Adeus, Bloo

Trilha sonora do post no Dufas Dial, as usual.

Esse é nome do último episódio da Mansão Foster para amigos imaginários, um dos meus desenhos contemporâneos favoritos. Foi exibido há menos de um mês, mas eu ainda não me conformo. Inclusive porque o fim de um desenho é algo estranhíssimo, se você pensar bem. Você sabe qual é, por exemplo, o episódio derradeiro do Pica-pau, ou do Manda Chuva? Parece que eles nunca deixaram de ser feitos: nós é que crescemos e deixamos de assistir, apenas. Talvez por isso eu tenha me sentido um pouco abandonada com o fim daquela que, afinal, é uma foster’s home.

Houve um tempo que que eu parava tudo que estava fazendo, duas vezes por dia, para assistir com minha filha. Tinha o apelo e a delícia de ser um ritual com filhote, claro, mas a verdade é que era eu a maior fã desse desenho animado. A idéia toda é muito boa: uma menino de 8 anos, Mac, tem que se livrar do seu amigo imaginário, o Bloo, porque sua mãe diz que ele está muito velho para ter amigos desse tipo. Além disso, Mac vive sendo atormentado pelo irmão mais velho, de 13 anos, o Terrível. Assim, ele encontra a Mansão, que abriga amigos imaginários até que eles sejam adotados – por crianças que não são criativas o suficiente para imaginá-los, por exemplo.

Na Mansão, que por dentro é ainda maior do que parece por fora,  moram, entre outros, Eduardo, um monstro medroso e chorão com sotaque espanhol; Duquesa, a mais esnobe e intragável ocupante da casa, uma figura cubista; e o Sr. Coelho, mordomo formalíssimo e cheio de regras – que depois descobrimos ser o primeiro amigo imaginário da Madame Foster, a velhinha coquete dona da Mansão que certamente é mais doida que todos os personagens. Frankie, neta da Madame, ajuda o Sr. Coelho a gerenciar a casa (e só depois de algum tempo eu percebi que ela e vó têm praticamente a mesma roupa).

Apesar dos protagonistas serem Mac e Bloo, nem sempre as histórias giram em torno deles, exclusivamente. A Mansão é uma casa muito louca, com infinitos amigos, cada um com a aparência mais extravagante que o outro. Há uma relação muito especial entre os amigos e seus donos: num episódio, por exemplo,  Mac tenta ajudar Ivan, um amigo imaginário com dezenas de olhos que perdeu-se de seu dono, um menino cego.

Bloo, cujo nome completo é Blooregard Q. Kazoo, é o extremo oposto de Mac: egoísta, irresponsável, desobediente, aventureiro. Interessante foi ler nessa entrevista do autor, Craig McCraken, que ele perdeu o pai aos 7 anos, e que é como se Bloo fosse ele antes dessa perda, e Mac a criança que ele se tornou depois. Fiquei me perguntando quantas sessões de análise ele levou pra concluir isso…

A Mansão Foster era um desenho belo, que conseguia harmonia visual a despeito do carnaval de personagens que por ela passava. Também os enredos eram criativos, com personagens inusitados como a menina hiperativa (e carente) que não conseguia parar de imaginar amigos, superlotando a Mansão.  Ou os temíveis rabiscos, que eram rascunhos de amigos imaginados por bebês, que não conseguiam formar um amigo completo, apenas rabiscos desorientados.

Bom, mas o fato é que a Mansão fechou. Pelo que compreendi da entrevista já citada, a opção foi “parar no auge”, enquanto o desenho ainda era um sucesso. Foram seis temporadas e várias premiações. Consola-me o saber que em pouco tempo estarão disponíveis em dvd, e que nada é mais exibido na tv a cabo do que reprise.  Também aguardo o que mais sairá da cabeça de McCraken, meu ídolo: se mais não fosse, porque ele simplesmente é o pai das Meninas Superpoderosas (ah, e também trabalhou no Laboratório do Dexter).

Helê

PS: Horas atrás foi publicado, erroneamente, um rascunho do post. Desculpe os que leram o anterior, esse é o que vale 🙂
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