Blog day

Blog Day 2009 Este já é o 5º Blogday, portanto uma verdadeira tradição. 🙂 Minhas indicações este ano são “visuais”:

The Big Picture, que eu já indiquei aqui antes, fotojornalismo da melhor qualidade: realismo, denúncia, arte, humor, poesia até.

I can read – leitura diária que faz aumentar minha coleção virtual de imagens.  Mistura meu interesse amador por design e meu amor pelas palavras.

Artist blog – um nome singelo para um traço idem de uma ilustradora húngara (!).

Don’t touch my moleskine – também já foi citado aqui esse delicioso blog da Dani Arrais. Muitas belas imagens, grandes sacadas e conselhos imperdíveis.

Vladstudio – o russo Vlad coloca à disposição seus desenhos em formatos variados (papéis de parede, ícones, calendário), sempre com opções gratuitas. Adoro o humor de suas criações, quase sempre comum toque infantil.

Helê

Update da Monix (pois meu lema, como se sabe, é:  antes tarde que mais tarde ;-)):

Manual do Minotauro – Porque Laerte é, e sempre foi, indispensável.

Cinematório – As críticas de cinema são muito bem fundamentadas, mas o que mais gosto são as notas no final de cada texto, sintetizando o conceito do filme analisado.

3X30 – Descobri há pouco tempo este blog, que conta as aventuras e desventuras de uma solteira, um (des)casada e uma divorciada. Já estou ficando fã das moças.

Urbanamente – A Ana Paula não precisa de recomendação de ninguém, pois já começou por cima, no topo da cadeia alimentar da blogosfera. Mas se você é um dos poucos que ainda não descobriu as sacadas geniais dela sobre cidades e as pessoas que nelas habitam, o que está esperando?

Terapia Zero – O dia-a-dia da anna v. não é muito diferente do meu (e não à toa, pois descobrimos recentemente que somos vizinhas, ambas com filhos pequenos e trabalhadoras do Brasil). Só que ela conta de um jeito muito mais interesante.

E vocês, o que andam lendo?

Ainda em tempo, uma indicação em edição extraordinária, que quase a gente esquece: o novíssimo Sexismo na Política, comandado por um time de primeira linha, que inclui nossa querida Ângela F.

3 +1

We’ll find strenght in each tear we cry. (Ribbon in the sky, Stevie Wonder)

Muitos temores nascem do cansaço e da solidão. (Desiderata, Max Ehrmann – popularizada pelo Legião Urbana na canção “Há tempos“))

Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve. (Dentro de um abraço, Martha Medeiros).

Helê

Good morning

Helê

Da arte zen de fazer quebra-cabeças

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Durante muito tempo eu namorei aqueles quebra-cabeças bonitos nas lojas de brinquedo. Ficava um pouco constrangida em comprar um brinquedo pra mim. Mas, como não há melhor álibi que filho, comecei pelos estágios inicias com a cria: 30, 60 e 100 peças. Tomei gosto pela coisa e comprei um de 1000, mas só de tirar da caixa vi que tinha dado um passo maior que as pernas do leão que está na tampa. Então recuei os halfs e comprei um de 250, mapa-múndi, que fiz em dois dias. Encarei então o primeiro desafio real: um quebra-cabeça de 500 peças.

A montagem durou dias. Ele ficou ocupando lugar na mesa de jantar, mas também serviu para relaxar depois de um dia de cão. Talvez daí tenha surgido a primeira “observação zen”: numa noite, a atenção no jogo aliviou a tensão de problemas que não podiam ser resolvidos naquele momento, mas insistiam em manter-se na mente.

Como estava à mão, em cima da mesa, o quebra-cabeça acabou sendo feito coletivamente: todo mundo que passava por ele parava e tentava fazer um pouco; até a babá, que zombou quando viu me viu brincando pela primeira vez. Donde outra lição zen: é recomendável certo desapego, abrir mão do eu em favor do nós pode tornar o brinquedo mais interesante, e a junção das peças une igualmente todos os envolvidos.

A partir desse primeiro “500 peças”, passei a pensar no ato de montar um quebra-cabeça como uma experiência sensorial e – por que não? – espiritual. Pensei em  A arte cavalheireresca do arqueiro zen, que li há muito tempo, um instigante relato sobre como “apreender” o espírito do Zen através de uma ação prática, um exercício físico, algo dissociado de um ensinamento religioso tradiconal. Guardadas as devidas e ocidentais proporções, acho que o paralelo é possível.

O fato de conseguir captar minha atenção a ponto de concentrar-me já é notável. Além disso, muito da atitude e estratégia na resolução do jogo pode ser utilizado fora dele. O quebra-cabeça ensina, por exemplo, como é necessário, muitas vezes, afastar-se do problema para ver melhor a situação, e só então encontrar uma das partes perdidas. Em outros casos, é preciso juntar partes do problema, separadamente, para depois descobrir onde elas se encaixam no todo. Aprende-se também como um cenário que à primeira vista nos parece opaco e uniforme apresenta sombras e nuances insuspeitas, e ali onde parecia haver apenas azul há, na verdade, tons e semintos, azuis diversos e inesperados. Muito comum também é descobrir de repente que determinada peça que você procurou tanto estava ali, o tempo todo na sua frente e você não foi capaz de enxergar. Ou que uma tal que você já havia tentado encaixar antes só depois consegue adequar-se, porque faltava suporte. Brincar com crianças então traz outros ensinamentos, como a criatividade e o destemor em experimentar, mesmo aquilo que parece estapafúrdio – e acertam, os danados.

Eu acho sinceramente que é um excelente  exercício – de concentração, , paciência, observação, humildade. E depois que o Claudio Luiz me levou ao Porto, estou pronta para enfrentar aquele leão de mil peças.

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Helê

O que será que foi aquilo?

por Christian Morais

Alguém aí saberia definir o que foi isto que ocorreu ontem à noite no Maracanã?
Desavisadamente, liguei a televisão e, a princípio, me pareceu um jogo de futebol. Aos poucos, deu para perceber que não era. Futebol é um jogo onde ocorrem passes, dribles, lançamentos, tabelas, cruzamentos, cobranças de faltas e de escanteios e defesas de goleiros. Não consegui identificar nada disso em campo, embora houvesse uma porção de gente uniformizada correndo para lá e para cá e uma bola no meio deles. A princípio, também pareceu que era um jogo entre Flamengo e Fluminense, o que antigamente se definia como um clássico, o maior do futebol brasileiro. Evidentemente que não era, apesar de os dois bandos vestirem as camisas dos clubes. Flamengo e Fluminense eram grandes times de futebol não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil. E, sendo times de futebol, sabiam fazer aquilo que os (bons) times de futebol fazem: acertar passes, dar dribles, lançamentos, etc. Nenhum destes dois bandos conseguia fazer isto direito.
Também havia uns sujeitos de uniforme amarelo, um com um apito, correndo para lá e para cá, e outros dois com bandeiras nas mãos. Se fosse um jogo de futebol, chamaríamos isto de trio de arbitragem. Mas, percebendo bem, dava para ver que não eram. Isto porque, obviamente, árbitros conhecem futebol, sabem as regras e aplicam-nas. Aqueles senhores de amarelo pareciam não saber de nada.
Na verdade o que vi foi o  bando de preto e vermelho muito agitado, ansioso, com alguns garotos correndo para todo lado e não passando a bola para ninguém. Não conseguiam chegar ao campo do outro bando, de verde e grená, nem chutar ao gol do adversário. No esforço de jogar um arremedo de futebol, na hora de tomar a bola do bando verde e grená, os de vermelho e preto se atrapalhavam todos. Boa parte deles parecia muito nova, e aparentava nunca ter jogado junto antes. Apesar disso, o bando de grená e verde, que não era tão jovem nem deveria ser tão despreparado quanto o de preto e vermelho, não conseguia fazer nada muito diferente do outro bando. Todo mundo esbarrava com todo mundo em campo. Parecia que o gramado estava muito apertado e não havia espaço suficiente para todos.
Como estava tudo muito chato, lá pelas tantas o senhor de amarelo soprou seu apito e inventou um negócio que, se fosse futebol o que estivessem jogando, seria um pênalti. Mas, engraçado, o rapaz do bando verde e grená que “cavou” o que seria um pênalti em futebol se futebol de verdade estivesse sendo jogado, no lance anterior segurou, empurrou e puxou um outro rapaz do bando de preto e vermelho que estava ao seu lado, fazendo o que em futebol, se futebol fosse, seria chamado de “marcação”. O senhor de amarelo fez que não viu e não usou seu apito. Se fosse um jogo de futebol – e não era –, haveria uma pessoa chamada árbitro que marcaria uma coisa chamada “falta”, que é quando o adversário usa um recurso ilegal para obter vantagem no jogo. Mas como não era jogo de futebol, não havia juiz de futebol em campo. Até porque se houvesse juiz de futebol, logo no começo do jogo um jogador do bando grená e verde empurrou um outro, do bando preto e vermelho, dentro da área. Se fosse futebol, isto sim, seria pênalti, que seria marcado, é claro, se houvesse um juiz de futebol em campo.
Mas um rapaz careca do bando grená e verde chutou a bola no “pênalti” e ela entrou naquele lugar que, se fosse um jogo de futebol, chamaríamos de gol. Aí, no que seria o placar, apareceu o número 1 do lado do nome do bando de grená e ficou o zero do lado do vermelho e preto. Quando voltaram para o que seria o segundo tempo num jogo de futebol, o bando de grená, obedecendo ordens de alguém que poderia ser confundido com um técnico de futebol, ficou esperando o tempo passar, apesar de o bando de vermelho e preto ser composto, como já disse, de um monte de garotos atrapalhados, embora esforçados. Um destes esforçados num certo momento pegou a bola, saiu correndo, passou por três adversários, e chutou totalmente errado. A bola ia para fora, mas aí bateu sem querer num rapaz do bando de grená, e depois num outro do bando vermelho e preto, passou por cima do que seria um goleiro, se fosse no futebol, e entrou no que seria o gol, se fosse um jogo de futebol. Aí ficou o que se chama em futebol de jogo empatado. Como não era um jogo de futebol, os jogadores do bando verde e grená começaram a ficar muito entediados com aquilo tudo e, seguindo a orientação do pseudotécnico começaram a deitar no chão a cada vez que seriam substituídos. Todos, pelo jeito, estavam muito cansados, porque futebol cansa muito, mas este jogo que eles inventaram e que parece futebol, mas não é, cansa muito mais. Especialmente a quem está assistindo.
A cada vez que um deles deitava (e foram uns três deitões), entrava um carrinho para remover. O senhor de amarelo ficou um pouco chateado com isto e decidiu que o jogo não ia acabar tão cedo, e  inventou que agora seriam seis minutos a mais de tempo, só de pirraça. O bando de preto e vermelho continuou se estrumbicando em campo, enquanto o de grená e verde corria para todos os lados e chutava para onde apontava o nariz, tão desesperado estava – apesar de o bando de vermelho e preto ter perdido dois jogadores, expulsos pelo senhor de amarelo.
No final, nem o bando de grená e verde nem o bando de vermelho e preto ganhou nada. O bando grená e verde achou o resultado bom, apesar de não vencer o outro há quase dois anos e de estar arriscado a retornar para um lugar ruim, humilhante até, que em futebol se chama segunda divisão. O bando de preto e vermelho também já esteve ameaçado de ir para este lugar várias vezes. Quando acabou o jogo, alguns jogadores do vermelho e preto reclamaram do senhor de amarelo com o apito, e classificaram sua atuação como de muita luta e de muita correria. Eu concordei com eles. Houve, de fato, luta e correria naquele estranho e desconhecido jogo que passou na televisão. Mas o que eu queria mesmo era assistir futebol. Um grande jogo de futebol. Tipo um Fla X Flu, sabe?

Inaugurando a categoria Be my guest, o texto mordaz e afiado do Chris, freguês de caderninho aqui do Dufas, excelente jornalista, grande amigo.

Helê

Curriculo Vitae 2

curriculo parte 2

Tão surpreendente quanto ter o canhoto do ingresso de um show de 1986 é o fato de que eu não me lembro de nada desse espetáculo. O show da Marisa eu lembro bem, como os do Chico. Mas há outros tantos, igualmente memoráveis, que não deixaram vestígios materiais: Tom Jobim tocando no Arpoador num aniversário da cidade; Caetano Veloso no Circo Voador lançando Velô. Fica claro que o papel não garante muita coisa, quase nada. Prova e relíquia, talvez e apenas – já que não consegui agregar valor ao meu curriculo com eles, como já  propus aqui.

Aproveitei a última mudança para exercitar  o desapego porque eu sempre guardei muito, tudo. E há tempo de guardar e tempo de deitar fora, ensina  o livro ensina. Escanear e postar faz parte do processo, doloroso mas também libertador, de deixar ir. Abrir espaço para novas memórias, arejar os porões e fazer circular as ideias, os sentimentos e mesmo as lembranças. Porque depois de tanto  guardar e descartar, desconfio que o essencial não está nem num nem noutro, mas no movimento constante.

Helê

Chuva chata

Helê

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