Procura-se

A Primeira Leitora*, Ana Paula Medeiros, disse que ando hermética – um  atributo inadequado para uma jornalista, ainda mais uma que está procurando emprego. Então resolvi contar aqui que estou deixando (amigavelmente, é bom dizer) a organização na qual trabalho há mais  de dez anos e procurando trabalho – emprego ou frilas.  A pessoa em questão possui um mestrado em comunicação, vasta experiência no chamado  Terceiro Setor e em comunicação institucional, o que inclui a  coordenação editorial de periódicos, newsletters e website, para resumir a ópera.

Caso você, amável leitor, ou você, querida leitora, saiba de alguma possibilidade no Rio de Janeiro, por favor, entre  em contato. Se não souber e quiser ajudar, mantenha os dedos cruzados .

Helê, querendo mudar a trilha sonora  de U2 (I still haven’t found what I’m lookin g for) para The Smiths (I was looking for a job then I found a job).

*O título nobiliárquico foi concedido já há alguns anos porque a Ana foi a primeira pessoa que me disse “eu sou sua leitora”.  Ela o fez alegre e despreocupadamente, atravessando uma rua do Centro da cidade a caminho de um almoço, mas eu jamais esqueci a sensação que me causou esse pertencimento. Foi como um abraço, daqueles de onde a gente não quer mais sair 😉 .
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Ele está entre nós

1984-capaEra concebível que eles vigiassem todo mundo, o tempo todo. (…) Você tinha que viver – e vivia, por um hábito que já se tornara instintivo – presumindo que cada som que você fizesse era escutado, e, exceto na escuridão, cada momento era inspecionado.

George Orwell, 1984 (em tradução minha mesmo, improvisada a partir do original em inglês aqui.)

 

 

Lendo a página inicial do Globo Online de hoje, não pude me furtar a pensar: o Big Brother já está entre nós. E não é aquele da Endemol.

toque recolher               filmar usuario

Eu sei que essa fobia orwelliana já se tornou apenas mais um lugar comum, e em geral não gosto de manifestar o medo-pelo-medo, sem elaboração. Até porque o medo-pelo-medo costuma estimular o sistema de vigilância permanente, e não o contrário. Mas quando a gente se depara de forma tão clara com os sintomas do zeitgeist desse início de século, é impossível não se espantar. É como enxergar o presente com distanciamento crítico – e nesse caso, o que é ainda mais instigante, um distanciamento crítico que vem do passado.

-Monix-

Update preventivo, já que alguns provavelmente vão pensar/comentar “ah, mas é importante ter esse tipo de controle, porque a violência/a pedofilia/o crime estão cada vez piores” etc:

Eu não sou uma otimista alienada que vê o mundo cor-de-rosa e que não sabe que são demais os perigos dessa vida, amor. Também tenho medo: circulo de carro sozinha, tenho um filho pequeno, ando de ônibus e ele também, moro perto de uma favela que no momento está “pacificada” mas nunca se sabe, enfim, vivo no Rio de Janeiro.

Não estou nem ao menos criticando a obsessão por controle e vigilância que caracteriza nosso tempo.

Este post, na verdade, é só uma constatação desse espírito do tempo. Acho interessante conseguir enxergar a época enquanto ela acontece. Será que seremos vistos dessa forma por quem vem depois? Ou a privacidade é um conceito específico do século XX, de duração tão curta quanto desnecessária? É mais nessas questões que estou pensando, e não especificamente nos casos do toque de recolher e das câmeras de vigilância nas lan houses e tal.

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