Estados alterados da mente

Não há no mundo gente mais careta – no sentido químico – que eu e meu namorado. Mesmo assim cantamos os “estados alterados da mente” assistindo ao documentário Titãs – A Vida Até Parece uma Festa. Não posso falar por ele, mas, quanto a mim, me questiono sobre o fascínio que exercem os walks on the wild side. As vidas de artistas – ligeiramente ou muito – perturbados, ao mesmo tempo que me atraem, me assustam. Estou bastante satisfeita com a minha vidinha pequeno-burguesa. Aventura, para mim, é subir a trilha do Morro da Urca. Ousadia é programar uma viagem sem saber muito bem como pagar. Transgressão é estacionar em local proibido. Mas é importante eu saber que há um Pollock, um Picasso, uma Frida, uma Cássia, um Cazuza, rompendo os limites e transformando comportamentos. É graças a pessoas como eles que uma mãe divorciada pode refazer sua vida afetiva sem ser julgada pela própria família, pelos amigos, pelos pais dos coleguinhas de seu filho, por exemplo. Que um amigo gay pode sonhar em adotar uma criança e em realizar o desejo de ser pai. Tenho em mente que chegamos até aqui, em grande medida, graças à coragem de grandes artistas, grandes homens e mulheres, que abriram mão de sua zona de conforto para viver da maneira que achavam melhor, independentemente das consequências.

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Só precisamos tomar cuidado para não confundir artistas e suas vidas trangressoras com celebridades e seus estilos de vida inconsequentes. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, e longe de mim espelhar o lado obscuro do meu ser nas páginas da revista-aquela-que-vocês-sabem-qual.

-Monix-

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