Para mudar é preciso dar o primeiro passo

Essa semana fui com o Cláudio Luiz assistir à pré-estreia de Divã, filme baseado no livro da Martha Medeiros. À primeira vista, pareceria tratar-se de mais uma comédia água-com-açúcar, que tanto poderia estar na telona do cinema quanto na TV logo após o jogo do campeonato brasileiro, na mesma linha do último grande sucesso nacional de bilheteria, com astros globais, humor rasteiro e personagens-clichê na linha de frente.

Mas não é nada disso.

Divã é uma comédia. Mas seu humor se aprofunda de uma forma bem sutil, chegando a ser leve. Divã tem astros globais. Mas foge do óbvio e aposta, por exemplo, no talento cômico de uma Alexandra Richter, escada perfeita para o brilho de Lília Cabral, fascinante como a personagem principal, Mercedes. É a Lília que cabe o desafio de interpretar uma mulher madura, casada, com filhos adolescentes, e torná-la charmosa o bastante para que seja verossímil o jogo de sedução que se arma entre ela e os personagens interpretados por ninguém menos que Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond. (É claro que a vida real as coisas não são, digamos, tão generosa assim, mas, pessoal: é um filme, certo?) Divã tem personagens-clichê (o casamento morno, a amiga perua, o marido galinha). Mas todos eles têm diversas camadas, transcendem o estereótipo, mostram atitudes e emoções que muitos de nós já tivemos ou vimos de perto.

diva-almoco1O Cláudio Luiz acha que o final poderia ser diferente. É verdade. A solução que ele apresentou sem dúvida seria mais simpática. Mas, assim como na vida, o filme que temos nunca é o filme que desejamos. O que não necessariamente é uma coisa ruim.

A mudança é o tema central da história. Uma mudança interna que provoca, como um efeito-cascata, muitas mudanças no mundo ao redor. Exatamente como aconteceu e acontece, todos os dias, com as pessoas de verdade. Numa época em que tantas mudanças se anunciam, nada melhor que aprender a rir delas, e a refletir sobre elas.

-Monix-

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5 Respostas

  1. […] – Já falei antes sobre este filme delicado, engraçado e intenso, mas não podia deixar de marcar sua presença […]

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  2. Peti, não acredito que a gente estava no mesmo bat-local! Mas tinha uma multidão ali na saída, seria impossível encontrar alguém… Poxa, que pena… 😦

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  3. jura que vcs foram? vcs também estavam lá? no downtown?
    puxa… eu também estava…
    consegui não achar ninguém conhecido. nem quem eu tinha combinado de encontrar…
    também gostei
    :)))

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  4. Tou com muita vontade de ver também. Já tava antes de ler seu comentário, agora então mais ainda.

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  5. Humm… também estava achando que era uma comédia bobinha! Agora fiquei louca para ver!
    Bjs

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