Zona de conforto

Ó só, deixa eu falar uma parada pra vocês: não existe isso de “sair da zona de conforto”. Não repitam isso, for Christ’s sake. Já está virando um modismo, quase como ‘a nível de’ foi tempos atrás. E além de chato, como qualquer modismo, devo dizer-lhes, amigos, que trata-se de uma impossibilidade. Pensei em diversos adjetivos (emocional, física, moral) mas basta dizer impossibilidade humana. Ninguém sai da zona de conforto. Porque, a despeito de ser uma zona real muitas vezes, isto é, um lugar de caos, o conforto prevalece. E that’s what’s all about, é isso que buscamos todos nós, conforto, segurança, acolhida,  o previsível do cotidiano – ainda que seja tolerada ou até bem-vinda uma ou outra novidade pra variar um bocadinho. Ninguém sai da zona de conforto. Dela somos expelidos, expulsos,  em geral de forma violenta. E quando acontece ficamos mesmo desacorçoados, perdidos, muito fodidos,  tentando achar um caminho – ou construir um – que nos leve a uma nova zona de conforto, humanos que somos.

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12 Respostas

  1. […] mesmo, suspeito eu, quando acertar na loteria sozinho. Essa é outra lenda urbana, igual  fucking zona de conforto. Quanto antes você compreender isso, mais chances tem de ser feliz. Mas nunca para […]

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  2. minha linda, que post oportuno, as always… mas engraçado, eu acho que nunca tive uma zona de conforto, assim como se pensa esse lugar meio mágico. ou se tive, sempre fui obrigada a sair dele, pelas próprias circunstancias da vida. e sai desse lugar tantas e tantas vezes, atras de outro “esconderijo” mais seguro…

    mas meu lugar de conforto existe sim, é dentro de mim, anda comigo, está sempre onde estou… é um lugar onde estão eu criança. eu adolescente, eu como sou hoje e como sempre fui.
    penso que todo mundo tem esse lugar, meu amor, talvez tenha outro nome, e não seja um lugar tão confortável assim, mas é o nosso útero, pra onde voltamos sempre para reabastecer…
    beijo grande, te amo!

    Oi, Beth, bom te encontrar aqui, sempre!
    Ando tentando me aproximar desse lugar aí que você descreve, e na me sinto mais perto dele na yoga…
    Beijo grande,
    Helê

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  3. perfeito o texto

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  4. eu fui expulsa.

    Acho que, na real, a gente sempre é. O que nos salva é a capacidade de reinventar outras.
    Beijo grande,
    Helê

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  5. Super obrigada Helê, valeu mesmo bjks

    Maria

    Não há de quê, mesmo.
    Volte sempre, Maria.
    Beijo,
    Helê

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  6. Preciso de ajuda, não consigo sair da ZC, sempre
    acabo sendo convidada a me retirar dela, alguém
    pode me ensinar algum mecanismo alguma
    dica, exercício que me ajude saber o momento
    certo de bater em retirada ou vasar quando sentir
    que o momento tá muito gostosinho, morninho, confortável e familiar demais??? bjs Maria

    Oi, Maria; obrigada pela visita.
    Uma dica é reler o post e tentar compreender o que é, pra você, zona de conforto, e por que você quer deixá-la. Sem ter isso muito claro, qualquer movimento, em qualquer direção, torna-se mais difícil e pode ser inócuo.
    Boa sorte; fique bem.
    Helê

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  7. adorei!! (faz tempo que eu nao aparecia). beijocas nas duas

    Ô, Jô, que bom te ver! Saudadonas nossas, viu?
    aquele abraço, beijão,
    Helê

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  8. Quando na verdade a circunstância é que insistiu em nos manter lá…hahahahaha…Culpa toda dela!

    Toda toda dela, a marvada. 🙂
    H

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  9. Tá certa pra variar, Helê. Vai nessa expressão, que se tornou tão corriqueira, uma boa dose de egocentrismo. É só por uma ilusão umbigal, que nos imaginamos saindo da zona de conforto. Em geral, dela somos saídos!

    “Somos saídos” sintetiza tudo, Ci. E a expressão coloca o outro numa posição desconfortável, porque supõe que trata-se apenas de uma decisão que a pessoa não tomou – por incompetência, preguiça, burrice, sabe-se lá.
    Bj,
    Helê

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  10. Interessante. Vejo ao meu redor pessoas que abdicam dessa “zona de conforto” para aumentar a “zona de conforto” de outras pessoas. Geralmente, o comentário reducionista seria: “mas esta é a “zona de conforto” dela. Ela faz o bem a outra pessoa para ficar em bem consigo mesmo e entrar na sua “zona de conforto”. Não! Ela sai de fato do que é considerado pelo campo, pela comunidade e pela cultura na qual ela está inserida para fazer algo por pessoas que possuem menos do que ela, quer seja material ou espiritualmente. Acredito que o humano médio, aquele da curva de Gauss, realmente nunca saiu da zona de conforto. Mas generalizar isso e apagar da história pessoas como Gandhi, por exemplo, parece ser um bocadinho demais.

    De todo modo, valeu pela intensidade literária da postagem.


    Pois é, Rafael, mas o Gandhi é a exceção que confirma a regra, não é mesmo?
    Lembro que não estou falando do conforto material, físico, mas de estruturas essenciais à nossa existência.
    Obrigada pelo comentário; aquele abraço,
    Helê

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  11. Sou agarrado a minha zona de conforto com tanta firmeza que às vezes até me incomoda um pouco. Sabe aquele feriado que a gente não quer sair da cama? Mesmo que o corpo esteja doendo pelo tempo que estamos deitados. Então, este sou eu e minha zona de conforto. Quase posso chama-la de zona de preguiça. A confusão de tudo isso, penso eu, se encontra entre o comodismo e a ousadia e como cada um lida com tudo isso. Conheço pessoas que ousam e só se sentem confortáveis quando fazem isso. Portanto, a zona de conforto delas é muitas vezes a adrenalina que corre na incerteza de arriscar. Ficar boiando na marola é desconfortável para um big rider.

    Oi, Carlos, que bom ver você por aqui!
    Pois é, zona de conforto tem a ver com o “lugar” em que você se sente à vontade, que pode ser em frente à tv; surfando em Jaws ou num bom emprego público. E não há nada de errado em apegar-se a ele. A falácia é achar que você pode “sair” desse lugar facilmente. Se for tão fácil não é zona de conforto, é playground 😀 .
    Aquele abraço,
    Helê

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  12. clap-clap-clap. post fodástico.

    Gracias, Sam.
    Beijo grande,
    Helê

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