Parabéns, Dedeia

Para a Supreme Dedeia, minha Dedear, tão importante na minha vida quanto as boas canções. Tudo do bão e do melhor.

Helê

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Porque eu não amo a Madonna

Mesmo correndo o risco de desagradar a muitos, a começar por mi sócia,  tenho que admitir que fico incomodada quando colocam ombro a ombro a Madonna e o Michael Jackson – mesmo reconhecendo que eles estão no panteão do pop, da cultura de massas do últimos 25 anos, eticéteretal. Consigo perceber que Madonna quebrou vários padrões, que tem um papel emblemático para as mulheres – sobretudo pela capacidade de se auto-gerir: os homens em sua carreira sempre tiveram um papel menor; she’s the boss. E isso é realmente revolucionário no universo do show business, repleto de maridos e empresários manipuladores.

Agora, todos os outros aspectos da carreira da Madonna me provocam bocejo loooongo… As supostas polêmicas, todas, parecem tão milimetricamente planejadas…bocejo duplo carpado.  Nesse último ano então, depois completou 50 anos, todas as mil vezes que ela aparece cantando de collant (ô coisa brega!) parece um pretexto pra dizer “olha só como eu sou fodona e gostosa com 50 anos!”. E mais nada. E pra mim o maior problema da Madonna é fazer da música pretexto para alguma outra coisa, não  um fim em si.  Retire o cenário, o figurino, os bailarinos e o que sobra? Um popzinho sofrível, apenas. Porque trata-se de música feita para ser vista –  no show, no clipe, no DVD – e não ouvida simplesmente.

Claro que não foi a Madonna quem inventou isso, mas ela elevou isso à uma nova potência, estabelecendo esse padrão atual de artistas que cantam com as coxas, o abdômen e os peitos  junto com as cordas vocais: Mariah, Beyoncé, Britney, Cristina Aguilera. Todas se igualam não em talento (ou na falta de) mas em estética:  cansei de começar a ver um clipe de uma pra descobrir que era de outra, porque as poses, o carão pra câmera, a cabelada, os corpos saradérrimos, é tudo muito semelhante e tudo herdado de vovó Madonna. Uma herança dos infernos. E chaaaaata…

Então eu respeito a Madonna como mulher, como feminista, enterteiner e até como, vá lá, artista. Mas jamais como cantora. E sendo a matéria prima dela a música (pelo menos deveria ser), eu me sinto sempre um pouco ludibriada por ela. E francamente incomodada, como ficava a sua vó,  de colocá-la ao lado de um artista do talento do Michael. Mas como diz o filósofo grego, gosto é igual bunda: cada um tem a sua.

Helê

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