(Pre)Conceitos

A sócia estava além-mar e eu fora do ar, então só nesta semana ela me mostrou o texto que o Marcos VP escreveu sobre o lançamento do livro da Fal. Ele aproveitou a oportunidade para dar uma espetada nas motherns, o implicante: elogia a Monix por ser a exceção que confirma a regra que diz que mothern não gosta de criança (!).

Eu não sei de onde você tirou essa idéia, VP, mas a experiência com La Otra deveria abrir seus olhos e seu coração.  Já pensou se ela não é nem regra nem exceção e você está fazendo apenas um juízo apressado? Mais ou menos como as pessoas podem fazer lendo seus textos e surpreendendo-se ao lhe conhecer, como você afirma, no mesmo post.

Você parece ser um bom pai, VP, mas nunca foi mulher – não que eu saiba -,  e por isso não tem como dimensionar o tamanho e peso do Mito da Maternidade. Segundo ele, os filhos justificam os meios: ser mãe é a realização suprema e única para uma mulher. E disso nós, motherns, discordamos. Daí a deduzir que não gostamos de criança…

E mais: pode haver entre nós quem não goste de criança – e entre vós também :-) . Filho e criança não são sinônimos, e uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra, como já disse o destemido e perspicaz Alex Castro. Como diz a propaganda, VP, está na hora de rever seus conceitos.

Ou não.

Helê

Update da Monix: o post que deu origem à resposta pode ser lido aqui.

9 Respostas

  1. […] sobre o Mito da Maternidade (que já foi tema de um post nosso no blogue antigo) começou com uma resposta da Helê ao sempre polêmico Marcos VP: Você parece ser um bom pai, VP, mas nunca foi mulher – não que eu […]

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  2. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
    Eu li o tal do texto (valeu, Fridas!).

    Sinceramente? A única relevância, ali, foi “a Monix é tão simpática e tão docinho”.

    O resto, no bom português: waste of time. hehehe…

    Beijos

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  3. Fiquei um pouco ofendida com o comentário dele. A carapuça não me serviu de jeito nenhum, já que gosto das minhas filhas E de crianças em geral.

    A justificativa dele é:
    “é pelo simples fato de que sempre que eu vejo uma mothern escrevendo sobre um momento feliz ou uma conquista, ou algo que lhes deu motivos para escrever, esse motivo nunca é o próprio filho.”

    Bem, parece que o Marcos não lê muitos blogs motherns, ou não com muita frequência, ou não os mesmos que eu, porque os que leio são cheios de referências felizes às conquistas dos pequenos, casos divertidos, engraçados, cenas amorosas, etc.

    Mas o fato é que conquistas profissionais, por exemplo, são mais raras quando se tem filhos pequenos. Portanto devem ser muito comemoradas. Ficar feliz e chorar de alegria quando o filhote dá os primeiros passinhos é comum a todas, por isso mesmo talvez se escreva menos a respeito. Conseguir entrar no doutorado ainda amamentando o nenén, é algo que poucas vezes se consegue.

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  4. “Você parece ser um bom pai, VP, mas nunca foi mulher – não que eu saiba” – hahaha, muito bom. De resto, adorei esse insight de que filho e criança não são sinônimos. Tão óbvio que eu nunca tinha pensado nisso. Não conheço o VP nem o blog dele, mas achei o comentário que ele fez um equívoco de cabo a rabo. Eu achei que nunca diria isso, porque é um não-argumento, mas, na boa, tem muitas, muitas coisas sobre ter filhos que simplesmente não dá para fazer os homens entenderem. E a culpa não é nossa!
    Beijos pras Fridas!

    Beijão, Anna. Eu só me dei ao trabalho de respondê-lo pra poder atacar mais uma vez o MM e por causa dessa sacada genial do Alex, sobre ter filhos x gostar de criança. Quando li tb tive a mesma impressão que vc, é óbvio mas eu não tinha me dado conta. Bitoca na Matilde.
    Helê

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  5. Claro que as motherns colocam a maternidade em primeiro lugar, mas fazem questão de que o resto, como a diversão e a realização profissional, por exemplo, não deixe de ter também um lugar importante na vida delas, mesmo que não seja mais o primeiro!

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  6. Mothern não é sinônimo de mãe irresponsável e omissa, VP. Se o Mothern não é essencialmente sobre filho, não sei sobre o que é, então. Porque por mais que estejam lá retratados, além da maternidade, temas que envolvem a mulher e tudo que a cerca, em última instância aquilo não existiria se não fosse a dor e a delícia de ser mãe, de ter um filho.
    procure conhecer mais motherns pessoalmente, antes de generalizar.
    abraço

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  7. E-mail pras Fridas.

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  8. Caraca, o que eu perdi???

    Cadê o(s) texto(s)?

    Bjs confusos
    Idalenajara – também mãe, também separada, também tudo isso aê (de tudo).

    Ida, incluí o link para o post do Marcos, dá uma olhada lá. Bjs, Monix

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  9. Olá, queridíssima. Bom, eis-me citado e – conseqüentemente – chamado a defender-me.

    Eu lhe explico em poucas palavras o porque de eu achar que as motherns não gostam de crianças: é pelo simples fato de que sempre que eu vejo uma mothern escrevendo sobre um momento feliz ou uma conquista, ou algo que lhes deu motivos para escrever, esse motivo nunca é o próprio filho. Mais: esse motivo é sempre algum momento da vida em que ela conseguiu se divertir ou conquistar algo fora dessa coisa que para elas parece pesadíssima, como você mesmo citou, que é a maternidade. Ou melhor, talvez, as obrigações da maternidade.

    Nessas horas, eu sou obrigado a comparar o mother way of think com minha própria vida e a da Thania, ela mesmo autodefinida uma “anti-mothern”. E a conclusão que eu chego é uma só: a maternidade parece ter caído no colo das mothern contra suas vontades. Ou por acidente, ou por ignorância (do tipo: ah, eu era louca para ter filho mas não imaginava o trabalho que dá…) ou por convenção social.

    Por exemplo, eu e a Thania tivemos um filho por acidente. Eu já tinha uma filha e me separei da minha primeira mulher quando ela tinha apenas 5 meses. Monstruoso? bom, depois de sete anos, e vendo como eles cresceram, posso dizer que uma coisa foi primordial para que hoje, eles sejam filhos ótimos, irmãos amorosos e crianças bem resolvidas: o fato de que a minha atitude diante deles foi a de dedicar a prioridade da minha vida a eles. E sabe? eu não deixei de viajar, ou de sair, ou de ter meus hobbies ou de ler meus livros. Apenas pus essas coisas no plano onde elas deveriam estar: em segundo lugar. Meu maior prazer na vida é ter meus filhos por perto e vê-los crescer e se desenvolver. E também esperar o dia em que eles crescerem e forem cada um para seu lado. Nesse dia, com meus cinqüenta e poucos, eu vou retormar, com toda a alegria, meus prazeres individuais e de casal com minha companheira. E será outro momento ótimo de minha vida, como o momento que vivo hoje também o é.

    Mas, enfim, esse é meu modo de ver as coisas. Posso estar redondamente enganado sim, caríssima, em relação às mothern. Se você encontrar por aí algum post ou texto de mothern que me remeta a essa entrega diante dos filhos, me mande e eu prometo me retratar. Contudo, não lembro de ter visto nada parecido, nem em blogs, nem na televisão.

    De qualquer modo, entenda só uma última coisa: não sou aqui um arauto anti-mothern, com a intenção de desmascarar ou destruir o que quer que seja. A Monix percebeu que isso é apenas uma implicância. No fundo, querendo ou não, mal ou bem, de um jeito ou de outro, somos todos companheiros nessa insólita e maravilhosa jornada de ter filhos. Abs.

    Caríssimo, mas o que é preciso entender é o seguinte: ter filhos é uma coisa, gostar de crianças é outra, completamente diferente, hahaha
    Bjs, Monix

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