Segunda-feira, Abril 09, 2007


Foto: Guia da Semana

Quinta-feira passada fui assistir à peça Renato Russo, um monólogo com o ator (e produtor do espetáculo) Bruce Gomlevsky. A peça está em cartaz no Rio pela segunda vez. O problema é que eu tenho um certo preconceito com esse tipo de dramaturgia, ou seja, peças que contam a história de celebridades, ou, sei lá, o que poderíamos, talvez, chamar de teatro de não-ficção(?). Teatro em geral me agrada, tanto o teatrão tradicional quanto montagens-experimentais-super-cabeça. O único gênero que não me atrai muito é esse. Pois bem: há alguns meses fui, meio reticente, assistir A Alma Imoral (outro monólogo, desta vez adaptado de um livro mezzo teológico/mezzo filosófico do rabino Nilton Bonder), e não só adorei como achei uma das manifestações culturais mais originais que vi no ano passado. Então, a partir dessa primeira lição de humildade (aprender a não julgar a coisa antes de conhecer a coisa), lá fui eu à peça do Renato Russo, embora com baixas expectativas a respeito do que encontraria.
Em primeiro lugar, fiquei impressionada com a interpretação do Bruce Gomlevsky. Mais um preconceito que tive que deixar de lado: costumo implicar com caracterizações muito “ao pé da letra” quando se trata de personagens reais. Mas o que acontece no palco é quase uma incorporação. A voz do Renato Russo é muito difícil de reproduzir, ele cantava de um jeito estranho, que talvez algum leitor que conheça teoria musical possa explicar, mas para meus ouvidos e cordas vocais leigos a impressão que dá é que ele muda de tom no meio da música, dificultando à beça a imitação. Fora isso, Renato Russo era um homem com um tipo físico muito marcante, trejeitos próprios, um jeito de falar muito particular. E há momentos no espetáculo em que quase esquecemos que quem está ali não é ele e sim um ator representando seu papel.
Outra coisa que me agradou muito foi a ausência de didatismo, a opção por não entregar tudo já digerido ao público, a tênue oscilação entre mostrar os fatos a vida de um ídolo de pelo menos duas gerações de brasileiros e um relato altamente subjetivo sobre a energia que o motivou a ser o que foi. A peça não é uma historinha começo-meio-fim. É uma representação quase poética da vida de uma pessoa incomum, e, por isso mesmo, intensa, explosiva, incomparável.
Por fim, foi uma delícia reviver, através da trilha sonora afetiva, diferentes momentos da minha adolescência, que foi embalada, junto com outras bandas, pela poesia roquenrou da Legião Urbana
Esta foi a primeira vez que a família Manfredini autorizou uma montagem sobre a vida de Renato Russo. Dá pra entender o porquê.

-Monix-

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