Fruindo

O que é mais importante: a fruição ou o registro?
(Reflexões após um almoço em que, mesmo com a câmera digital na bolsa, consegui não tirar nenhuma fotografia…)

(Publicado originalmente no blogue antigo, em 4 de agosto de 2004)

Como quase todos os nossos leitores sabem, eu e a Helê nos conhecemos através do Livro de Visitas do Mothern, no segundo semestre de 2003, quando nossos filhos eram tão pequenos que os poucos meses de diferença em suas idades faziam com que um fosse muito mais velho que o outro. Não apenas nós duas, mas um grupo de mulheres, quase todas mães, nos encontramos naquele LV e formamos uma forte amizade digital, que com o tempo ultrapassou a tela do computador e se transformou em carinho de carne e osso mesmo. Esse grupo de amigas inclui, por sua própria natureza, gente de diversos estados do Brasil e até algumas residentes no exterior. Então nós criamos o hábito de fotografar todo encontro, almoço, piquenique, passeio com as crianças ou chope com as mães; era uma forma de todas poderem participar um pouquinho. Só que a banda carioca desse grupo era muito animada, a gente se encontrava muito (cariocas são alegres, já dizia a Calcanhoto), até que um belo dia nós fomos almoçar e a conversa estava tão boa que eu simplesmente esqueci de fotografar. Daí nasceu esse mini-post citado aí no alto, e também iniciou-se um período de menos fotos, para revolta das motherns de outros estados. 😛

Daí que eu até poderia escrever um post sobre essa cultura da imagem que vem se reforçando nos últimos anos, mais ainda depois da popularização das tecnologias de captura digital de imagens (câmeras, celulares e quetais), divagar sobre o quanto isso tem me espantado (pensar que antigamente a gente levava meses para gastar um filme de 36 poses) e contar como foi engraçado, outro dia mesmo, ser interrompida no meio dessa filosofia de botequim por um grupo de turistas… pedindo para tirarmos uma foto!

Poderia, mas não vou não, viu? É que eu estou muito absorvida fruindo e não está sobrando tempo nem disposição para registrar nem analisar nada.

Vai ver que a tal de felicidade é isso: fruir sem se preocupar com mais nada.

Se for, acho que estou bem feliz.

-Monix-

Flamengo Tricampeão Carioca 2007/08/09

Cinco vezes tri, 31 vezes campeão. Na manchete do Globo um trocadilho primoroso, provocativo, conciso.  E verdadeiro:

Acima de todos, Rubro-negro.

nacao

Helê Pinto no Lixo

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