Raça & gênero

Aconteceu há alguns meses, mas acho que ainda vale ser contado: foi em janeiro, no dia da posse do Obama. Eu queria assitir, claro; a cria, do alto de seus seis anos, claro que não. Ficamos negociando a tevê, eu correndo para o canal jornalístico entre um desenho animado e outro, e ela achando muito chato aquilo. Aí eu fui tentar explicar porque eu estava tão interessada.  O que, vocês têm que convir, não era propriamente fácil de fazer sem ficar tudo ainda mais chato. Eu comecei dizendo que eu gostava dele, torci por ele na eleição, e que o presidente antigo era muito ruim. Acrescentei também que era o primeiro presidente negro daquele país – nada que justificasse a interrupção dos desenhos, era o que ela parecia pensar. Pra ilustrar, peguei a charge que estava no meu painel e mostrei pra ela. 

Foi quando a fichinha caiu e ela fez uma cara muito espantada, perguntando: 

– Mas só esse preto, mãe?!

Pra logo em seguida questionar:

– E mulher, não teve nenhuma até agora?!

Helê

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Aniversário da Monix!

dsc04215-1Sim, é hoje o dia de celebrar o nascimento dela, La Otra, nesse dia especial em que nascem pessoas luminosas e iluminadas (como podem atestar também a Dedéia e a Rê) ; -).

Fiquei bem enrolada aqui pensando no que escrever. Afinal, após vários aniverposts, temi que já não tivesse mais o que dizer sobre ou para ela. O que seria uma tremenda injustiça, pois quando eu penso que ela já me deu toda amizade, apoio, carinho, incentivo e cumplicidade possíveis, ela sempre tem mais a oferecer – e eu não preciso nem pedir.

Então peguei emprestadas umas palavras em inglês pra ofertar pra minha Sóciamada,  cuja persona britânica, contrditoriamente, é mais popular – mas feliz daqueles que privamos da sua calorosa,  brasileira, carioca e generosa maneira de ser amiga. O aniversário é seu, Monix, mas você é um presente cotidiano pra mim. Gracias, muchas.

Agora resta um pra você; assim que eu chegar lá no Condomínio dos Enta eu guardo o seu lugar, tá? Porque, se  Deus quiser, faltam muitos pra nós duas, juntas, sempre.

Helê

Monix day

Sim, é hoje. Homenagem em andamento. Volte mais tarde pra deixar a sua!

Helê

Guevara, revolucionário e gato

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14 de setembro de 1959, primeira vez na televisão. Foto: Raúl Corrales

Benício del Toro? Esquece. Gael García Bernal? Bem que ele gostaria.

Não tem roliúde que supere o original, único e incomparável Ernesto Che Guevara, revolucionário e gato.

-Monix-

Paris é overrated

A declaração pra lá de ousada é da mulher mais bonita do Brasil:

Paris. Evidente que a cidade é linda, tudo é grandioso e tal, mas a verdade é que Paris é overrated. Pronto, falei, Paris é overrated.
Não tivemos dissabores lá, entendam, mas eu me senti meio oprimida pela gigantesca quantidade de turistas. Eu também era turista, então isso pode soar meio ridículo, mas a verdade é que muitas vezes senti desânimo de entrar nos lugares quando via a multidão que me precedia. Se os parisienses têm fama de antipáticos, palmas para eles por ficarem só nisso, porque eu seria homicida. Imaginem passar por uma rua da sua cidade e sentir uma vontade incontrolável de comer um doce. Precisa amargar uma fila de vinte japoneses (e uma brasileira chatinha) para comprar um reles macaron. Se for uma viuvinha devota, então, piorou. Gosta do padre da Notre Dame? Boa sorte em tentar vê-lo atrás da muralha de fotógrafos amadores e tagarelas de todas as procedências.

Pois é, eu tenho essa mesma impressão de Paris. Para quem busca uma cidade romântica, Praga é tão mágica quanto (assim como Amsterdã, garante a sra. Seslaf), e embora seja cheia de turistas talqualmente Paris, acho que é tudo em menor escala, não sei. Gosto mais.

kampa
Onde mora o romance?

Podem me chamar de besta (eu sei que vocês estão pensando isso, hahaha), mas eu precisava mostrar minha solidariedade para com ela. Tamanha audácia requer uma certa coragem. 😉

-Monix-

Salve São Jorge

Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me exerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal.

Oração a São Jorge

Helê

Record Store Day

Pois é, soube que hoje celebra-se este Dia das Lojas de Discos – só mesmo eu, a Guardiã das Tradições Recentes, pra descobrir uma data que foi criada há apenas dois anos. Mas o fato é que a motivação pra criar uma efeméride como essa é algo absolutamente impensável pra mim, uma pessoa do século passado. Jamais imaginei que as lojas de discos pudessem ser ameaçadas de extinção, pois como se ouviria música sem disco? Podíamos ouvir no rádio, claro, mas como se apoderar dela, levá-la pra casa, ouvir e repetir à vontade, ler as letras, apreciar a arte do encarte? (Porque em 1900 e guaraná com rosca, gente, loja de discos vendia elepês (e não compact disc) que traziam encartes que vinham junto com o disco e eram um passe livre para a criatividade dos designers, podendo estampar fotos, ilustras, desenhos, formatos mis).

Naqueles tempos, os discos demoravam a chegar – aliás, tudo demorava a circular, sobretudo informação. Então a loja de discos era um local de troca de figurinhas sobre música que acabava aglutinando tribos (quando elas nem eram chamadas assim). Se a dona Memória não jogou fora esse trapo[1], acho que um filme que ilustra bem isso é o Alta Fidelidade, não é nesse que o John Cusack é dono da loja em que trabalha o Jack Black?

Bom, talvez essa seja uma causa perdida – a começar por este post, que ninguém visita esse blogue no sábado, muito menos num feriadão – e o avanço do formato mp3 seja inexorável, extinguindo a curto prazo o cd e as lojas que o comercializam. Mas hoje vou aderir ao movimento, se meu orçamento permitir, comprando um cd numa loja e pensando sobre o tempo, música e mudanças.

Kid Vinil, cujo sobrenome garante que entende do que fala, escreveu sobre a data em sua blogue.

Helê


[1] “A memória é uma senhora velha e louca que joga fora comida e guarda trapos coloridos”, como me ensinou minha amiga Maria João Amado.

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