Antropologia de botequim

Repara só uma coisa: em qualquer seriado ou filme americano, quando alguém está chocado, chorando, triste, o cabra chega perto e pergunta “Are you ok?” Sempre em ocasiões em que a pessoa obviamente não está. Vocês que vivem em Obamaland digam se isso é uma caricatura, mas a impressão é que essa abordagem é o default. Eu, brincando de antropóloga amadora, tendo a achar que indica um traço da cultura  norteamericana, mais distante e respeitadora dos espaços pessoais. Bem diferente da às vezes indecente intimidade com a qual nos imiscuimos na vida alheia por aqui. Ao perguntar a alguém que está mal se ela está bem, damos a ela a oportunidade de  esquivar-se, reservar-se, mentir, enfim, se preferir. No Brasil o mais comum seria perguntar  “O que houve? Qual o problema? O que você tem?”, perguntas que dificultam a evasão, pois assumem o problema como um fato – sobre o qual  você pode, quer ou precisar falar.

Não há juizo de valor nessas observações – provavelmente nem utilidade 🙂 .  Talvez alguma pra diversificar o papo entre uma rodada e outra. Daí o título.

Helê

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