Tijucana

Eu experimentei na pele um ditado muito usado na minha família – a minha avó falava, minha mãe repete e eu provavelmente vou reproduzir. Não é lá muito bonito, mas certeiro: “a língua é o chicote do rabo”. Quem me conhece há (muito) mais tempo deve ter me ouvido dizer que eu detestava a Tijuca, porque lá todo mundo vivia de aparências. Quem conseguia subir de vida, mas não o suficiente pra chegar à zona sul, ia pra lá. Os que dilapidavam o patrimônio familiar mas não a ponto precisar usar pegar o trem na Central, idem. E assim se juntava um montão de gente tentando ser o que ainda ou já não era.

Mas Greta Garbo, quem diria?, veio morar na Tijuca.  E hoje, há mais de dez anos no bairro, não sei direito de onde eu tirei essa história. Existe um imaginário em torno do tijucano como alguém conservador, moralista, do tempo em que as meninas que estudavam no Instituto de Educação namoravam os meninos do Colégio Militar (quem lembra de “Anos Dourados”?). Acontece que hoje as meninas estudam no Colégio Militar. Além disso, se o bairro tem suas áreas nobres e uma suposta elite, também está coalhado de favelas (ou comunidades, como preferem os corretores), tem pelo menos 3 escolas de samba, universidades e incontáveis  botecos. Ou seja, abriga uma vasta diversidade social. Há ainda atrativos como a floresta da Tijuca e o Maraca –  sem falar de artigos de luxo, em franca extinção em outras cercanias, como praças e bandas.

Em resumo, eu paguei a língua e tive que rever meus conceitos sobre a Tijuca e os tijucanos – eu que me incluo agora entre eles, por direito adquirido e carinho conquistado.

Helê

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