Ando tão à flor da pele

Estou estressada. Pilhada. A mil por hora, de um tanto que chego a me deitar exausta e mesmo assim não conseguir dormir.  

Não tem nada de grave acontecendo (pelo menos não comigo), por isso não precisam se preocupar. Só que as coisas estão difíceis, no trabalho, em casa, na rua, na chuva e na fazenda. O coração vai bem, obrigada – pelo menos alguma coisa tem que funcionar -, meu filho está ótimo, cada dia mais alegre, mais crescido, mais bacana. Tenho certeza de que ele vai ser um cara legal. Mas o dia-a-dia é que está massacrante, com suas demandas instantâneas; algumas decisões têm que ser tomadas em prazos incompatíveis com sua importância; minha saúde demanda uma certa atenção, e para isso seria necessário ter um tempo livre e uma tranquilidade de que não disponho no momento.

Eu sei que este é o ritmo do século XXI e que todos vocês têm uma vida tão complicada quanto a minha – muitos, até mais. Acontece que eu não sou assim. Não sou movida a adrenalina. Não lido bem com a correria. Não gosto de estar aqui pensando no que está acontecendo ali (ontem, por exemplo, passei a tarde numa reunião que durou 3 horas e meia sem saber com certeza onde meu filho estaria quando eu saísse de lá, durma-se com um barulho desses).

Aí quando finalmente eu consigo uma brechinha de tempo para dar uma olhada nas centenas de feeds que se acumulam no meu Google Reader, esbarro com essa pérola do Rafael Galvão:

Eu nunca acreditei em quem se diz ocupado demais para fazer certas coisas, mas sei o que é falta desse tempo interior de que o sujeito fala. Quem já passou pela experiência tenebrosa de abrir um livro e não conseguir entender as frases escritas ali porque a cabeça teima em não voltar de outro lugar sabe exatamente o que é isso.

É disso que estou sentindo falta. O tempo, objetivo e marcado pelo relógio, eu até consigo administrar. Mas esse tempo interior eu prezo demais para abrir mão dele sem reclamar. Sendo assim, lavro meu protesto: quero meu tempo de volta.

-Monix-

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