Antropologia de botequim

Repara só uma coisa: em qualquer seriado ou filme americano, quando alguém está chocado, chorando, triste, o cabra chega perto e pergunta “Are you ok?” Sempre em ocasiões em que a pessoa obviamente não está. Vocês que vivem em Obamaland digam se isso é uma caricatura, mas a impressão é que essa abordagem é o default. Eu, brincando de antropóloga amadora, tendo a achar que indica um traço da cultura  norteamericana, mais distante e respeitadora dos espaços pessoais. Bem diferente da às vezes indecente intimidade com a qual nos imiscuimos na vida alheia por aqui. Ao perguntar a alguém que está mal se ela está bem, damos a ela a oportunidade de  esquivar-se, reservar-se, mentir, enfim, se preferir. No Brasil o mais comum seria perguntar  “O que houve? Qual o problema? O que você tem?”, perguntas que dificultam a evasão, pois assumem o problema como um fato – sobre o qual  você pode, quer ou precisar falar.

Não há juizo de valor nessas observações – provavelmente nem utilidade🙂 .  Talvez alguma pra diversificar o papo entre uma rodada e outra. Daí o título.

Helê

3 Respostas

  1. Helê,
    acho que não é exclusividade de Obamaland, não… em 90% das vezes, quando estou ‘down’ e alguém chega perto, a primeira pergunta é “Tá tudo bem?”… rssss

    beijos

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  2. Nas vezes em que me prontifiquei a socorrer alguém que obviamente não estava nada bem também usei o “tá tudo bem?” mas acrescentando logo em seguida: “precisa de ajuda?”. Assim a pessoa tem por onde escapar se não quiser interferência.

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  3. Helê,

    quando eu estava chorando, desconsolada pelo horroroso tratamento recebido na Imigração Britânica em Heathrow, após descobrir que havia perdido o vôo pra dublin por causa da mesma imigração, e eu sentei e chorei comendo um galak que a minha sábia mãe havia colocado na minha mochila, eu fui solenemente deixada em paz por uma meia hora…até que veio uma texana e perguntou: “are you ok”?😀

    Ó, tá vendo aí? Pra quem achava que era frieza dos americanos, olha os ingleses e sua fleuma. Providencial esse galak da mãe, hein? Confort food é isso aí!
    Beijo,
    H.

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