O futuro você

Tentei fazer uma retrospectiva de 2008 durante todo esse mês, como fez minha Sócia, mas não pude. Problemas com a matéria prima. Mesmo um bestófi como o da Monix eu não consegui – mas se eu tivesse que escolher apenas um post meu do ano passado seria Sobre Filhos (também conhecido nas internas como “O da pipa”. 😉 ).

Por outro lado, não pude deixar de pensar que o início do ano pode ser uma boa oportunidade para escrever uma mensagem para você mesmo, a ser lida no futuro – que pode ser mais ou menos distante, pode ser lido, por exemplo, em janeiro de 2010.

Pra quem achar a idéia boa, claro, já há um site pra isso: Future me.org. Pode ser um exercício desafiador e instigante. Acho que vou topar :-D. Conforme for eu mostro aqui no futuro.

Helê

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A lógica e a falta de

O namorado disse que é impossível para um homem “vencer” uma discussão com uma mulher, porque ele sempre irá esbarrar no limite da lógica, enquanto ela irá aonde quiser, sem se deter.
Vai ver ele estava certo. Mesmo assim eu ganhei. 😉
-Monix-

Corre que ainda dá tempo

A talentosíssima Sil Falqueto, que desenhou as Fridas estilizadas do nosso template, está fazendo coisas lindas e malavelolosas e não bastasse isso resolveu ficar generosa e inventou um tal de sorteio. Corram lá e deixem comentário neste post, de acordo com as regras que ela explica direitinho, e participem dessa oportunidade imperdível.

-Monix-

Ordem e pogreço

O prefeito novo está promovendo blitzen (ui, plural em alemão, gostaram?) e apreendendo carros em débito com o IPVA. Não tive tempo de ler nada sobre o assunto, mas fiquei sabendo que tem mais de 200 carros de luxo retidos até a regularização do imposto.
Querem saber? Achei bem feito.
Nunca pensei que fosse dizer isso, mas estou meio cansada de pagar os impostos em dia, cumprir todas as minhas obrigações cívicas (argh! quem sou eu? uma senhorinha conservadora, hahaha) e ver a cidade se degradando cada dia mais, sem que ninguém faça nada a respeito.

É como eu já disse antes:

Me sinto vivendo num território sem lei. O jeito meio irreverente de quem vive aqui virou desprezo pelas mínimas regras de civilidade. As pessoas não atravessam a rua (faixa de pedestres? O que é isso?), elas se jogam no meio dos carros, e salve-se quem puder. A seta é um item que só serve para fazer os carros serem reprovados na vistoria do Detran – isto é, quando o motorista em questão se dá ao trabalho de levar o carro para fazer a vistoria, o que nem sempre acontece. As calçadas são terra de ninguém: o camelô monta sua barraquinha, o lojista bota seu tapume e faz a obra (por tempo indeterminado), sem se dar conta de que está impedindo a passagem, os motoristas largam os carros, muitas vezes bloqueando as rampas dos deficientes físicos. Todo mundo buzina indiscriminadamente, de dia ou à noite, na frente de maternidades, hospitais. Os pais de alunos fazem fila dupla ou tripla para buscar seus pimpolhos na escola e dão aula de des-cidadania. É tanto caos que às vezes eu me pergunto como é que ainda não entramos em colapso. Ou vai ver o colapso já aconteceu e a gente simplesmente não percebeu, dada a enorme capacidade de adaptação do ser humano.

Continuo aguardando o Supercarioca.

-Monix-

Estados alterados da mente

Não há no mundo gente mais careta – no sentido químico – que eu e meu namorado. Mesmo assim cantamos os “estados alterados da mente” assistindo ao documentário Titãs – A Vida Até Parece uma Festa. Não posso falar por ele, mas, quanto a mim, me questiono sobre o fascínio que exercem os walks on the wild side. As vidas de artistas – ligeiramente ou muito – perturbados, ao mesmo tempo que me atraem, me assustam. Estou bastante satisfeita com a minha vidinha pequeno-burguesa. Aventura, para mim, é subir a trilha do Morro da Urca. Ousadia é programar uma viagem sem saber muito bem como pagar. Transgressão é estacionar em local proibido. Mas é importante eu saber que há um Pollock, um Picasso, uma Frida, uma Cássia, um Cazuza, rompendo os limites e transformando comportamentos. É graças a pessoas como eles que uma mãe divorciada pode refazer sua vida afetiva sem ser julgada pela própria família, pelos amigos, pelos pais dos coleguinhas de seu filho, por exemplo. Que um amigo gay pode sonhar em adotar uma criança e em realizar o desejo de ser pai. Tenho em mente que chegamos até aqui, em grande medida, graças à coragem de grandes artistas, grandes homens e mulheres, que abriram mão de sua zona de conforto para viver da maneira que achavam melhor, independentemente das consequências.

***

Só precisamos tomar cuidado para não confundir artistas e suas vidas trangressoras com celebridades e seus estilos de vida inconsequentes. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, e longe de mim espelhar o lado obscuro do meu ser nas páginas da revista-aquela-que-vocês-sabem-qual.

-Monix-

Tempo, tempo, tempo, tempo – Benjamin Button

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Atenção: contém spoilers, sorry.

Trilha sonora no Chatô das Fridas : Tempo II

Quis ver “O curioso caso de Benjamin Button” desde que ouvi sobre ele no programa da Oprah. A idéia de uma vida que segue no sentido inverso, de alguém que nasce velho e morre criança, pareceu-me absolutamente irresistível, tanto pelos aspectos técnicos quanto pelas questões morais, filosóficas, emocionais com as quais poderia lidar. Assim, corri ao cinema na primeira oportunidade – logo eu que, em geral, vejo tudo depois de todo mundo (e posso levar meses para ler um post do meu próprio blogue para fugir dos spoilers).

Saí da projeção comovidíssima, depois de chorar baldes e me entregar totalmente àquelas histórias e àqueles personagens. Sabe quando ao sair do cinema e o mundo todo parece muito estranho, o xópin, os barulhos, as pessoas, tudo soa quase violento? Pois foi assim comigo, demorei a voltar, e quando recobrei o sentido da realidade certamente não era a mesma de antes.

Emocionei-me logo de cara com aquela pela situação terminal entre mãe e filha. Do mesmo modo fui tocada por Queenie e sua fé, fortaleza e farol de uma vida igualmente árdua e generosa. É verdade que ando tão à flor da pele que etceteretal, mas o filme me ganhou logo, em cenas e situações até prosaicas, que apesar ou por isso, também prenhes de poesia. Quase tanta quanto a bela história de amor que, se não chega a ser impossível, não dura para sempre – como de resto, nada, nos ensina Benjamin.

O clima de fábula, a alternância entre inocência e descoberta me fizeram lembrar de Forrest Gump (soube depois que trata-se do mesmo roteirista). De uma maneira menos atuante e mais introspectiva que Forrest, Benjamim atravessa boa parte do século XX – e não deixa de ser curioso que isso seja igualmente pontuado pela 2ª guerra mundial e por uma apresentação dos Beatles na tevê (viva eles, sempre!). Ao contrário de outros apelos à fantasia, neste filme o pacto de “suspensão da descrença” é estabelecido com mais cuidado e coerência. Assim, Benjamim cresce num asilo, onde ninguém vive tempo suficiente para perceber seu crescimento anormal. Lança-se ao mar e vive anos viajando, sem criar vínculos por longo tempo com ninguém. Pequenos detalhes que dão alguma verossimilança, apenas  o necessário para não incomodar o espectador nem fazê-lo de besta, justificando tudo por tratar-se de um história fantástica.

Há quem ache o filme longo, mas não pra mim, não percebi as horas passarem –  o que talvez comprove a excelência de um filme em que o tempo é o protagonista absoluto. Ah, o tempo – Caetano tinha razão, é um dos deuses mais lindos. Sim, há Brad Pitt em várias idades e a fabulosa Cate Blanchet (que pode ser qualquer coisa, bailarina, feia, velha, linda, que talento!). Ambos no auge do esplendor físico ou bem perto disso, mas eles passam boa parte do filme aparentando idades que ainda ou já não têm. It’s not about that, é sobre como nos tormamos as pessoas que somos, com as oportunidades que temos e também as que perdemos, para além do que aparentamos.

bradsSou eu envelhecendo ou começa a haver algum espaço para pensar na maturidade, na velhice, na morte, dentro da indústria sempre jovem-bela-magra do cinema? (Ou esse nicho sempre esteve aí e eu é que estava ocupada tentando ser jovem-magra-bela? Bom, agora desisti). O fato é que eu saudava com a Sócia o excelente “O clube de leitura de Jane Austen”, o mediano “Bonneville” e o saboroso “Mamma mia” (visto com a freguesa de caderno Ana Paula), filmes protagonizados por mulheres e homens maduros, tratando de questões mais relevantes que as das inervantes balzaquianas casadouras, seus diários, vestidos e mães.

Tenho a forte impressão que o filme permanecerá em mim de um modo indelével, e ainda há coisas a pensar e aprender com ele. Idéias a desenvolver ou abandonar. A solidão nos extremos da vida. O filho como um divisor de águas, um marco que separa ao invés de unir. Adélia Prado e o verso “Só a mulher entre as coisas envelhece”. A aceitação da morte como uma visita natural,  necessária até. Há muito para refletir e cada vez que eu falo com alguém que viu o filme descubro ainda outro viés que não notei, um bordado insuspeito. Como todo bom filme, ou como os melhores, é uma história sobre as relações humanas, laços, encontros, tempos. Tempotempotempotempotempo.

Termino aqui pra saber da opinião de vocês, deixando um citação especialmente tocante para mim, das cartas de Benjamim par a filha:

For what it’s worth, it’s never too late, or in my case too early – to be whoever you want to be. There’s no time limit; stop whenever you want. You can change, or stay the same – there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you’re proud of. If you find that you’re not, I hope you have the strength to start all over again.

Helê

Precisão

“Navegar é preciso, viver não é preciso”

Navegadores portugueses diziam; Fernando Pessoa citou; Caetano Veloso cantou; quase ninguém entendeu. Outro dia recebi por e-mail um texto do Carlos Heitor Cony em que o cronista comete o mesmo equívoco que já vi ser cometidos por tanta gente boa: ele interpreta a palavra “preciso” como sinônimo de necessário, quando na verdade o verso ganha riqueza se interpretarmos a palavra no sentido da exatidão.

Viver não é exato. Não há bússola, balestilha, astrolábio, nada que nos diga se a direção seguida está correta. Ajustamos nossa rota às cegas, nem sempre chegamos a algum lugar. Mesmo assim, o percurso vale a pena – porque, como também dizia Pessoa:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

– Monix –

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