Antropologia de botequim

Repara só uma coisa: em qualquer seriado ou filme americano, quando alguém está chocado, chorando, triste, o cabra chega perto e pergunta “Are you ok?” Sempre em ocasiões em que a pessoa obviamente não está. Vocês que vivem em Obamaland digam se isso é uma caricatura, mas a impressão é que essa abordagem é o default. Eu, brincando de antropóloga amadora, tendo a achar que indica um traço da cultura  norteamericana, mais distante e respeitadora dos espaços pessoais. Bem diferente da às vezes indecente intimidade com a qual nos imiscuimos na vida alheia por aqui. Ao perguntar a alguém que está mal se ela está bem, damos a ela a oportunidade de  esquivar-se, reservar-se, mentir, enfim, se preferir. No Brasil o mais comum seria perguntar  “O que houve? Qual o problema? O que você tem?”, perguntas que dificultam a evasão, pois assumem o problema como um fato – sobre o qual  você pode, quer ou precisar falar.

Não há juizo de valor nessas observações – provavelmente nem utilidade :-) .  Talvez alguma pra diversificar o papo entre uma rodada e outra. Daí o título.

Helê

Circuito das Estações Adidas – Inverno

Essa foi uma corrida com emoção, como alguns passeios que se faz no nordeste. Pequenos detalhes que não sairam como o combinado e encontramos nossas inscrições a apenas 2 minutos da largada. No fim deu tempo, como Caetano Veloso havia previsto. Explico: em casa, enquanto me arrumava, assisti a um trecho de Coração Vagabundo (recomendo!) em que Caetano diz que  com a idade perdemos a ansiedade, lidamos melhor com o tempo, percebemos que dá tempo de fazer as coisas. Uma hora depois, ansiosa e quase estressada, compreendi que ele tem razão.

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Acontece uma coisa muito interessante quando participo de corridas de ruas: todas as que fiz até aqui aconteceram no domingo, com largada às 8hs. Então saio de casa bem cedo, e pego um ônibus que promove uma improvisada versão do feitiço de áquila ao reunir tribos aparentemente antagônicas, sem que haja interação entre elas. Os corredores e peladeiros do Aterro dividem o coletivo com sambistas voltando  das quadras e com boêmios renitentes, que estão deixando a Lapa com o raiar do dia. É um encontro curiosíssimo; nota-se  inveja, reprovação e admiração de ambos os lados, mas permanece uma distância regulamentar entre os grupos e um silêncio respeitoso.

E como o mundo não é assim tão separadinho como nossa cabeça às vezes insiste em arrumar, encontrei boa parte dos corredores tomando café da manhã, após a corrida, no bar. Bebendo chopp, às 9h30 da matina – e nem era carnaval, como bem pontuou a Manu.

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Procurei gerenciar meu ritmo e minha animação porque  sou daquelas que se empolga com a música e desembesta, sendo obrigada a reduzir depois, sob pena de tropeçar na própria língua. No meio da prova mantive o ritmo ao som de “Toda donzela tem um pai que é uma fera” (uma canção do tempo em que a Baby era Consuelo). Corria sabendo que poderia ir mais rápido, mas era melhor não, naquele momento. Perto do fim me diverti com o tema dos Flinstones, quase me imaginando naquele carro. E pela primeira vez consegui dar o tal sprint final. Nas corridas anteriores já cheguei esgotada nos últimos 500m, mas nessa estava tocando a música do Rocky Balboa, e estava acabando, e eu achei que não podia perder a oportunidade de cruzar a linha de chegada com esta trilha. Acho que valeu a pena e teve reflexo no meu tempo final, que foi 00:30:47.90.

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E você, Ludmila, como foi?

Helê

Volta às aulas

Contribuição da leitora Ester – gracias novamente!

Helê

Variações sobre o mesmo tema

Adoro regravações, releituras, paródias, variações sobre o mesmo tema. Essas aqui eu colhi intenet afora, via I can read, Visualize.us e demais perdições visuais. O original eu conheci com a bacanérrima Dani Arrais no instigante Dont’t touch my moleskine:

Depois fui colecionando as variações aqui e ali:

Avisem caso caso esbarrem com novas peças pra minha coleção.

Helê

Um de cada

Se é verdade o que diz a Fal e “tem um por geração“, a nossa (que fique claro que me incluo nessa na qualidade de leitora, viu?) é assim: a Fal seria nossa Clarice; o Biajoni seria um Nelson Rodrigues, talvez com pitadas de Rubem Fonseca; a Ana Maria, pelo menos por enquanto, é nossa Érico Veríssimo.

Mas a Marina W. é ela mesma, o Alex também. Eles escrevem de um jeito que não consigo “classificar”, não vejo comparação possível com algo que já tenha sido feito.

Li o romance “Mulher de um Homem Só” duas vezes no ingrato formato e-book, que em geral dificulta bastante a leitura. Em ambas ocasiões, não parei até o ponto final. Não sou muito boa em crítica literária, em geral fico só no “gostei” ou “não gostei”. Desse eu gostei, é tudo o que posso dizer. (Assim como gostei de “Não Sou Uma Só“, “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite“, “Buceta” e “Um Defeito de Cor“. Recomendo todos.)

-Monix-

Para os dias que seguem

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.”

Martin Luther King


Helê,

repassando mensagem pra lá de pertinente enviada pelo sempre militante Silvinho.

Fisionomia & fantasia

eusouosol Falando em carnaval… dia desses, no coquetel de lançamento do livro que revisei (sim, é um autojabá), fui reapresentada a uma pessoa que havia conhecido no carnaval,  mais precisamente no bloco Boitatá, no Paço Imperial (ali mesmo, onde a dona Isabel assinou a parada).

Pois a pessoa, namorada de um amigo, gente boa e educadíssima, pediu enfáticas desculpas por não se lembrar de mim. Prontamente tratei de tranquilizá-la; afinal eu estava, digamos, diferente naquele dia. Minha fantasia chamava-se “Eu sou o sol”, pra vocês terem uma idéia.  Mas ela insistiu nas desculpas: “Não, mas eu sou uma boa fisionomista, me desculpe mesmo.”  Tá bom, tá desculpada, mas olha a foto e diz aí se o esquecimento dela não está justificado…

Helê

Eu oriento o carnaval

Como é que eu podia deixar quicando essa bola e perder a deixa? Mesmo sem confete ou serpentina à vista, tendo outras tantas coisas a dizer e nenhuma que se encaixe nesse título, não podia perder a oportunidade dessa tabelinha com mi sócia, não é mesmo? E pareceu-me uma divisão bastante adequada às nossas aptidões e perfis :-). Então ficamos combinados assim, ela organiza o movimento, eu oriento o carnaval e saiamos todos à rua para admirar a lua cheia branca inteira que desde ontem brilha solta na amplidão, ok?

Helê,  cujo coração se cansa, mas não desiste

Eu organizo o movimento

Tudo indica que vem aí mais uma semana de prorrogação das férias das escolas particulares, a reboque da decisão do governo estadual.

É claro que eu entendo a posição dos donos de escola. Imagino o tamanho da responsabilidade, já pensou se uma ou mais crianças contraem a tal da gripe?

Mesmo assim, estou pensando seriamente em convocar uma passeata de mães trabalhadoras, na avenida Rio Branco, pela volta às aulas JÁ! Vamos botar máscaras e luvas na criançada! Chega de férias em casa, férias com chuva, férias sem viagem, férias com os pais trabalhando!  Basta de tédio infantil, pelo fim dos telefonemas no meio da tarde, queremos nossa rotina de volta! À luta, companheiras! O povo unido jamais será vencido.

-Monix-

(Apesar do tom irreverente do post, o dia de hoje está sendo de profundo pesar pela notícia da morte do Gabriel no Malauí.)
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