Tijucana

Eu experimentei na pele um ditado muito usado na minha família – a minha avó falava, minha mãe repete e eu provavelmente vou reproduzir. Não é lá muito bonito, mas certeiro: “a língua é o chicote do rabo”. Quem me conhece há (muito) mais tempo deve ter me ouvido dizer que eu detestava a Tijuca, porque lá todo mundo vivia de aparências. Quem conseguia subir de vida, mas não o suficiente pra chegar à zona sul, ia pra lá. Os que dilapidavam o patrimônio familiar mas não a ponto precisar usar pegar o trem na Central, idem. E assim se juntava um montão de gente tentando ser o que ainda ou já não era.

Mas Greta Garbo, quem diria?, veio morar na Tijuca.  E hoje, há mais de dez anos no bairro, não sei direito de onde eu tirei essa história. Existe um imaginário em torno do tijucano como alguém conservador, moralista, do tempo em que as meninas que estudavam no Instituto de Educação namoravam os meninos do Colégio Militar (quem lembra de “Anos Dourados”?). Acontece que hoje as meninas estudam no Colégio Militar. Além disso, se o bairro tem suas áreas nobres e uma suposta elite, também está coalhado de favelas (ou comunidades, como preferem os corretores), tem pelo menos 3 escolas de samba, universidades e incontáveis  botecos. Ou seja, abriga uma vasta diversidade social. Há ainda atrativos como a floresta da Tijuca e o Maraca –  sem falar de artigos de luxo, em franca extinção em outras cercanias, como praças e bandas.

Em resumo, eu paguei a língua e tive que rever meus conceitos sobre a Tijuca e os tijucanos – eu que me incluo agora entre eles, por direito adquirido e carinho conquistado.

Helê

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4 Respostas

  1. Fridas,
    Vi esta arte e me lembrei do blog de vocês:
    O encontro...
    Abraço.

    Ai, Carla que fooooofas! Eu quero. E La Otra também quererá 🙂
    Obrigada pela dica; volte sempre.
    beijo,
    Helê

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  2. Eu sei bem como é isso. Como diria minha avó: “Língua falou, língua pagou!”
    bjs

    É isso aí, Mônica, a idéia é a mesma, sendo que a sua versão é mais pheena 🙂
    Obrigada por comentar.
    Beijo,
    Helê

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  3. Acompanho o blog de vocês já tem um tempinho e ao ler este post senti muita vontade de comentar. Também sou tijucana e concordo com o fato de que a Tijuca que a Zona Sul tem em mente, não existe mais. Atrasados e preconceituosos os que vêem a Tijuca com esses olhos. Acho que atravessar o túnel e ver que o Rio de Janeiro não se resume a Zona Sul é um passo importante para o carioca, sendo que dentro da grande Tijuca cabem uns 5 Leblons ou mais (que Manoel Carlos não nos ouça rs).
    Bom, gosto muito do blog de vocês e agora que entrei nesse mundo web (sou jornalista e não tinha um até agora rs), virarei uma seguidora.
    Beijos,
    Aline Calamara (htttp://prosadejanela.blogspot.com.br ).

    Ô, Aline, comente sempre, não espere ter muita vontade; um pouquinho já basta :-). Bem-vinda à blogosfera e sucesso no seu blogue; volte sempre, a casa é nossa.
    Abração,
    Helê

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  4. tijuca, presente¹

    Ai, Vaca, pensei tanto em vc quando escrevi isso! E aí, vc acha que faz sentido?
    beijos, Helê

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