    Este ébrio triste e este triste coração
    Quero somente que na campa em que eu repousar
    Os ébrios loucos como eu venham depositar
    Os seus segredos ao meu derradeiro abrigo
    E suas lágrimas de dor ao peito amigo”

    A introdução também é ótima. 😉

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  2. Esta música sempre me vem à cabeça (inchada) nos days after das minhas raras ressacas, como neste último sábado, quando a koinonia gang me arrastou para o Beco do Rato para uma overdose de caipirinha. Saí de lá me sentindo o próprio roedor, guinchando e me esgueirando pelas vielas (parodiando mestre Sabino, “o rato sou eu”…). Pois bem, a música se chama “O sol também me levanta” (aí a paródia é com Hemingway) e é de um grupo cujo nome já é bandeiroso: Blues Etílicos. Lá vai a letra:

    “O sol me acorda
    Ainda é cedo
    Eu fico logo de mau humor
    A minha cabeça tá rodando
    De onde é que vem esse tambor?
    É de manhã, e eu tô numa ressaca
    Eu me arrasto até o banheiro
    Me sentindo enjoado
    Enfio a cara no chuveiro
    Nessas horas eu digo pra mim mesmo
    Que nunca mais eu vou beber
    Mas vem caindo a tardinha
    Preparo outra caipirinha”

    Realmente, Chris, esse pessoal de Koinonia, com essa história de ecumenismo, acha que a gente de que beber todas, aí já viu, né? Se bem que, se eu bem em lembro, quem pediu as caipirinhas foi voc…Ah, deixa pra lá, eu não me lembro bem de nada, hahaha!
    Ó, gracias, mas essa já estava na lista, o Zé, de Sampa, havia me apresentado. É perfeita pra ressaca – se é que tem algo perfeito pra isso, além de uma cerva beeem gelada…
    Beijoca!
    Helê

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  3. para não dizerem que não contribui (e sabendo do destino de um certo alguém eheheheh)

    Numa casa portuguesa fica bem
    pão e vinho sobre a mesa.
    Quando à porta humildemente bate alguém,
    senta-se à mesa co’a gente.

    Quatro paredes caiadas,
    um cheirinho à alecrim,
    um cacho de uvas doiradas,
    duas rosas num jardim,

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  4. Tem uma ótima do Offspring, The worst hangover ever, que descreve a ressaca como ninguém.

    went out drinking late last night, i had a blast.
    but now the morning light has come and kicked my ass.

    i’ve got the worst hangover ever
    i’m crawling to the bathroom again
    it hurts so bad that i’m never gonna drink again

    and by my seventh shot i was invincible
    i would have never thought i’d be this miserable

    i’ve got the worst hangover ever
    i’m rolling back and forth on the bad
    i’m worked so bad that i’m never gonna drink again

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  5. opa! Whiskey in the Jar com o Metallica, ou no original com o Thin Lizzy! cheers!

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  6. “põe meia dúzia de Brahma pra gelar
    muda a roupa de cama
    eu tô voltando…” (Simone)

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  7. Mais uma…

    “Você pensa que cachaça é água
    Cachaça não é água, não
    Cachaça vem do alambique
    E água vem do Ribeirão”

    E outra (não sei de quem é, mas foi interpretada pela Elis)

    “Beber pra esquecer é teimosia
    Hoje muito whisky, muita alegria,
    Amanhã ressaca, saco de gelo
    O bar não é doutor que cure a dor de cotovelo

    A dor pra curar não tem receita
    É corcunda que se deita
    Sem achar a posição
    E sentir saudade não faz mal
    Não é no fundo do copo
    Que você vai encontrar sua moral”

    E chega que já tô ficando com fama de pinguça.

    Beijos

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  8. “Dona Esponja esculacha, bebe mais de cinco caixas…”
    “dona esponja” – Zeca Pagodinho
    .
    .
    .
    “… depois do terceiro ou quarto copo
    tudo o que vier eu topo
    tudo o que vier
    vem bem…”
    “paixão” – Kleiton e Kledir

    🙂

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  9. Tia, como você já sabe qual é minha contribuição ela deixa de ser uma contribuição e passa a ser um lembrete, sabe aquela??

    Aqueeeeeeeeeeeeela!

    Para os que não foram apresentados, The zutons, “It’s The Little Things We Do”.

    A temática é a mesma, porém a musica foca na pior parte, a ressaca e tem um ritimo contagiante e uma letra muito divertida!

    “Well i woke this morning with a tear drop in my eye
    Because last night it fell like the best night of my life
    Now there’s something that is wrong rotting my insides
    And i don’t understand why my brain wants to die
    I had women, wine, party time and everything that mattered
    And when i woke up today you know my brain was all in tatters
    I had bits of my lungs shrapnel glass and cigarettes for breakfast
    And my lips are blue, my toes are numb and i think i’ve got the shivers”

    Trecho pra quem entendo um pouquinho de inglês!

    Baixem a musica, baixem todas as dos zutons e divirtam-se!

    Bjinhos tia!

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  10. E tem aquela que a Elis cantava, do band-aid no calcanhar:

    “Eu hoje me embriagando
    de uísque com guaraná…
    ouvi sua voz murmurando,
    são dois pra lá, dois pra cá”

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  11. Uia, vc esqueceu o clássico dos clássicos do cancioneiro popular brasileiro, imortalizada pela inesquecível Rainha do Rádio, Inezita Barroso:

    Com a marvada pinga
    É que eu me atrapaio
    Eu entro na venda e já dou meu taio
    Pego no copo e dali nun saio
    Ali memo eu bebo
    Ali memo eu caio
    Só pra carregar é que eu dô trabaio
    Oi lá
    Venho da cidade e já venho cantando
    Trago um garrafão que venho chupando
    Venho pros caminho, venho trupicando, xifrando os barranco, venho cambetiando
    E no lugar que eu caio já fico roncando
    Oi lá
    O marido me disse, ele me falo: “largue de bebê, peço por favô”
    Prosa de homem nunca dei valô
    Bebo com o sor quente pra esfriar o calô
    E bebo de noite é prá fazê suadô
    Oi lá
    Cada vez que eu caio, caio deferente
    Meaço pá trás e caio pá frente, caio devagar, caio de repente, vô de corrupio, vô deretamente
    Mas sendo de pinga, eu caio contente
    Oi lá
    Pego o garrafão e já balanceio que é pá mor de vê se tá mesmo cheio
    Não bebo de vez porque acho feio
    No primeiro gorpe chego inté no meio
    No segundo trago é que eu desvazeio
    Oi lá
    Eu bebo da pinga porque gosto dela
    Eu bebo da branca, bebo da amarela
    Bebo nos copo, bebo na tijela
    E bebo temperada com cravo e canela
    Seja quarqué tempo, vai pinga na guela
    Oi lá
    Ê marvada pinga!
    Eu fui numa festa no Rio Tietê
    Eu lá fui chegando no amanhecê
    Já me dero pinga pra mim bebê
    Já me dero pinga pra mim bebê e tava sem fervê
    Eu bebi demais e fiquei mamada
    Eu cai no chão e fiquei deitada
    Ai eu fui prá casa de braço dado
    Ai de braço dado, ai com dois sordado
    Ai muito obrigado!

    Essa eu conheci na peça do Pedro Paulo Rangel, Soppa de Letra, é maravilhosa. Tenho com Pena Branca e Xavantinho, Meg.
    Beijo!
    H.

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  12. Esse é o trecho mais bonito, de uma das músicas mais bonitas dele, q é tb uma das minhas músicas preferidas no mundo todo:
    “Eu bato o portão sem fazer alarde
    Eu levo a carteira de identidade
    Uma saideira, muita saudade
    E a leve impressão de que já vou tarde.”
    (Trocando em miúdos – Chico Buarque e Francis Hime)
    Chega encher os olhos de lágrimas de tão lindo…
    beijos

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  13. “E nessa casa tem goteita
    Pinga ni mim, pinga ni mim, pinga ni mim”

    “Bota mais um limão, qui qui qui qui qui qui você fica bão”

    : )

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  14. Hoje eu vou tomar um porre
    Não me socorre, que eu tô feliz
    e nessa eu vou de bar em bar
    vivendo a vida, que eu sou feliz, feliz.
    Garçon, garçon, bota uma cerva bem gelada aqui na mesa.
    Que bom, que bom, minha alegria deu um baile na tristeza ……

    (Hino do Mengão) rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs.

    Isso, Lau, é disso que eu tô falando, da bebida como personagem central da música, ou bem significativo, não uma citação marginal, que assim a lista não teria fim.
    Beijos rubros e negros,
    Helê

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  15. É uma dessas que vc está me devendo, para que eu possa fechar o texto do decor. E seu amado marido colocar os galhos (ops!), para que eu possa fotografar… publicar… e fechar o botequim…

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  16. Sempre passo por aqui, mas agora não podia deixar de dar minha colaboração…

    “O álcool, o álcool, o álcool domina minha mente” (Hino do álcool – Gritando HC)

    “Estamos todos bêbados, bebados de cair” (Estamos todos bêbados – Matanza)

    Eu simplesmente amei “Estamos todos bêbados”, que parece um bando de piratas cantando. Definitivamente, eu gosto de Matanza, embora não tenha nada a ver comigo (coerência tem mas acabou, lembram?).
    Obrigada, Lidi!
    H.

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  17. .. Não saia do meu lado
    segure meu pierrot molhado
    e vamos embolar ladeira abaixo
    acho que a chuva ajuda a gente a se ver
    Venha, veja, deixa, beixa, seja
    o que deus quiser

    A gente se embala, se embola, se embola
    só para na porta da igreja

    A gente se olha, se beija, se molha
    De chuva, suor e cerveja…

    (Chuva, suor e cerveja – Caetano)

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  18. MANEIRAS…adoro esta música no DVD do Zeca Pagodinho:
    Se eu quiser fumar eu fumo
    Se eu quiser beber eu bebo
    Pago tudo que consumo com suor, do meu emprego…

    beijos!

    Adoro essa música, Suzi, a original e a gravação com o Rappa.
    bj,
    Helê

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  19. The no no song, Ringo star.
    É o exato oposto.
    I don’t wanna drink no more.
    Coisas de quem bebeu muito.

    Vou ouvir, Flávio, gracias pela dica.
    Beijo e boa viagem 😉
    Helê

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  20. OUTONO, do djavan, e tao sutil a referencia a bebida:

    Sedução, frenesi, sinto voce assim
    Sensual, árvore, espécie escolhida pra ser a mão do ouro
    O Outono traduzir, viver o esplendor em si….

    Sua pele um Bourbon, me aquece como eu quero
    Swett Home, gostar é atual
    Além de ser tão bom

    OUTONO – DJAVAN

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