Escola da vida

Todo mundo falando bem do tal “Clube do Filme“. E eu, que nunca me conformei com a falta de adaptabilidade da instituição escola ao zeitgeist* do terceiro milênio, achei a ideia interessantíssima. Para quem não sabe, um pai que, ao ver seu filho completamente desestimulado pelos estudos, tirando notas baixas e incapaz sequer de trazer suas anotações para casa, propõe que ele pare de frequentar a escola. Em troca, o filho deve concordar em assistir a três filmes por semana, junto com o pai. A seleção não necessariamente passaria pela qualidade da obra, e acabou tendo mais a ver com a sensibilidade do pai que com qualquer critério objetivo.

Em princípio, uma bela fórmula, ainda que totalmente individual e obviamente não aplicável a outras estruturas familiares.

O livro recebeu vários elogios, especialmente pela coragem do pai ao optar por dar atenção ao filho “problemático”, ao invés de desistir, ou jogar a culpa para a escola, ou apelar para rigorosos castigos. E sob esse aspecto, de fato é uma história bonita. O tal clube do filme na verdade é um pretexto para que pai e filho convivam, conversem, troquem experiências passadas e presentes. O pai verdadeiramente guia seu filho através de um difícil fim de adolescência, até que ele encontre um caminho e consiga segui-lo com suas próprias pernas.

Mesmo com tudo isso,  no fim das contas não tenho certeza se gostei tanto assim da experiência. Fiquei com a sensação de que o garoto na verdade estava meio deprimido, e não sei se teria sido o caso de fazer terapia. Sem dúvida o cinema – assim como a literatura, o teatro, a ficção de maneira geral – pode ter um efeito bastante terapêutico.  Mas, sei lá, o livro me deixou um gosto amargo ao final. Uma comentarista do Blowg (da Marina W) definiu bem: o grau de melancolia de ambos é meio assustador, e me espanta que ninguém ainda tenha observado isso (pelo menos não nas resenhas e críticas que li).

-Monix-

* Ando encantada por essa palavra…
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