Não quero mais nada que me machuque

Esta é a campanha em andamento aqui em casa. Conseqüência imediata: menos três pares de sapatos que me apertavam, já havia algum tempo.

Em minha defesa alego que eram sapatos fechados, do tipo que eu uso pouco. Contra mim admito que não há razão lógica para crer que o sapato que incomodou hoje será confortável daqui a seis meses. No entanto esses pares persistiram, de estação em estação, até a atual revolta.

Porque, veja bem, apesar de ilógico, esse comportamento se mostrou quase um padrão. E o pior, um padrão coletivo, se vc entender as Duas Fridas como amostragem suficiente para o adjetivo. Quando contei pra Monix da campanha ela riu de mim e dela, pois confessou agir de modo semelhante. Será o que isso, gente? Culpa cristã? Anti-consumismo desenfreado? Cacoete de gênero, fruto da iniciação precoce das mulheres nos rituais sacrificiais da depilação, retirada de cutícula, chapinha e outras crueldades banalizadas?

Eu não sei, cara, mas por algum motivo ainda obscuro a gente fica dando chance pra um sapato (!?!), com pudores de jogar fora ou doar pra alguém. Não sem antes insistir,  tentar  superar o incômodo  até o limite – pra só então, com uma reluzente bolha  no dedinho, concluir:  “É, não dá mais”.

Enquanto tento entender esse comportamento bizarro,  sigo na campanha e abro espaço na sapateira – meus pés agradecem.

Helê

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18 Respostas

  1. Reblogged this on Duas Fridas and commented:

    Este é um dos posts que eu mais gosto de ter escrito e achei que valia a pena republicar (também queria ver como funciona esta função).

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  2. Caríssimas,
    aderinda a campanha de imediato!
    abaixo todas as coisa, sentimentos e pessoas que machucam!
    tks pela dica e insentivo!
    de Santos para voces

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  3. […] de dezembro By ::Fer:: Inspirada por este post da Helê e pela vontade de tirar da vista tudo que não serve encarei ontem 2 gavetões de sapatos (saldo: […]

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  4. eu odeio sapatos que machucam pezinhos, deviam ser proibidos, mas….

    eu jamais me livraria de tudo o que me machuca, pq as coisas que mais me machucam tb sao as que mais me dao prazer… as mulheres q eu mais amei e que mais me amaram foram as que mais me machucaram… existe esse amor sem dor? a dor sem amor?

    complicado. mas eu prefiro ficar com tudo.

    Alex, para mim “doer” é diferente de “machucar”. (Até porque machucar implica numa intencionalidade que doer nem sempre carrega. E obviamente aqui não estamos falando de sapatos.) Bjs, Monix

    Alex, dear, eu devia falar nada porque mi sócia falou melhor que eu sobre mim mesma. Mas preciso acrescentar que essa sua fala lembra a máxima do “no pain no gain”, da qual eu duvido um pouco, sobretudo aplicada às relações. Pior: lembra uma coisa meio religiosa (cristã?) de que sofrimento e felicidade precisar esta acompanhados e, no limite, só se alcança a segunda passando pela primeira. Sei não.
    Beijo, Helê

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  5. Excelente campanha. Para mim esses sapatos serem considerados bonitos ou elegantes é um mistério. Esses de bico finíssimo, então, que a mulher fica os pés 5 centímetros maiores para a frente, acho uma aberração.
    Nunca tive desses sapatos incômodos, pra ser sincera. Simplesmente não consigo comprá-los. Em outras palavras: tenho uma porção de tênis e pouquíssimos calçados de outros tipos, hehe.
    (14º comentário! As Fridas vão passar de ano, viva!)

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  6. Dois pares lindos! Duas sapatilhas uma azul de pelica e uma amarela de couro linda, linda, linda! 😦 Acabam meu calcanhar e destróem qualquer passeio… Dar? Nem tenho apego, dou tantas coisas… mas estas porcarias que a gente compra para usar e só consegue uma vez… ô enrolação! Não saem do armário.

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  7. Eu tenho dois pares que me machucam. Mas são tão lindos…

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  8. Ainda não consegui ! Tem um sapato que namorei durante um bom tempo numa loja famosa. Um dia, tomei coragem de comprar. Experimentei, e ele já estava machucando. Achei (tolinha) que era porque era fim do dia e meus pés estavam cansados… Pois bem, eles só me causam muito sofrimento. Já coloquei aquele spray que alarga o sapato e nada… Ainda dizem que é da linha confort. O problema é que mesmo assim, ainda não consegui me desfazer dele…
    bjs

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  9. Minhas Fridas prediletas: primeiro quero dizer que essa média 5 para pessoas tão prendadas é muito injusta e, já que houve, os culpados fomos nós; depois, para que três pares de sapados? Vou te contar, quando resolvi parar de trabalhar eu tinha 35 ternos, 8 blaisers, 40 camisas sociais e 18 pares de sapatos! E eu não sou centopéia! Hoje tenho um tenis social, outro para ir caminhar na praia e duas havaianas. E mais, se não uso uma roupa em 1 ano, desfaço-me dela. O mais é menos!
    E eu que pedi a voces para me recolocarem em contato com a Vera Guimarães e não fui atendido.
    E mais, o meu Blog do Alvarenga, acima indicado, entrou como VALE A PENA ACESSAR no Blog do Noblat e estou com uma média de 3000 (eu disse três mil) acessos diários!
    Beijos para as duas!

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  10. Ah, eu também faço isso, Helê! Mas, tenho treinado o desapego de tempos em tempos. Acho que é o feng shui que diz que quando você compra/ganha algo, tem que se desfazer de outro algo pra fazer a energia circular. Faxina djá! E também já me convenci que sapato apertado, por mais maravilhoso que seja, não vale a pena. Afinal, quem é que compra sapato pra ficar só sentado?
    Beijos!

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  11. Depende, Claudim… às vezes não tem álcool no mundo que faça ceder.

    Mais uma aqui precisando arrumar umas boas gavetas…

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  12. Se magoa, nem compro. Um dia uma atendente tentou me vender um sapato de salto que machucava com a desculpa de “ser mais elegante”. Troco: “Qualquer sapato só fica elegante se eu conseguir continuar a sorrir. Com dor no pé fico insuportável, e dançar fica fora de questão”. Quanto aos motivos obscuros que fazem dar chance a um sapato, lembrei logo do início do filme “La flor de mi secreto”, do Almodovar. Impagável Léo e as botas apertadas… Beijos

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  13. e eu que tenho um que quando uso preciso por band aid em TODOS os dedos e em alguns mais de um curativo, mas ele é tão macio que me dá dó me desfazer e band aid é tão baratinho 🙂

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  14. Tenho que aderir a campanha. Antes que eu vá pras cucuias (tá, eu misturei as blogueiras. Mas continuas valendo, pois nenhuma das duas (ops! Três) são dispensáveis.

    Quanto ao sapato (fechados) acho que tem o truque de enchê-lo com papel embebido em álcool e ele cede. Mas se machuca o dedinho… fora.

    Mais uma corrida? Parabéns! Para a pupila também. eheheheh

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  15. Hele, tenho uns 3 pares lá no armário…vou doar tudo, está decidido. 🙂
    E a calça que não tem um caimento tão legal, mas vc jura que um dia vai emagrecer ou engordar o suficiente para aproveitá-la….e por aí vai.
    pior que isso só mesmo gente que não vale a pena e que mesmo assim continua lá, na lista das pessoas que vc releva só mais um pouquinho. esses são como sapato apertado.
    já aderi a campanha!
    bj

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  16. Eu acho que é apego material. Ommmm…
    Sério. Parece que eu estou mais preocupada em fazer valer meu dinheiro do que em preservar meus pobres pés. ninguém merece.

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  17. Sugiro que você recolha os três pares, leve na loja de sapatos e esfregue na cara da vendedora/do vendedor que te garantiu que “com o tempo, ele cederia”. Todos os vendedores de sapato falam isto. E todo comprador – as compradoras, especialmente – acredita, porque, no fundo, o cliente quer mesmo é ser enganado… Mas, de qualquer forma, é sempre bom fugir de tudo que machuca a gente, não é mesmo?

    Sim, Chris. You’ve got it 🙂
    Abração,
    Helê

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