Vivendo e aprendendo a jogar

Já pensou em jogar um jogo de tabuleiro em que não há um tabuleiro propriamente dito e sim pequenas peças que ao se encaixar formam cidades medievais, estradas, mosteiros? Um jogo sem dados nem roletas, em que a sorte ou o azar têm pouca chance de aparecer?

catan

Depois de, nos últimos anos, ter abandonado o hábito que já foi uma das minhas diversões favoritas, voltei ao mundo dos jogos de tabuleiro. Só que desta vez o que me interessa não são os Master, Imagem & Ação, Detetive nem o interminável War de sempre.

Um amigo deu a dica, meu namorado encampou a ideia e eis que descobrimos todo um novo mundo antes desconhecido. São jogos europeus, e lá este mercado é tão forte e respeitado que os nomes dos autores aparecem na caixa, com destaque, como é feito nos livros. Há prêmios para os melhores de cada ano, e centenas de jogos diferentes no mercado.

Quem está acostumado com os jogos que conhecemos, sabe que existem meia dúzia de “modelos” semelhantes: cartões com perguntas, tabuleiros em que se avança ou retrocede, jogos com dados, jogos com cartas, e ficamos mais ou menos por aí.

Mas estes jogos europeus (que na Alemanha são bastante populares) têm características variáveis; cada jogo tem uma estrutura se não única, bastante criativa.

Em geral  a estratégia é mais importante que a sorte. São raros os jogos com dados, por exemplo. Os temas costumam ser históricos ou de fantasia, mas não exatamente bélicos – alguns têm temas “econômicos”, como a construção de uma cidade, a colonização de uma nova terra, o assentamento de tribos pré-históricas e por aí vai.

À primeira vista, as regras podem até parecer complicadas, mas a “jogabilidade” é excelente, ou seja, as partidas são dinâmicas, além de relativamente rápidas, o que possibilita que se joguem várias por noite – ou até jogos diferentes numa mesma reunião de amigos. Não há eliminação de jogadores, portanto jamais acontecerá aquele anti-clima típico do War que é alguém ser eliminado no meio da partida e terminar a noite dormindo no canto do sofá, enquanto Dudinka ataca Vladivostok pela enésima vez

Outras vantagens dos jogos europeus: mesmo quem nunca jogou pode ter um bom resultado já de primeira; a qualidade gráfica das peças e tabuleiros (e até das caixas) é de primeira linha – alguns jogos de cartas parecem baralhos de tarô, de tão bem desenhados; muitos oferecem a possibilidade de se comprar expansões, que trazem novidades ao jogo quando a gente já está quase enjoando.

carcassonne

Eu comecei pelo Carcassonne, um jogo delicioso, criativo e, aviso logo: potencialmente viciante. Não há tabuleiro, e sim pequenas peças de território que se encaixam conforme regras pré-determinadas. Dependendo de seu posicionamento, as peças dos jogadores poderão assumir as funções de cavaleiros, camponeses, ladrões ou monges. Existem algumas expansões – já jogamos a Inns & Cathedrals, mas acredito que todas devem ser interessantes.

Outros jogos que já testei, todos bem legais:

Citadels – Jogo de cartas com tabuleiro (pequeno), bom para jogar em grupo.

Condottiere_Cards

Condottiere – Também de cartas+tabuleiro, mas esse dá pra jogar bem com duas pessoas.

stoneage

Stone Age – Difícil explicar como funciona (embora seja fácil de jogar quando se aprende). Basicamente, joga-se em um tabuleiro grande, com cartas e dados.

San Juan – Jogo de cartas, também dá para jogar com duas ou mais pessoas.

Settlers of Catan –  Esse foi o que menos gostei, mas está longe de ser ruim. Alé de ser um dos mais populares, é considerado uma boa “porta de entrada” para esse universo dos jogos.

Infelizmente, ainda não é nada fácil encontrá-los à venda no Brasil. Mas quem se interessar pode tentar o Ebay ou os fóruns de board games que reúnem brasileiros.  Parace que a Devir está começando a trazer alguns jogos para cá, mas não sei se a compra online funciona bem.

E nem vou desejar boa sorte, porque você provavelmente não vai precisar. 😉

-Monix-

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