Não quero mais nada que me machuque

Esta é a campanha em andamento aqui em casa. Conseqüência imediata: menos três pares de sapatos que me apertavam, já havia algum tempo.

Em minha defesa alego que eram sapatos fechados, do tipo que eu uso pouco. Contra mim admito que não há razão lógica para crer que o sapato que incomodou hoje será confortável daqui a seis meses. No entanto esses pares persistiram, de estação em estação, até a atual revolta.

Porque, veja bem, apesar de ilógico, esse comportamento se mostrou quase um padrão. E o pior, um padrão coletivo, se vc entender as Duas Fridas como amostragem suficiente para o adjetivo. Quando contei pra Monix da campanha ela riu de mim e dela, pois confessou agir de modo semelhante. Será o que isso, gente? Culpa cristã? Anti-consumismo desenfreado? Cacoete de gênero, fruto da iniciação precoce das mulheres nos rituais sacrificiais da depilação, retirada de cutícula, chapinha e outras crueldades banalizadas?

Eu não sei, cara, mas por algum motivo ainda obscuro a gente fica dando chance pra um sapato (!?!), com pudores de jogar fora ou doar pra alguém. Não sem antes insistir,  tentar  superar o incômodo  até o limite – pra só então, com uma reluzente bolha  no dedinho, concluir:  “É, não dá mais”.

Enquanto tento entender esse comportamento bizarro,  sigo na campanha e abro espaço na sapateira – meus pés agradecem.

Helê

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