Zona de conforto

Ó só, deixa eu falar uma parada pra vocês: não existe isso de “sair da zona de conforto”. Não repitam isso, for Christ’s sake. Já está virando um modismo, quase como ‘a nível de’ foi tempos atrás. E além de chato, como qualquer modismo, devo dizer-lhes, amigos, que trata-se de uma impossibilidade. Pensei em diversos adjetivos (emocional, física, moral) mas basta dizer impossibilidade humana. Ninguém sai da zona de conforto. Porque, a despeito de ser uma zona real muitas vezes, isto é, um lugar de caos, o conforto prevalece. E that’s what’s all about, é isso que buscamos todos nós, conforto, segurança, acolhida,  o previsível do cotidiano – ainda que seja tolerada ou até bem-vinda uma ou outra novidade pra variar um bocadinho. Ninguém sai da zona de conforto. Dela somos expelidos, expulsos,  em geral de forma violenta. E quando acontece ficamos mesmo desacorçoados, perdidos, muito fodidos,  tentando achar um caminho – ou construir um – que nos leve a uma nova zona de conforto, humanos que somos.

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