Meu atual namorado …

… chama-se John Legend. Por ele deixei os outros todos – Mark Ruffalo, Denzel Washington, Benício Del Toro –  e agora só quero saber de seu suingue. Tenho um orgulhinho besta de ter conhecido o cara sozinha. Assim: eu o vi tocando num seriado meio obscuro chamado ‘Vegas’. Gostei, botei a mula pra trabalhar e assim o cidadão  entrou no meu ipod.  Fui me apaixonando aos poucos, a cada música em que reconhecia aquela voz suave e cheia de amor pra dar.

Dia desses esbarrei com o moço de novo se apresentando num canal de tv, e aí foi fatal. Ele havia abandonado o piano e a timidez e dançava de maneira contida e elegante frente a três backing vocals igualmente charmosos, naquele estilão clássico. Ele é um soulman delicioso em váários sentidos, e canta coisas sensuais como “Love hurts sometimes/ when you do it right/don’t be afraid of a little bit of pain/pleasure is on the other side“. Não, assim escrito perde muito, é preciso ouvir com aquela levada soul que só esses negões americanos sabem fazer. As canções de Legend têm o balanço das de Smokey Robinson, a sensualidade das de Mr. Barry White e Marvin Gaye e, até onde posso perceber, ele é um músico excelente, como se atesta na versão dele para o clássico “Don’t let me be misunderstood“. Essa canção está pautada para outro post, mas vale dizer aqui que só alguém talentoso consegue imprimir sua marca numa canção recriada tantas vezes.

E vamos combinar que, como se não bastasse tudo isso, o cara ainda por cima é gaaaato.

Aiai. Suspiro duplo carpado e som na caixa, no Dufas Dial.

Helê

PS: Soube que ele fez um dueto com a Ana Argh Carolina. Morro de medo de duetos: às vezes o bom ajuda o ruim, às vezes acontece o oposto  e o resultado é um desastre. E essa dona quando juntou com Seu Jorge produziu um dos discos mais chatos do século.  Muita calma nessa hora, mas se der errado, a culpa não é dele, já estou avisando.
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UP atende as expectativas de um filme da Pixar: bom pra caramba pra todo mundo. Tem como protagonistas dois anti-heróis, um velho solitário e um tanto rabugento, mas que no último minuto escapa da caricatura; e um menino gordinho, carente e cheio de energia. Mistura aventura, humor e emoção – são fartas as doses de lirismo. Lembrei bastante da frase do Lennon, “A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos”. As metáforas não são ruins por serem óbvias, como o velho que viaja levando a própria casa – delícia, heim? – e de como precisa let it go para viver coisas realmente novas. Tudo isso permeado por uma estética belíssima, que a gente já naturalizou nos filmes da Pixar, mas não pode não: tem que admirar e elogiar, as imagens são maravilhosas. Eu gostei tanto que tentei dar um perdido no lanterninha e ver outra sessão mas não funcionou.

***

Vi o trailer de um filme sobre o fim do mundo que acontece em…2012. Pô, antigamente davam mais tempo pra gente, né? Agora é assim, daqui a pouco? Humpf.

Helê

Pare

Pra quem, como eu, não desliga a rádio Cabeça. 🙂

(Também pensei em “Look/listen to your heart/hear what is saying loooove…‘”)

Helê

Bom finde

Helê

E assim se passaram 10 anos

No último dia 6 de setembro completei 10 anos sem fumar. Uma marca que me deixa muito feliz, cheguei até a fazer um trofeuzinho virtual pra mim. Mas minha alegria é discreta porque sei que estou celebrando 10 anos de resistência. Não é pouco, mas não pode ser considerada uma vitória clássica, de algo efetivamente conquistado. Cuido para não ceder à vontade, mas ai de mim se não o fizer: ela ainda existe, mesmo tanto tempo depois. Afinal, trata-se de um vício, e no meu caso, um trago pode botar tudo a perder.

O que digo pode não ser animador para quem quer parar, eu sei, mas é honesto. Eu temia exatamente isso quando fumava, e perguntava aos ex-fumantes: “Mas vem cá, você ainda sente vontade?”. A maioria dizia que sim, e eu achava impossível resistir a uma vontade pelo resto da vida. Mas olha, você aí que pensa parecido: dá sim, viu? A vontade persiste, mas ela muda, você também – a vida então, nem se fala!… E as vantagens compensam. É necessário saber quais são elas, porque cada um tem seu próprio caminho e terá seus ganhos e dificuldades. Não lembro, por exemplo, de descobrir uma infinita miríade de sabores e cheiros antes inacessíveis por causa do cigarro, uma das promessas da propaganda antitabagista. Mas ganhei, por exemplo,  a liberdade imensa de poder sair de casa com absolutamente NADA nas mãos – incomodava-me profundamente poder deixar até a chave de casa na portaria, mas ter que sair com um maço de cigarros, como uma inseparável algema.

Bom, então isso posto, deixa eu dar um vivaeu pra mim que eu mereço, ora bolas.  Com direito a troféu. Viva!

Helê

Certas canções

Acredito piamente que há uma música para todas as situações sob a face da terra. Há, inclusive, canções que falam sobre outras canções que conseguem traduzir nossos sentimentos, formando um espiral metalinguístico-musical. Talvez o exemplo mais bem acabado em português seja “Certas canções”, que vai direto ao ponto: “Certas canções que ouço/cabem tão dentro de mim/que perguntar carece/como não fui eu que fiz?”. Anos atrás, assisti uma entrevista do Milton Nascimento em que ele dizia, com uma desconcertante sinceridade, que foi motivado por uma mistura de inveja com indignação ao ouvir “Ebony and Ivory”, sucesso de Stevie Wonder e Paul MacCartney. Bituca se disse inconformado com o fato de que, mesmo após anos à frente de um piano, não ter pensando antes naquela imagem óbvia: ébano e marfim lado a lado, em harmonia, etc.

O disco “Soy latino americano”, de Zé Rodrix, gravado no longínquo 1976, tem entre suas faixas a pungente  “Eu vou comprar esse disco”, que também descreve sem rodeios e com certa gratidão a capacidade de outra pessoa expressar o que o autor sentia: “Eu vou comprar esse disco/que toca sempre no rádio/dizendo tudo que eu sinto/eu sei que o cara que canta/nem sabe que eu existo/ mas s história que ele conta parece feita sob medida pra mim”. Em pleno século 21 talvez sejam necessárias umas notas de pé de página para nova geração – comprar disco?!? – mas o sentimento permanece, atemporal.

Em inglês o exemplo mais famoso – e, na verdade, o único que conheço – é a clássica “Killing me softly with his song”, mega hit de Roberta Flack. Reza a lenda que a canção foi inspirada em Don McLean: a cantora Lori Lieberman teria visto um concerto dele e ficado impressionada com músicas que pareciam descrevê-la. A canção narra com detalhes o acontecido:  “I heard he sang a good song/I heard he had a style/And so I came to see him and listen for a while/And there he was this young boy, stranger to my eyes/Strumming my pain with his fingers/Singing my life with his words/Killing me softly with this song”.

E vocês, têm alguma a acrescentar à lista? As citadas estão lá no DufasDial.

Helê

Qual a paz?

A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do sossego
Pois paz sem voz
Paz sem voz
Não é paz, é medo

Marcelo Yuka

O que podemos complementar com algumas pitadas de Alex Castro:

…acho que a falta de conflitos raciais é um dos grandes problemas do Brasil.

Sociedades que não tem conflito são em geral estratificadas e anti-democráticas. Não existe conflito porque uma classe social, etnia ou grupo religioso está totalmente sob o controle de outra, especialmente se essa superioridade já está culturalmente introjetada.

É verdade que no Brasil não existe conflito racial? Claro que sim. Isso é bom? Claro que não.

No Brasil, não existe conflito racial porque o negro sabe o seu lugar*.

A falta de conflito racial no Brasil é a paz do mais forte que é tão mais forte que sua dominação nem mesmo é contestada e do mais fraco tão mais fraco que nem vale a pena começar a brigar. Assim é fácil não ter conflito racial.

* Tentei encontrar o autor dessa lapidar frase, mas encontrei-a atribuída a Millor Fernandes, Érico Veríssimo, Roberto DaMatta, etc. Ou seja, já virou domínio público.

O resto vocês leem lá no Liberal Libertário Libertino. Disparado a melhor fonte do Brasil, atualmente, quando se trata de debater racismo – e trazer os racistas para fora do armário. Cada post do Alex sobre o tema rende mais comentários inacreditáveis. O que é não apenas interessante como provavelmente intencional por parte do autor.

-Monix-

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